Diferenças entre Ritual de Emulação e Rito de York

Permitam-me compartilhar com vocês alguns pontos que diferem rito de ritual, para auxiliar na melhor compreensão do vocábulo “Ritual de Emulação” que, ao contrário do que dizem alguns, não tem nada a ver com “Rito de York” ou “Rito de Emulação”.

Muitos Irmãos confundem ou pensam que o Ritual Emulação é um rito. E que esse rito é o Rito de York. Acontece que não é. Eis que, na verdade, não se trata de um rito, mas sim de um ritual pelo qual é demonstrado e expressado por meio de dramatizações ritualísticas.

Na Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI) o vocábulo “Rito” não existe. Ou seja, é inominado. Os ingleses não consideram um rito, eles consideram rituais (Emulation, Bristol, Stability, Taylor’s, Logic, West End, etc…). Todos os diversos Rituais Ingleses pouco diferem-se uns dos outros, uma palavrinha aqui, outra palavrinha lá. Mas a Loja usada por todos são iguais, nisso não há diferença.

É plenamente entendível, pois, o que eles praticam é a Maçonaria, na sua mais pura origem, pois, como é cediço, o Ritual Emulação serviu de base para praticamente todos os demais ritos existentes no mundo (foi a base principal do Rito Brasileiro). Para se ter uma ideia, a união das duas Grandes Lojas Inglesas deu-se em 1813, mas antes disso, em 1797 já era fundado o Rito de York (Thomas Webb), e antes disso por volta de 1717 já haviam reuniões nos Trabalhos de Emulação, ou seja, a forma pura de Maçonaria. Este Ritual era praticado pelas Lojas sob a égide da Grande Loja de Londres, chamada pejorativamente de “Loja dos Modernos”. No entanto, era a mais antiga que a “Loja dos Antigos”.

Só por curiosidade, os mais antigos Rituais originais do Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA), amplamente difundido no Brasil, são de 1804, de origem francesa, e não têm nada a ver com o que se pratica no Brasil e em outras partes do mundo.

O que é Rito?

O vocábulo “Rito”, como um substantivo masculino, é derivado do latim ritus. Designa o cerimonial próprio de um culto, determinado pela autoridade competente; seu significado clássico é: “Uma prática, um costume aprovado; ou conjunto de normas e práticas que se faz com regularidade” (Ir. Sérgio Cavalcante – Rito York).

Rito vem a ser uma coletânea de rituais, onde o verdadeiro Rito de York é constituído por quatro corpos devidamente distintos uns dos outros, mas de forma hierárquica, a saber: Graus Simbólicos, Graus Capitulares, Graus Crípticos e Ordens de Cavalaria.

Da mesma forma o Rito Escocês Antigo e Aceito, onde se tem os graus simbólicos e mais 30 graus acima, numa hierarquia própria do Rito.

No Ritual Emulação isso não existe. Ou seja, há apenas os rituais dos graus simbólicos, e as Ordens Superiores são ordens totalmente independentes, e não há obrigação de iniciar esta evolução. Depois do grau de Mestre o Irmão escolhe como vai se aperfeiçoar.

Tanto são independentes de Rito que são abertas a qualquer outro Irmão de um Rito qualquer, desde que já tenha sido Elevado (Exaltado) a Mestre.

Então, apesar de erroneamente chamarem nossos trabalhos de “Rito de York” hoje sabemos que não é, mas sim Ritual de Emulação. O verdadeiro Rito de York está sedimentado no norte e nordeste do Brasil, e os Irmãos de lá não gostam nada desta confusão, pois eles praticam o verdadeiro Rito de York, fundado pelo Irmão Thomas Smith Webb, em 1797.

O que é Ritual?

Ritual, como um adjetivo, derivado do latim (ritualis), designa o que é relativo a ritos. Como substantivo masculino, designa o livro que contém a ordem e a forma de uma determinada cerimônia, e das dramatizações e representações ritualísticas, ou seja, é um conjunto de regras e/ou normas estabelecidas para a liturgia das cerimônias maçônicas. Sempre existiram os rituais, inicialmente através das tradições e de forma oral, posteriormente, com o passar dos anos por escrito, mas isto não tirou a tradição inglesa de nas reuniões da Loja praticar o Ritual de forma decorada. Pode-se concluir claramente, sem qualquer dúvida, que ritual é totalmente diferente de rito.

O que é o Rito de York?

Para se entender a definição do que é o “Rito York” e a sua origem, é necessário voltarmos um pouco no passado. O Rito York é baseado nos antigos rituais remanescentes da Antiga Maçonaria que era praticada no começo do século XVIII  pela Loja dos Antigos.

Referidos Rituais eram praticados pelos Maçons da “Grande Loja dos Antigos”, fundada no ano de 1751 por Maçons irlandeses, que haviam sido impedidos de entrar na Grande Loja de Londres (Loja dos Modernos), fundada no ano de 1717.

Thomas Smith Webb, é considerado como se fosse o organizador e fundador do Rito York, ou seja, o “pai” do Rito . Ele nasceu em 30 de outubro de 1771, em Boston. Foi iniciado na Loja do Sol Nascente, em Keene, New Hampshire, aos 19 anos. No ano de 1797, ele pesquisou, catalogou, organizou e codificou todos os rituais antigos e fez um conjunto de 13 (treze) rituais, de forma condensada, em um monitor e denominou-os de “Rito York”, em homenagem a cidade de York , pois em suas pesquisas foi tida como berço da Maçonaria no mundo, ou seja, a cidade onde se tem os registros mais antigos de reuniões maçônicas.

Ritual de Emulação

O Ritual de Emulação foi aprovado oficialmente pela Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI) em 1813, e foi criado um comitê curador do Ritual, chamado de Emulation Lodge of Improvement for Master Masons (Loja Emulação para Aperfeiçoamento de Mestres Maçons). Esse comitê é o responsável pela edição e publicação do Ritual de Emulação, com plena autorização da GLUI, respeitando os princípios gerais impostos pela mesma.

Por isso o Ritual de Emulação é como se fosse um monitor que contém o conjunto de práticas consagradas pelo uso e costume, e que assim se devem de forma invariável em momentos determinados. Ou seja, é o cerimonial propriamente dito.

Na Inglaterra, compete às Lojas a regulamentação das formas de ritual, reservando-se, a GLUI, o direito de intervir em qualquer Loja Inglesa que adote formas ou modificações estranhas a prática do ritual conforme ensinado desde 1813, ou algo que venha a se opor aos princípios gerais estabelecidos. Pois, segundo o Art. 155 do Livro das Constituição da Grande Loja Unida da Inglaterra, esta liberdade é concedida, mas também limitada. Em tradução livre:

155. Os membros presentes de qualquer Loja, devidamente reunida, têm o direito inalienável para regular os seus próprios procedimentos, desde que eles estejam de acordo com as leis gerais e regulamentos do Ofício (ou da Ordem); contudo, um protesto (reclamação, denúncia) contra qualquer resolução ou procedimento que seja contrário às leis e aos costumes do Ofício e com a finalidade de reclamar ou atrair uma autoridade maçônica maior, pode ser feito, e tal protesto será anotado no Livro de Atas, se o Irmão que faz o protesto assim solicitar.”

Assim, existem na Inglaterra, diversas formas de rituais, conforme já foi citado, pois a Grande Loja não legisla sobre a forma de ritual adotado por suas Lojas, mas sim sobre os princípios gerais da Ordem, e nenhum ritual pode ser contrário a isso.

Autor: Fábio Mendes Paulino
ARLS “MA’AT – Verdade, Justiça e Retidão”, n.º 3669
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Platão e o Ritual Maçônico – Capítulo III

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A Conexão Grega: A Inglaterra do século XIX

É hoje um fato bem estabelecido que, na Europa, mas mais particularmente na Inglaterra e na Alemanha, um fenômeno cultural conhecido como Filohelenismo surgiu no final do século XVIII e se estendeu por mais de uma centena de anos durante o século XIX. O Filohelenismo é um termo de uso acadêmico para descrever um “amor por todas as coisas gregas”.

A primeira evidência de Filohelenismo foi no campo da literatura.

Estamos acostumados a pensar em entrar numa livraria e comprar traduções de obras literárias em outros idiomas. É um lugar comum da vida moderna. Mas, nos primeiros anos de 1700, isto estava longe de ser um lugar comum. Se você ou eu quiséssemos ler os Comentários de César, histórias de Lívio, ou o Anabasis de Xenofonte, teríamos que conhecer latim ou grego.

Nós compraríamos ou pediríamos emprestado um livro contendo o texto original e o leríamos, o traduziríamos nós mesmos.

Acadêmicos como o Dr. James Anderson estariam muito bem familiarizados com as obras de Platão e seus contemporâneos no original grego.

A primeira tradução notável de um texto grego para inglês foi aquele de Josefo, Antiguidades dos Judeus. Ele foi traduzido por William Whiston (1667-1752) e publicado em 1732, em Londres. As Antiguidades é um documento importante do ponto de vista maçônico. A data da sua publicação é justamente na época do desenvolvimento do Terceiro Grau e mais visivelmente – entre a primeira e a segunda edição das Constituições de Anderson (1723 e 1738) – ambas as obras significativas no cânon de literatura Maçônica (e algo que voltaremos a discutir em breve).

Outra questão importante – há aspectos de nosso Ritual, que aos olhos não treinados parecem ter sido tomados das escrituras sagradas, no entanto – não há dúvida de que eles realmente originavam-se do Antiguidades. Um exemplo é o da escada em caracol encontrado no Segundo Grau. Embora nenhuma escada exista em qualquer narrativa nos livros de Reis ou Crônicas, a referência a uma escada em caracol do piso térreo até o terceiro nível do Templo aparece em Antiguidades. Ela estava posicionada entre as paredes exterior e interior do Templo.

A primeira pessoa a traduzir o corpo completo das obras de Platão e Aristóteles para inglês foi Thomas Taylor (1758 – 1835). Taylor era o filho de um ministro dissidente que tinha esperanças que seguiria os passos de seu pai. Embora a carreira de Taylor não tenha seguido a de seu pai, ele desenvolveu um interesse pelo estudo das línguas antigas – especialmente a grega.

O conjunto de suas traduções gregas é vasto e até o ano de 1800, ele havia traduzido não só as obras completas de Aristóteles, mas também as obras completas de Platão e mais particularmente – a República. Pela primeira vez na história, homens e mulheres que não liam grego podiam ler República em uma tradução em inglês. De repente, o mistério e intriga dos clássicos gregos originais estavam disponíveis para qualquer um ler em inglês razoavelmente simples.

Isso abriu uma nova dimensão de filosofias, ideias, teorias e histórias que somente tinham estado disponíveis para um grupo de elite de acadêmicos. O escopo material grego que estava agora disponível em tradução inglesa (filosofia, teologia, história, poesia, teatro e mitologia) sugeria fortemente que os antigos gregos eram muito parecidos com você e eu. Os problemas que eles enfrentavam, as perguntas que faziam sobre a vida e a morte – essas não eram diferentes das perguntas que fazemos hoje.

No espaço de menos de 10 anos após a primeira publicação da República, o interesse por todas as coisas gregas desenvolveu-se em outros campos. A primeira expressão fora da literatura foi a arte.

Thomas Bruce, o sétimo conde de Elgin (1766-1841), arrebatado pelas ondas da moda grega, e aproveitando-se das tensões entre os gregos e turcos na época, convenceu as autoridades de Atenas para autoriza-lo a derrubar os frisos que adornavam o Parthenon (dentro e fora), corta-los, encaixota-los e despacha-los para a Inglaterra. (Ele os tinha persuadido que este seria a melhor de todas as vias possíveis para preservar a arte, no caso de uma invasão turca). A intenção era que a medida fosse temporária, mas permaneceram na Inglaterra nos últimos 200 anos, apesar dos protestos do Governo grego exigindo seu retorno.

“A Importância da República de Platão na estrutura de classe britânica do século XIX… O estudo do grego… Tinha a vantagem de não ter qualquer função útil… por isso servia aos propósitos de continuar o isolamento de uma classe superior, cujos membros não tinham de ganhar a vida, do resto da comunidade que tinha.” Charles Freeman,- The Greek Achievement, (2000, pp. 9-10).

“É impossível separar a instituição dos estudos gregos nas escolas públicas inglesas da determinação de manter o sistema de classes britânico. Os gregos forneceram, através da República de Platão, por exemplo, um modelo para uma classe dirigente ociosa, cujo direito de governar depende de uma formação especializada negada à maioria que não era considerada digna dela.”  Charles Freeman, The Greek Achievement, (2000, p. 10).

A atriz grega Melina Mercouri (1920-1994) defendeu ativamente o retorno desses frisos que são mais comumente chamados hoje como Os Mármores de Elgin. Quando Lord Elgin inicialmente retirou os frisos, eles eram ricamente coloridos. Personagens e animais esculpidos na pedra tinham roupas de diversas cores, e até mesmo detalhe de tons de pele.

Enquanto guardados no Museu Britânico, essas cores foram metodicamente removidas usando produtos químicos e escovas – uma prática que terminou poucos meses antes da Segunda Guerra Mundial. O que resta agora dos frisos – uma austera pedra branca – é uma interpretação inglesa do que eles acreditavam como devesse a arte ateniense ser olhada.

Enquanto em exposição no Museu Britânico, estas obras de arte atraíram uma nova geração para os estudos antigos gregos. Foi também durante essas primeiras décadas do século XIX que a poesia inglesa experimentou uma nova interpretação do estilo poético grego antigo conhecido como ode ou hino. Os principais expoentes dessa nova forma poética conhecida como a Ode Inglesa foram Wordsworth, Shelley e Keats. No capítulo intitulado Mitologia e História Grega: Sua Relação com Ritual Maçônico, atenção específica é dada à forma como o Ritual de Emulação adaptou a ode grega.

A única coisa intrigante a se notar por enquanto, é que o momento da composição do Ritual de Emulação coincidiu com o ápice do desenvolvimento da ode inglesa. O momento ocorreu com precisão exata.

Relacionada a estes poetas estava a figura romântica de Lord Byron (1788-1824). Ele estava tão envolvido no fenômeno do Filohelenismo que lutou ao lado dos gregos contra os turcos durante a Guerra da Independência Grega (1821-1829). Enquanto se preparava para um ataque contra a fortaleza turca de Lepanto, ele contraiu uma doença e, posteriormente, morreu alguns dias depois. Seu coração foi enterrado debaixo de uma árvore na cidade grega de Messolonghi e seus restos foram preservados e devolvidos para enterro na Inglaterra. A participação britânica na Guerra da Independência Grega era vista em termos muito clássicos como a luta contínua dos antigos gregos contra seus opressores Turcos – opressores contra quem tinham lutado desde a época das Guerras Persas.

Lord Byron também foi contundente em sua oposição ao “vandalismo” de Elgin dos frisos do Parthenon em seu poema – Peregrinação de Childe Harolds.

Cold is the heart, fair Greece! That looks on thee

Nor feels as lovers o’er the dust they lov’d;

Dull is the eye that will not weep to see

Thy walls defac’d, thy moldering shrines remov’d

By British hands, which it had best behov’d

To guard those relics ne’er to be restor’d

Curst be the hour when from their isle they rov’d

And once again thy hopeless bosom gor’d

And snatch’d thy shrinking Gods to northern climes abhorr’d.

Até 1830, dentro do sistema escolar público inglês, o grego se tornou a linguagem da moda. Tornou-se moda porque o estudo dessa língua tornou-se um importante instrumento político para assegurar que em um mundo que estava passando por tantas mudanças, como resultado da Revolução Industrial, o sistema de classes inglês sobrevivesse sem mudanças.

Este fenômeno filohelênico não ficou confinado apenas à Inglaterra. Ele também incluiu termos muito amplos e apaixonados na Alemanha. Até 1870 em um local chamado Hilarsik na Turquia, o empresário alemão chamado Heinrich Schliemann (1822-1890) satisfez uma ambição de longa data – descobrir o verdadeiro local da cidade que tinha sido povoado pelos heróis de Homero – Helena, Páris, Aquiles, Heitor, Agamenon, Menelau e Príamo … a cidade de Troia.

Continua…

Autor: Stephen Michalak
Tradução: José Filardo

Fonte: REVISTA BIBLIOT3CA

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Platão e o Ritual Maçônico – Capítulo II (3ª Parte)

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Dr. James Anderson: O arquiteto escocês de origem maçônica inglesa

Este homem foi um instrumento para reescrever a história inicial da Maçonaria (e por razões muito políticas), estabelecendo um conjunto moderno de Constituições que regem a Ordem, e colocando em prática princípios do ritual maçônico moderno (baseado em linhas Gregas). A razão pela qual ele implantou todas estas coisas foi para conseguir um único objetivo – o alinhamento dos novos ideais da Maçonaria aos da nova era Hanoveriana.

Ele nasceu por volta do ano 1680 e com 30 anos de idade em 1710, foi ordenado pastor da Igreja Presbiteriana. Nove anos mais tarde, ele se tornou ativamente envolvido em um debate acalorado sobre a posição que os presbiterianos sob a sua autoridade deveriam assumir sobre a aplicação do artigo primeiro dos Artigos de Religião da Igreja da Inglaterra. Quando olhamos sua vida, esta associação próxima, acalorada com o debate em 1719 pode ter sido um fator que ajudou a formar em sua mente o modelo de Obrigações de um Maçom que fizeram parte de sua primeira edição das Constituições publicadas em 1723, existem algumas semelhanças entre as Obrigações de um Maçom, e os artigos de religião anglicanos, que são mais que simples coincidência.

Se compararmos os cabeçalhos gerais das Obrigações de Anderson aos Artigos de Religião que podem ser encontrados em um livro anglicano comum de oração, uma característica muito evidente é a formatação distinta de cada uma das rubricas que começa … “Da … etc “. Os 39 Artigos de Religião Anglicanos e 5 dos 6 Cabeçalhos  Gerais das Obrigações de um Maçom, cada um deles começa com o formato estilístico idêntico.

Em segundo lugar, o artigo XXXVII trata de assuntos relacionados ao Magistrado Civil. Curiosamente, o cabeçalho II das Obrigações de um Maçom trata, de maneira semelhante, o Magistrado Civil.

Também é fácil perceber que a linguagem e o estilo tanto dos Artigos de Religião Anglicana quanto das obrigações de um Maçom compartilham o tom semelhante e a qualidade religiosa da redação. Nesses casos, por clonagem deliberada do estilo, linguagem e tom dos Artigos de Religião Anglicana, Anderson estava estampando a moderna Maçonaria com uma associação direta com a Igreja da Inglaterra estabelecida da época. Ele estava declaradamente distanciando a Maçonaria de qualquer possível sugestão de associação com qualquer tipo de marca de sociedade subversiva jacobita católica romana.

Em 1730, apenas 13 anos após a formação da Primeira Grande Loja da Inglaterra, uma exposição pública dos segredos da Maçonaria foi publicada sob o título de Maçonaria Dissecada. Ela foi escrita por Samuel Prichard.  Anderson publicou uma resposta à exposição pública de Prichard e chamou-a Defesa da Maçonaria.

No seu panfleto de 1730, ele explicava que havia três graus praticados na Maçonaria moderna e que cada loja era governada por um Mestre “e dois Vigilantes”. Mais do que qualquer outro documento da época que está disponível para nós hoje ressoa o panfleto de Anderson com material que é comum no Ritual de Emulação.

É também evidente que Anderson estava muito bem familiarizados com as obras de clássicos gregos e romanos –  autores que eram (e ainda são) conhecidos por sua interpretação da história e mitologia gregas.  Em 1730, em sua Defesa da Maçonaria, Anderson explicava o significado da lenda Hirâmica recentemente desenvolvida através de referência ao historiador grego Heródoto, à Eneida de Virgílio e às Metamorfoses de Ovídio. As Metamorfoses de Ovídio foram sem dúvida a mais notável conquista romana na conversão de personagens mitológicos gregos para um ambiente cultural romano.

Em 1738, Anderson publicou a segunda edição das Constituições, e neste trabalho ele elaborou uma história da Maçonaria que se estendia muito além das Antigas Obrigações originais. Anderson foi ainda mais longe – ele incluiu em sua lista de Grãos-Mestres anteriores a 1717, o Cardeal Católico Romano Wolsey, Moisés e até mesmo Nabucodonosor da Babilônia. A única característica singular da sua versão de 1738 das Constituições é que, neste colorido bordado (embora altamente imaginativo) de pseudo-história maçônica, ele descurou completamente de qualquer influência escocesa no desenvolvimento da história maçônica, traçando a sua ascendência inglesa de volta aos tempos bíblicos.

No entanto, existe uma outra questão muito importante com que Anderson estava conectado que se tornou um ponto crucial da história Maçônica.

Na primeira edição de seu Obrigações de um Maçom (1723), dentro do Cabeçalho Geral – Quanto a Deus e a Religião, aparece o seguinte trecho:

Mas, embora em tempos antigos os maçons fossem obrigado em cada País a ter a Religião daquele país ou nação, qualquer que fosse ela, ainda assim pensa-se ser agora mais conveniente obrigá-los a ter apenas aquela religião na qual todos os homens concordam, deixando suas opiniões particulares para si ; isto é, serem homens bons e verdadeiros, ou Homens de Honra e Honestidade, quaisquer que sejam as Denominações ou Obediências que os possa distinguir; dessa forma a Maçonaria se torna o centro da União, e os meios de conciliar a verdadeira amizade entre pessoas que de outra forma permaneceriam perpetuamente separados.

Inócuo como este parágrafo possa parecer aos nossos olhos e ouvidos modernos, naquele preciso momento, ele teve o efeito de polarizar a Fraternidade Maçônica. Este único parágrafo mudou o mérito intrínseco do que havia sido a proto-Maçonaria e trouxe-a até um ponto em consonância com os tempos. O que este simples parágrafo fez foi alterar a antiga definição maçônica de “irmão”; ele ampliou sua definição para um ponto que cortou todos os laços que poderiam ter permanecido com o proto-Maçonaria. Ele fez mais do que apenas sugerir uma nova definição de “irmão” – ele a redefiniu de forma inequívoca para incluir não apenas os cristãos (que eram os membros originais da proto-Maçonaria), mas os homens de qualquer religião que valorizam a verdade e a honra. O ano de 1723 marcou provavelmente o ano mais distinto em sua história até nossos dias. Ela se tinha reinventado, rejeitado qualquer identidade com o Catolicismo Romano, que ainda pudesse ter permanecido e viajou até mesmo além dos limites do protestantismo para ver homens de todas as religiões – igualmente. Onde uma vez havia uma divisão entre homens de diferentes religiões – uma divisão que se manifestava sob várias formas de preconceito – a Maçonaria teve uma visão muito esclarecida da fé religiosa e reconheceu que não havia motivos para discriminar entre um homem e outro com base em suas inclinações religiosas.

Para melhor compreender as implicações deste parágrafo, uma analogia exata pode ser imaginar a resposta de maçons em todo o mundo, se a redação de cada Constituição e conjunto de Regulamentos fossem alterados para permitir que as mulheres (que reconhecem a existência de um Ser Supremo) entrassem para as fileiras da maçonaria regular. A grande variedade de respostas e uma gama de emoções que poderíamos esperar fossem expressos não é diferente das respostas que foram associados com a redefinição do termo “irmão” para incluir homens de religiões (diferentes da fé cristã), nos idos de 1723.

Em 1751, apenas 28 anos depois que as portas da Maçonaria foram abertas aos homens de outras religiões diferentes da cristã  –  uma nova Grande Loja foi formada diretamente em oposição à Primeira Grande Loja.

Não surpreendentemente, a principal entre a lista de queixas da nova Grande Loja contra a Primeira Grande Loja era a redefinição de “irmão” de 1723 para incluir os homens de religiões não-cristãs.

As Grandes Lojas “Moderna” e “Antiga”

A nova Grande Loja que foi formada em 1751 referia-se a si mesma como a Grande Loja dos “Antigos” e se referia (com um tom sarcástico) à Primeira Grande Loja de 1717 como a Grande Loja dos “Modernos”.

Eles fizeram isso com base em que eles se viam como preservando as antigas e ortodoxas tradições da Maçonaria, em oposição à Primeira Grande Loja, que tinha “modernizado” a Maçonaria seguindo linhas heterodoxas.

Tão importante quanto a influência de Anderson para a Primeira Grande Loja, a Grande Loja dos Antigos de 1751 tinha sua própria “usina de força” na pessoa de Laurence Dermott.

Dermott nasceu na Irlanda em 1720.  Aos 20 anos de idade, ele foi iniciado e instalado como Mestre da Loja de Dublin em 1746. Dois anos mais tarde, ele se estabeleceu na Inglaterra, assumindo a posição de Secretário da Grande Loja dos Antigos por um período de 19 anos – de 1752 a 1771. Dermott escreveu uma obra que provoca comparações às Constituições de Anderson, mas que tem o título muito estranho de Ahimon Rezon. Não está claro o que realmente significa o título, mas acredita-se que signifique vagamente parecido com “ajuda a um irmão” em hebraico.

As relações entre as Grandes Lojas “moderna” e “antiga” eram tensas para dizer o mínimo. Fora a hostilidade que a abertura da adesão aos homens de religiões não-cristãs havia provocado, havia muitas outras questões controversas, e a maioria delas estava relacionada com a forma como o Ritual era interpretado e executado. Para garantir que um irmão da Grande Loja adversária não pudesse entrar em suas reuniões de loja para ver seus rituais, modos de reconhecimento (como apertos de mão e senhas) foram mudados. O ponto sobre o qual os Antigos eram enfáticos era que o ritual dos Modernos era exatamente isso – moderno – no sentido de Liberal. Ele se afastava significativamente das tradições antigas e ortodoxas.

Para negociar uma solução amigável para os conflitos que vinham dividindo a Maçonaria nos 50 e poucos anos anteriores, a Grande Loja dos “Modernos” autorizou a formação de uma loja com uma única finalidade especial – a solução dos conflitos entre as Grandes Lojas Moderna e Antiga. Esta loja conhecida como Loja de Promulgação foi formada em 1809, e conduziu as negociações sobre cada aspecto da disputa até 1813. Em dezembro daquele ano, um documento conhecido como os Artigos da União foi assinado pelos Grãos-Mestres tanto da Grande Loja dos Modernos quanto da Grande Loja dos Antigos. Com a assinatura deste instrumento, ambas Grandes Lojas adversárias foram amalgamadas como a Grande Loja Unida da Inglaterra.

1813 a 1823: O desenvolvimento do Ritual de Emulação

Após a assinatura dos Artigos da União, a primeira prioridade foi o desenvolvimento de um Ritual que incorporasse todos os elementos extraídos do funcionamento das Grandes Lojas Moderna e Antiga, que tinham sido acordados, nos termos da unificação das duas Grandes Lojas.

Este foi um projeto delicado que exigiu homens de visão, um entendimento superior de Maçonaria, um aguçado senso de diplomacia e habilidade de negociação de alto nível. Para supervisionar este projeto, outra loja especial desse grupo de elite de maçons foi formada. Ela era conhecida como a Loja de Reconciliação, e como o próprio nome sugere, sua principal finalidade era a racionalização ou a reconciliação dos diferentes rituais praticados naquele momento. Como não era permitido imprimir o ritual em 1813, ele era ensinado somente por meio do boca a boca. Todos conhecemos as dificuldades que a transmissão boca a boca pode produzir – os problemas relacionados ao que foi dito, como é interpretado e que é lembrado … entre outros. Em todo caso, três anos mais tarde, em 1816, o resultado desta colaboração foi a aprovação oficial do que ficou conhecido como Ritual Emulação – o ritual praticado na jurisdição do sul da Austrália e Território do Norte. A fim de assegurar que o mais elevado padrão de Ritual (usando Emulação como base) fosse praticado, a Loja Emulação de Perfeição foi formada em 1823.

No centro deste Ritual repousa a melhor expressão da filosofia platônica, bem como a melhor expressão da mitologia grega. Ele foi propositalmente concebido desta forma para articular uma mensagem específica – um significado específico. Sua mensagem e significado estão ressoando com pertinência em nossas vidas hoje.

Nossa tarefa agora é entender porque foi que muitos aspectos da cultura grega foram incorporados ao Ritual Emulação.

Uma vez que tenhamos entendido as razões que influenciaram essa decisão, então passaremos algum tempo examinando os aspectos específicos da filosofia, história e mitologia grega que aparecem em nosso ritual, com muito mais detalhes.

Continua…

Autor: Stephen Michalak
Tradução: José Filardo

Fonte: REVISTA BIBLIOT3CA

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Platão e o Ritual Maçônico – Capítulo II (2ª Parte)

Resultado de imagem para os stuarts na inglaterraTriple portrait of Charles I, King of England, Scotland and Ireland from three angles (1635-36)

A Reforma

Até a Reforma Inglesa sob Henrique VIII (1491 -1547), o panorama religioso oficial das Ilhas Britânicas era predominantemente católico romano. Desde a conversão de Agostinho de Hipona a teologia católica romana havia sido impregnada com o pensamento platônico, mas durante o período de 300 anos antes da Reforma, a teologia católica romana tinha assumido uma característica muito distinta. Ela tinha adaptado sua teologia à filosofia de um grego que fora uma época estudante de Platão. O nome deste grego era Aristóteles e a forma como seus ensinamentos foram adotados (e adaptados) como a base da teologia católica romana medieval é conhecido hoje pelo termo Movimento Escolástico.

O defensor mais importante desta tendência em direção a Aristóteles foi um prior dominicano conhecido como Tomás de Aquino (c.1225 – 1274). A sua Summa Teológica (ou Resumo de Teologia) foi o veículo que deu a expressão mais convincente de uma fusão de pensamento aristotélico com a teologia católica romana.

Para os fins desta discussão, não há sentido em ampliar mais a investigação sobre esta questão, além de ter em mente que a força com que a revolução protestante se desenvolveu não se tratou apenas de um protesto relacionado com a venda de indulgências, nem foi apenas sobre a disputa quanto à salvação da alma somente ser alcançada por boas obras ou pela ação da graça de Deus.

O primeiro movimento protestante de grande sucesso aconteceu sob a liderança de um monge agostiniano católico e acadêmico chamado Martinho Lutero (1483-1546). O “Protesto” do movimento era fundamentalmente uma forte reação contra os resultados da prática dos 300 anos anteriores na adoção e adaptação da filosofia de Aristóteles à teologia católica romana.

Aqui há algo a considerar … Se há algo que marque a tendência filosófica do protestantismo, é a rejeição total da filosofia de Aristóteles e a re-adoção da filosofia de Platão dentro do corpo do pensamento protestante.

Podemos reafirmar o princípio de outra maneira para dar-lhe mais clareza. Enquanto o catolicismo romano (durante o período medieval) adotou a filosofia de Aristóteles na formulação de sua teologia, o movimento protestante trabalhou na direção oposta. Ele conscientemente adotou novamente a filosofia de Platão como a base da teologia protestante.

Será que este processo mostra alguma evidência em um contexto maçônico? Sem sombra de dúvida.

A única diferença é que em um contexto maçônico, este processo continuou em resposta a tensões políticas, ao invés de tensões religiosas. Mais especificamente, o processo continuou em resposta às tensões entre os escoceses e ingleses quanto ao direito de um homem  – o Rei James II (1633-1701)  – de governar a Inglaterra e a Escócia.

Porque ele era o segundo rei da Inglaterra a ser chamado James, mas o sétimo rei da Escócia com esse nome, seu título é geralmente representado como James II / VII).

Protestante de nascimento, James II / VII converteu-se ao Catolicismo Romano por volta do ano de 1668.

Esta conversão conseguiu evoluir de uma expressão de  espiritualidade pessoal para uma crise internacional, envolvendo uma série de cortes europeias no cataclismo que se seguiu. Até o momento em que todas estas tensões internacionais tinham sido resolvidas, nenhum católico romano era autorizado a se tornar Rei da Inglaterra e nenhum rei da Inglaterra era autorizado a se casar com uma católica romana.

Em sua própria maneira, a conversão de James também foi o catalisador que sustentava a própria reinvenção dramática que a Maçonaria realizou no início de 1700.

As Eras Jacobina e Hanoveriana

Os meandros das manobras políticas nos 150 anos seguintes à Reforma Inglesa podem ser constatados em qualquer livro confiável de história Inglesa. O aspecto que é de particular interesse para a história Maçônica refere-se a James II/VII da Inglaterra e as consequências de sua conversão ao catolicismo romano.

Quando a conversão de James foi exposta, seu irmão, o rei Charles II, opôs-se publicamente, e certificou-se de que os filhos de James fossem educados como protestantes. A natureza humana é raramente tão previsível quanto, por vezes, acreditamos. Neste caso, quem teria previsto que Charles II – em seu leito de morte, em 1685 – teria se convertido, ele mesmo, à fé católica? Não é difícil ver que a situação geral era espinhosa de alguns pontos de vista. As tensões eram altas entre os seguidores da Igreja da Inglaterra, bem como aqueles fora dela. Dito isto, nem a Igreja da Inglaterra estava isenta de seu próprio elemento “protestante”. Havia grupos dentro da igreja que se opunham firmemente ao que a Igreja da Inglaterra estabelecia, e que esta não tinha ido suficientemente longe em se distanciar do catolicismo romano. Esses grupos, cada um com seu próprio “protesto” específico, eram conhecidos coletivamente como “dissidentes”, e deste grupo, possivelmente um dos mais famosos foi o movimento puritano.

Um dos pontos que a maioria das facções dissidentes sustentavam em comum era a sua oposição à estrutura estabelecida na Igreja da Inglaterra de usar bispos. Na sua perspectiva, a instituição dos bispos era muito próxima ao paradigma católico romano. Havia ainda muitas áreas na Escócia que se opunham à instituição dos bispos. Nesses casos, sua objeção era politicamente motivada, e como religião e política muitas vezes andam de mãos dadas, eles viam os bispos como uma extensão indesejada da mão política inglesa nos assuntos escoceses.

Durante esse período, os católicos romanos estavam sujeitos a puniççoes por se oporem à Igreja da Inglaterra, mas este não foi o fim dela … A Igreja da Inglaterra estabelecida aplicava a mesma punição contra seus próprios dissidentes. Neste ambiente, James II/VII nadou contra a corrente ao emitir o que ficou conhecido como a Declaração de Indulgência em 1687. Esta Declaração oferecia a todos os seus súditos liberdade de consciência ao expressar suas crenças religiosas. A Declaração abriu caminho para os católicos romanos cultuar como católicos, os dissidentes como dissidentes e os seguidores da Igreja da Inglaterra como anglicanos – sem medo ou preconceito.

Esta legislação controversa, (bem como outras medidas que James II/VII instituiu) – o colocou em oposição direta com alguns protestantes ricos e politicamente conectados. Para eles, a única opção passou a ser arquitetar um plano para o seu afastamento do trono da Inglaterra. Isso eles alcançaram oferecendo o trono da Inglaterra ao genro de James II/VII – um holandês e protestante conhecido como Guilherme de Orange (1650-1702). Quando James II/VII fugiu para a França em Dezembro de 1688, esta “fuga” foi tratada como sua “abdicação” oficial. Na queda de dominós que se seguiu, o trono passou para Guilherme, que reinou como William III na Inglaterra e  William II na Escócia a partir de 1689. Morrendo em 1702, ele reinou por 21 anos.

Por mais tenso que esses tempos tenham sido para o ingleses, eles só foram agravados por uma tensão crescente entre os escoceses e ingleses sobre a matéria da conspiração através da qual William III chegou ao seu trono. Muitos escoceses, (embora se opondo ao catolicismo romano e a tudo que ele representava), tinham maior oposição à forma como os ingleses haviam conspirado para remover James II/VII. James II/VII era seu legítimo Rei da Escócia.

Por mais doloroso que essa ferida tenha sido para eles, o sal que os ingleses tinham consciente e propositadamente aplicado a ela foi igualmente desagradável. Os ingleses haviam oferecido o trono para uma pessoa que não era nem nascida nas Ilhas Britânicas.

Eles haviam oferecido a um holandês – e este holandês em particular se opunha avidamente aos franceses. Sua oposição colocou uma dificuldade adicional. Como os franceses eram aliados dos escoceses, estes estavam determinados a demonstrar a sua lealdade para com seus aliados franceses. Neste ambiente político e religioso complicado, é mais provável que muitos escoceses (leais a James II/VII) usaram a amplas linhas de comunicação, disponíveis na rede de lojas operativas existentes em todo o país, para planejar o retorno dos seu legítimo rei Stuart escocês – James II/VII. O próximo projeto (em ordem de prioridade) era a deposição do estrangeiro holandês – Rei William III/II.

Num contexto mais amplo, os partidários escoceses de James II/VII, que eram conhecidos como jacobitas (do latim Jacobus significando James), estavam interessados ​​em restaurar o trono aos descendentes da dinastia Stuart (de quem James II/VII era representante). Novamente por  extensão, a causa jacobita (como ficou conhecida) era para alguns clãs das Terras Altas, (… nem um pouco surpreendente) algo que tratava não só sobre religião. Sua motivação era também política. A causa jacobita se tornou o seu chamado às armas contra um clã Presbiteriano conhecido como os Campbells de Argyll, cujo exercício de poder era a aquisição de territórios pertencentes a outros clãs nas terras altas da Escócia.

Dizer que a política da época era fluida, confusa e não restrita a determinados territórios ou fronteiras culturais ou linguísticas específicas é um eufemismo.

Foi nesta altura dos acontecimentos políticos que agora apareceu a língua de chama azul.

Em 1701, James II/VII morreu e seu filho – James Francis Edward Stuart (1688 -1766) foi imediatamente reconhecido como James III da Inglaterra e James VIII da Escócia, por uma série de cortes europeias, incluindo a própria corte papal. Estas cortes (tinham incidentalmente) todos sido politicamente alinhadas em não reconhecer William III/II como o sucessor legítimo e legal de James II/VII.

James Francis Edward Stuart – um católico, era visto como o maior orgulho e esperança da renovação intensificada da Causa Jacobita.

Aqui estava o problema central – no mesmo ano em que o seu nascimento ocorreu, foi aprovada a legislação que proibia um católico romano de subir ao Trono. Como resultado, o Trono passou para Anne (cunhada de William II/III). Ela era elegível por direito sendo seu parente mais próximo vivo e tendo sido educada como protestante.

Uma das mais notáveis realizações ​​políticas do seu reinado foi o Ato de União (1707), através do qual a Inglaterra e a Escócia se uniram formando a Grã-Bretanha. Quando ela morreu sem filhos em 1714, o Trono passou para um segundo primo de Anne, que era conhecido pelo título de Eleitor de Hanover.

Ele era um protestante e nesta época – um alemão. Seu nome era George Louis (1660-1727) e em 1714 foi coroado como rei George I da Grã-Bretanha.

O ano seguinte testemunhou o início de uma série de sucessivas batalhas em nome da Causa Jacobita que continuaram até 1746 com a derrota dos escoceses na Batalha de Culloden. Depois desta batalha, a causa jacobita perdeu seu forte impulso e subsequentemente entrou em declínio.

O objetivo deste Resumo da história escocesa/inglesa depois da revolução protestante é lançar as bases para os eventos que ocorreram pouco depois. Estes eventos mudaram a maneira como a Maçonaria seria – a partir de então – reconhecida. Uma das mudanças mais significativas ocorreu apenas dois anos após a primeira rebelião jacobita de 1715.

Foi a fundação da Primeira Grande Loja da Inglaterra, em 24 de junho de 1717.

Em alguns aspectos, os eventos que levaram à formação da Primeira Grande Loja da Inglaterra podem ser vistos como uma manobra política muito calculada e astuta. Empregando uma perspectiva moderna, poderíamos até dizer que a partir de uma perspectiva de marketing, foi uma manobra muito inteligente. Ela foi uma manobra que usou um pastor presbiteriano escocês (que também era maçom) para reescrever sua própria história natural maçônica da Escócia seguindo instruções de seus próprios superiores maçônicos ingleses. Com intenção consciente, a versão da história maçônica que ele escreveu distanciou-se da Causa Escocesa/Católica/Jacobita, e alinhou-se plenamente com a Casa de Hanover Alemã e Protestante.

O homem por trás de tudo isso era alguém que na história Maçônica parece tocar o “segundo violino” para os verdadeiros “músicos” por trás da formação da Primeira Grande Loja da Inglaterra, mas com o tempo a história pode reavaliar a sua contribuição de ponta para a Ordem.

Seu nome era Reverendo Dr. James Anderson.

Continua…

Autor: Stephen Michalak
Tradução: José Filardo

Fonte: REVISTA BIBLIOT3CA

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Platão e o Ritual Maçônico – Capítulo II (1ª Parte)

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Maçonaria: Um breve resumo de sua história até o ano de 1823

Antes que possamos mesmo abordar qualquer compreensão de como o pensamento, história e mitologia gregas se tornaram incorporados ao ritual maçônico, precisamos ter alguma compreensão da história da Maçonaria – o seu próprio pano de fundo. Esta compreensão nos fornecerá um contexto no qual a sequência de eventos que levaram à inclusão de um corpo tão profundo de tradição grega antiga em nosso Ritual poderá ser demonstrada em um processo muito natural e lógico de evolução.

É certo que um dos aspectos mais frustrantes do entendimento da Maçonaria moderna é chegar a um acordo com os seus primórdios. Parece haver tantas teorias inteligentes relativas a esta questão e ainda assim parece que todas elas entram em conflito entre si. Para uma organização que tem sido tão influente na sociedade ocidental pela maior parte de últimos 300 anos, suas origens são irritantemente obtusas.

Será que a Maçonaria se originou como um braço reformado / reinventado da Ordem Católica Romana dos Pobres Cavaleiros do Templo (Cavaleiros Templários) – uma Ordem que, em Outubro de 2007, foi absolvida pelo Vaticano de acusações de heresia lançadas contra ela no século XIV? Será que a Maçonaria se originou de um desenvolvimento das corporações medievais de pedreiros? Será que a Maçonaria se originou como um broto da Royal Society? Será que a Maçonaria se originou na Escócia, ou foi na França, ou foi na Inglaterra?

Há um ou dois anos, fiz uma apresentação sobre um aspecto da pesquisa que eu tinha feito sobre este livro em uma reunião de loja metropolitana, aqui em Adelaide. A apresentação estava relacionada a aspectos do Ritual de Emulação. Conforme afirmado anteriormente, o Ritual Emulação é (… apenas com pequenas variações), o ritual usado no sul da Austrália e Território do Norte desde 1884, e foi desenvolvido na Inglaterra e aprovado para uso no ano de 1816. Na reunião, um irmão escocês atencioso e bem-intencionado  aproximou-se e repreendeu-me por uma falha que (na sua opinião) nós compartilhávamos em comum com outros  Instrutores da Grande Loja  da jurisdição. A falha que todos nós compartilhávamos era a crença de que a Maçonaria se originou na Inglaterra. Ele enfatizou com grande paixão, voz e convicção sincera de que ela não tinha essa origem. Ela se originou na Escócia. Ele me deixou na dúvida de seu entendimento da questão (ou por isso) – a real importância que desses aspectos da história  têm para os irmãos nesta jurisdição. Quanto à verdadeira origem da Maçonaria, há uma distinção que nos ajudará se a fizermos. É entre dois modelos distintos de Maçonaria.

O primeiro modelo é uma proto-Maçonaria cujos registros provam ter existido na Escócia, já ao final dos anos 1500. Por proto-Maçonaria, quero dizer uma primeira fase de organização. Nesta primeira fase, pode haver elementos que podemos reconhecer, ainda hoje, mas geralmente em um nível muito superficial. Em todos os sentidos do termo, este tipo de Maçonaria nada mais era que um precursor primitivo do que existe hoje.

O segundo modelo é o que podemos chamar (com alguma facilidade e precisão), pelo termo moderno Maçonaria. Isso nós podemos fixar o ponto como tendo uma data de início em 24 de junho de 1717. Os elementos que formam este tipo de Maçonaria (quer se trate de um, dois ou 300 anos de idade) são facilmente reconhecíveis no ritual e regras praticados hoje.

Traçar uma linha na areia entre esses dois modelos díspares de Maçonaria é vital para qualquer discussão inteligente sobre as origens da Maçonaria. É fundamental porque a partir das evidências que temos à mão, cada modelo tinha uma finalidade diferente em vigor na época.  Muito importante – o propósito da proto-Maçonaria era baseado em um modelo filosófico e religioso, que era muito diferente de seu descendente mais moderno.

Proto-Maçonaria

Nos últimos cem anos ou mais, houve pesquisa maçônica considerável que foi aplicada a um grupo de documentos conhecidos como Old Charges (Antigas Obrigações). Como grupo, estes documentos históricos apontam para indícios circunstanciais de que a Maçonaria (como nós a conhecemos agora), teve seus antecedentes nas corporações (guildas) de pedreiros medievais. São aqueles pedreiros que realizavam rituais baseados no ofício (ou atividade) real e físico de construção no período medieval de formação e no final do período renascentista a que nos referimos com o termo maçom operativo. Eles também usaram as Antigas Obrigações como um guia para viver suas vidas.  O estudo da Maçônica Moderna aponta para (aproximadamente) seis “famílias” de documentos que compõem o cânon das Antigas Obrigações. As datas de autoria dessas famílias de manuscritos abrangem um período de 300 anos – de cerca de 1.390 até cerca de 1680. Os dois documentos mais antigos são os Manuscritos Poema Regius (c 1390) e Matthew Cooke (c 1450).

A característica distintivas destes dois manuscritos é que, por padrão do período histórico em que foram escritos, eles eram católicos romanos na perspectiva religiosa e filosófica. Esta é uma faceta que é muitas vezes ignorada ou esquecida por alguns historiadores maçônicos. Entender esse ponto muito simples é crucial se quisermos entender por que, desde os primeiros anos dos século XVIII, o modelo filosófico proposto por Platão foi conscientemente adaptado para se adequar ao modelo maçônico que reconhecemos hoje … falo mais disso posteriormente.

Voltando ao Manuscrito Regius, ele é composto de 15 artigos com 15 pontos. Com poucas exceções, os sentimentos que aparecem nos artigos originais e os pontos que aparecem no corpo das Obrigações do Primeiro e Terceiro Grau são semelhantes com as Obrigações do Primeiro e Terceiro Graus do Ritual baseado em Emulação.

Uma característica importante do Poema Regius é que, embora ele não especifique um código de conduta esperada de um pedreiro, e este código de conduta é, em muitos aspectos, semelhante ao que os maçons modernos estão acostumados, ele não menciona o rei Salomão, em absolutamente nenhum contexto.

Nossa experiência de vida normalmente confirma que as coisas ocorrem (em geral) de uma forma evolutiva. Sabemos que qualquer nível de sofisticação geralmente ocorre após um nível mais primitivo, mais básico. O desenvolvimento da proto-Maçonaria segue um caminho evolutivo idêntico.

Aproximadamente 60 anos após o Poema Regius ter sido composto, outro documento conhecido como o Manuscrito Matthew Cooke foi composto. O título “Matthew Cooke” refere-se à pessoa (um maçom), que publicou este documento pela primeira vez em 1861, e não ao seu autor. O Manuscrito começa com uma oração e passa a discutir as sete artes liberais e ciências. Aqui, o Manuscrito explica que as sete artes liberais e ciências foram preservadas por um descendente de Caim chamado Lameque.

De acordo com este Manuscrito, Lameque inscreveu todo o conhecimento da humanidade em dois pilares – um era feito de pedra, enquanto o outro era feito de outra substância. A suposição era de que caso o mundo fosse destruído pelo fogo ou pela água, poder-se-ia esperar que um ou outro  sobrevivesse. Como resultado de sua sobrevivência, a vida e o desenvolvimento humano continuaria através de avanços evolutivos do conhecimento. Sem a sua sobrevivência, o conhecimento e avanço humano, seria de esperar que houvesse regressão.

A história dos dois pilares contada no Manuscrito Matthew Cooke não se confunde com a história dos dois pilares que temos em nosso atual Ritual.

No Manuscrito Cooke, a história diz respeito a uma tradição judaica que é recontada por um sacerdote judeu / historiador romano chamado Flávio Josefo, em uma obra conhecida como “Antiguidades dos Judeus”. Este trabalho foi originalmente escrito para judeus de língua grega, no primeiro século da era cristã.

Já com o que discutimos até agora, podemos traçar uma linhagem evolutiva para o nosso atual Ritual, observando as seguintes semelhanças:

  • A história contida no proto-ritual (assim como a Maçonaria moderna), refere-se a dois pilares.
  • Ambos os conjuntos de pilares têm tradição judaica como sua base.
  • A função de ambos os conjuntos de pilares é a preservação do conhecimento. No moderno Ritual Maçônico, o conhecimento que está contido nos pilares são os “rolos constitucionais da Maçonaria” … ou herança ancestral da Maçonaria.

O Manuscrito também menciona o seguinte:

  • Um artesão de metais, cujo nome era Tubalcain
  • A importância da ciência da geometria
  • Que os artesãos devem chamar uns aos outros Companheiros
  • Que o artesão mais especializado deve ser chamado de Mestre
  • Que o Mestre deve ser apoiado por Vigilantes
  • Uma breve menção ao rei Salomão e à construção de seu Templo
  • Uma breve menção do Rei Hiram de Tiro (que não é mencionado pelo nome)
  • Uma menção muito breve de alguém que associaríamos a Hiram Abif (.. ele não é mencionado por nome, mas apenas como “filho do rei de Tiro”).
  • Um “Livro de Obrigações” para a conduta de pedreiros.
  • Menção de um geômetra grego chamado Euclides.
  • Os 15 artigos originais e 15 pontos que aparecem no manuscrito Regius são reduzidos para nove artigos e 9 pontos.

Assim, nesta fase inicial do que podemos chamar de proto-Maçonaria, houve dois importantes documentos que oferecem indícios para o desenvolvimento de características que são reconhecidas em lojas maçônicas em todo o mundo. Ambos documentos estão originalmente em inglês. Ambos documentos apontam para o surgimento de um código filosófico de conduta referido como Obrigações, um sistema de ensino baseado nas artes liberais e ciências, a ênfase dada à ciência da geometria e uma estrutura de loja incorporando Companheiros, Vigilantes e Mestres de Loja. Há também referência a personagens comuns ao nosso presente Ritual, tais como Tubalcain, Rei Salomão, Hiram, rei de Tiro e (possivelmente) Hiram Abif.  Por último, temos uma alusão a duas colunas, cujo propósito é simbolicamente preservar o conhecimento contra os elementos naturais de destruição cósmica.

E sobre a Conexão Escocesa?

Ainda há um debate significativo com relação à discussão se a Maçonaria surgiu da Escócia e infiltrou-se na Inglaterra (ou vice-versa).

Aqueles a favor da teoria da Maçonaria emergindo da Escócia muitas vezes citam uma conexão dos Cavaleiros Templários. Provavelmente o melhor defensor expresso desse argumento é  “O Templo e a Loja” de Baigent e Leigh. Neste trabalho, os autores explicam como (enquanto preparavam um documentário da BBC sobre os Cavaleiros Templários) eles começaram a investigar cemitérios no norte da Escócia para descobrir evidências de motivos templários em lápides de túmulos. As lápides que eles encontraram eram datadas depois de 1307 quando a Ordem foi suprimida por decreto do Vaticano. Isso tendia a indicar que os sobreviventes da Ordem haviam migrado para a Escócia, vindos da França, para escapar da perseguição das mãos de Filipe IV (1268 – 1314), Rei de França. A razão para a escolha da Escócia era muito lógica. Robert Bruce como o líder dos escoceses tinha sido recentemente excomungado pela Sé de Roma. Como líder dos Escoceses, sua excomunhão efetivamente significava a excomunhão da Escócia. Ao migrar para a Escócia, os Templários estavam fora do alcance de Roma. Mas, a lógica (por mais forte que seja) não é o argumento mais convincente. Este encontra-se nas mudanças que aparecem nas tumbas dos Templários no norte da Escócia, ao longo do tempo. Conforme os anos passavam, as lápides (ainda mostradas hoje), testemunharam uma mudança estranha e gradual. As lápides (sem discussão – Templárias), começaram a incorporar mais e mais motivos maçônicos … motivos que são claramente compreensíveis por todos os maçons que vivem hoje.

A mudança nos motivos de lápides fortemente sugeria uma reinvenção da Ordem dos Pobres Cavaleiros do Templo (Cavaleiros Templários) como Ordem dos Maçons Livres. As lápides eram apenas uma indicação da reinvenção da Ordem com uma identidade Maçônica. A verdadeira evidência foi a gama de temas que aparecem na Capela de Rosslyn. Estes eram temas ricos em simbolismo maçônico.

Sua conclusão é simples – os Cavaleiros Templários evoluíram para se transformarem em maçons livres.

Mesmo aqueles com um conhecimento mínimo dos Cavaleiros Templários apreciarão a largura e extensão do simbolismo que caracterizava sua Ordem. Qualquer um que abra os milhares de sites relacionados com os Cavaleiros Templários descobrirá a importância que o simbolismo desempenhava nos seus rituais, suas roupas e sua espiritualidade.

E se a conexão Cavaleiros Templários-Maçonaria com a Capela Rosslyn estiver errada, e se estiver equivocada?

Presumindo-se que os Cavaleiros Templários realmente migraram para a Escócia; presumindo-se que eles realmente se reinventaram como proto-maçons; presumindo-se que eles realizavam sessões em loja… com todos estes pressupostos, a única coisa que poderíamos esperar encontrar eram evidências de seu simbolismo nos documentos “maçônicos” que temos daquele período … e nós temos muitos documentos “maçônicos” escoceses daquele período. Os documentos em questão referem-se à maçonaria operativa. O problema é que falta a esses documentos qualquer conteúdo simbólico ou filosófico. A este respeito, a evidência é notável por sua ausência.

Rastrear a origem exata da Maçonaria até a Escócia não é uma tarefa fácil, apesar dos protestos em contrário.

Estes documentos escoceses “maçônicos” remontam a 1475. Naquele ano, o Selo de Causa incorporava os “Masons and Wright”. Mais de cem anos depois – em 1598 e 1599, respectivamente – duas peças de legislação conhecidas como o Estatutos Schaw regulamentaram a forma como os pedreiros deveriam  realizar seu ofício operativo. Elas também autorizavam a Loja de Kilwinning a supervisionar as lojas operativas no Oeste da Escócia. Conforme Bernard E. Jones (um dos mais respeitados estudiosos maçônicos) enfatizou – embora esses documentos efetivamente existam, nada há neles que sugira alguma coisa esotérica ou de natureza filosófica de que a Maçonaria moderna é imbuída. A rede de lojas na Escócia nesta época parece ter sido marcada com um caráter que era totalmente diferente das lojas operando ao sul da Muralha de Adriano – as lojas que tinham suas próprias obrigações e os começos de suas próprias lendas e mitos.

Assim, a evidência em questão sugere fortemente que enquanto as redes de lojas estavam se desenvolvendo na Escócia e na Inglaterra durante o período medieval, as lojas escocesas estavam se desenvolvendo em termos de processos regulatórios, regendo o funcionamento do trabalho físico (dimensão operativa) da atividade de cantaria. Isto está em nítido contraste com a experiência inglesa que se caracterizava pelo desenvolvimento de um código de conduta pessoal pelo qual os pedreiros viveriam. O código de conduta também se estendia às suas relações profissionais, e eram expressos na linguagem da época como “obrigações”. As obrigações são as instruções para a vida e eram, muitas vezes, ilustradas através da adoção de lendas e mitos antigos e dando-lhes uma vitalidade dramática, fresca do tipo assuntos atuais.

Já dentro deste desenvolvimento proto-maçônico de um código de conduta conhecido como Obrigações, estavam germinando o núcleo de uma filosofia de liderança. Mas, nesta época, a filosofia de liderança, ainda era algo sombrio, ainda indistinto, ainda esperando para ser expresso em uma linguagem e símbolos mais claros. Era quase como algo esperando acontecer. Os ecos daquele algo já estavam sendo ouvidos no clamor distante do trovão que prenunciava a chegada da Reforma.

Continua…

Autor: Stephen Michalak
Tradução: José Filardo

Fonte: REVISTA BIBLIOT3CA

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Platão e o Ritual Maçônico – Capítulo I

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A pergunta de Tertuliano e sua relevância para Maçonaria moderna

“A Questão de Tertuliano” é, reconhecidamente, um estranho subtítulo para um livro que pretende lidar com a filosofia Maçônica, então agora é um momento tão bom quanto qualquer outro para explicar seu título e relevância. Tertuliano é a forma portuguesa do nome latino Quintus Septimius Florens Tertullianus – (… um nome que certamente tem o seu próprio floreio). Tertuliano nasceu na cidade de Cartago, no que é hoje a Tunísia, por volta do ano 158 d.C.

A história diz que Cartago era uma cidade fundada por colonos da cidade de Tiro, na Fenícia quase 1000 anos antes do nascimento de Tertuliano. Esta mesma cidade de Tiro, que dois dos nossos lendários primeiros Grãos-Mestres chamavam de lar e foi também o lar de trágica rainha Dido. A Rainha Dido foi a amante do príncipe troiano Eneias, por quem tanto Júlio César quanto o imperador Augusto alegavam descendência linear e Virgílio explorou as aventuras lendárias de Eneias no poema épico, a Eneida.

Aníbal, o Grande, que empreendeu uma campanha militar de 16 anos contra Roma durante a Segunda Guerra Púnica (218-202 a.C.) também vinha da cidade de Cartago. Embora esta campanha militar não seja algo que venha facilmente à nossa mente, provavelmente cada um tem uma vaga lembrança de infância dos inimigos de Roma encenando uma ousada travessia dos Alpes usando elefantes. A vaga lembrança desta campanha é aquela que Aníbal havia arquitetado e executado.

Nascido cerca de 200 anos depois de Tertuliano, Agostinho de Hipona foi um grande Doutor da igreja cristã, que também viveu em Cartago por um curto, mas significativo período de sua vida. Como vamos descobrir, Agostinho de Hipona reconheceu que  a produção escrita de Platão era a base da sua conversão ao cristianismo. Foi Agostinho quem injetou a filosofia de Platão no núcleo em desenvolvimento da teologia cristã, e foi o movimento protestante (cerca de mil anos depois) que redefiniu a teologia cristã, retornando novamente a filosofia platônica.

Então, o que sabemos da vida de Tertuliano? Na realidade, sabemos muito pouco. Ele nasceu de pais pagãos, que lhe forneceram um alto nível de educação, principalmente em direito, mas também em literatura e filosofia grega e romana. Em algum ponto de sua vida (e por razões que não são de todo claras), Tertuliano fez uma dramática conversão ao cristianismo. Apenas alguns anos depois, Tertuliano foi ordenado sacerdote. Durante sua vida, ele se tornou um escritor de enorme influência, desenvolvendo aspectos da teologia cristã.

Possivelmente, sua contribuição mais significativa foi o conceito de “trindade” – um conceito que, posteriormente, se desenvolveu como um dos grandes pilares do dogma cristão.

Por mais fervorosa e apaixonada que fosse sua conversão – sua associação com o Cristianismo era raramente harmoniosa. Ele decidiu romper com a igreja cristã estabelecida de Cartago e converter-se para uma seita herética conhecida como os Montanistas. Desiludindo-se com a sua marca do cristianismo, ele a deixou para fundar sua própria seita cristã, morrendo em algum momento em 255 d.C.

Se você tem alguma familiaridade com o idioma português você identificará a palavra tertúlia com “reunião”, “simpósio”, ou “discussão” ou até mesmo um “encontro de mentes”. Em um emprego anterior, tive a sorte de trabalhar com um colega chileno que me apontou esta associação de palavras que demonstra a maior influência de Tertuliano, não só no estudos “sérios” de teologia e filosofia, mas também nos estudos mais “leves” como a linguística.

Embora o nosso conhecimento da vida de Tertuliano seja apenas breve e episódico, a principal característica recorrente de sua vida é uma predisposição para a conversão. Do paganismo, ele se converteu ao cristianismo. Do cristianismo, ele se converteu, em duas ocasiões separadas, para marcas heréticas de sua própria teologia principal.

Tendo isso em mente, a História está cheia de estórias a respeito de conversão, e uma das coisas que muitas vezes parecem acompanhar a conversão é uma forte aversão – um forte afastamento de todos os aspectos da vida anterior e de crenças de uma pessoa. A este respeito, Tertuliano não foi estranho a esse fenômeno psicológico.

Um de seus escritos mais famosos é uma obra curta, que é chamada em latim, De Praescriptione haeretici. A tradução é muito simples: Sobre a Prescrição dos Hereges. Dado o que sabemos sobre Tertuliano e o caminho que sua vida tomou, ele escolheu um título intrigante. Neste curto trabalho e no espaço de apenas alguns parágrafos, ele rejeitou todo o corpo da filosofia grega em que seus pais o haviam educado desde sua tenra infância. É neste trabalho que ele fez a famosa pergunta a partir da qual o título deste livro leva o seu nome. A pergunta de Tertuliano foi: O que tem, realmente, Atenas a ver com Jerusalém? Que concordância há entre a Academia e a Igreja?

Ao colocar esta questão, Tertuliano estava argumentando que a filosofia pagã (o que ele caracterizou como Atenas) tinha, em sua opinião, nenhuma influência ou mesmo relevância sobre o corpo em desenvolvimento da filosofia cristã ou da teologia revelada. Em contrapartida, ele caracterizava a filosofia cristã e sua teologia como Jerusalém. Então, com uma utilização escassa de palavras e um uso rico e elaborado de habilidade retórica, Tertuliano rejeitou totalmente todos os séculos de pensamento avançado que chegou até nós através de filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles (entre outros). Mas, ele atingiu mais que isso. Ele foi ainda mais fundo. Com o zelo fanático que acompanhou sua conversão, suas palavras também transmitiram a sua posição bombástica de que as posições mundanas ocupadas pelos antigos filósofos gregos eram totalmente incompatíveis com a perspectiva do mundo cristão. Para Tertuliano, esses dois universos eram totalmente antagônicos. Estes eram em todos os sentidos do termo, mundos em rota de colisão.

Então, como está Tertuliano relacionado com nossa experiência Maçônica?

Entendendo o que ele estava tentando expressar, vamos reinterpretar sua pergunta em nosso meio maçônico e fazer a pergunta simples:

“Existem influências históricas filosóficas ou míticas gregas sobre nosso ritual”?

Bem… a resposta a essa pergunta surpreenderá muitos irmãos.

Sem até mesmo a menor qualificação, podemos dizer com confiança que em qualquer Ritual que se baseia no ritual e rubricas do Emulação Inglês – a resposta é – sim! Além disso, essas influências gregas não são nem pouco importantes, nem acidentais. Estas influências gregas foram cuidadosamente consideradas, cuidadosamente selecionadas e, em seguida, artisticamente bordadas dentro da história hebraica da construção do Templo do Rei Salomão, que é relatado nos Livros de Reis e Crônicas.

Então, quando Ritual de Emulação foi aprovado em 1816, foi lançado como um moderno re-trabalho (ou uma reinterpretação moderna) dos princípios de Platão sobre a liderança, como ele os desenvolveu em vários de seus diálogos, mas principalmente em um diálogo conhecido como República. Com um entendimento de alto nível da história grega, mitologia e escrita platônica, os autores do Emulação criaram um ritual que (uma vez explicado) nos fala hoje com uma mensagem que é especialmente relevante para nossas vidas neste século XXI.

O que estou propondo pode parecer novo, mas isso está longe de ser o caso. Há evidências sugerindo que já há 150 anos, estava bem claro e entendido que a filosofia de Platão era a orgulhosa espinha dorsal da Maçonaria moderna.

Henry Mildred, o Primeiro Grão-Mestre Provincial do Sul da Austrália fez um discurso no lançamento da pedra fundamental do Hospital Britânico e Alemão em Carrington, Santa Adelaide, em 24 de maio de 1851. Em suas próprias palavras, ele afirmou que “os princípios da maçonaria … brilhavam radiantes na filosofia de Platão”.

Com um sorriso irônico, podemos criticar a escolha de palavras de Mildred (o entendimento que Platão antecedeu a Maçonaria por apenas … alguns séculos). O que ele estava tropeçando na forma de se expressar, é que a filosofia de Platão brilhava radiantemente nos princípios da Maçonaria.

Quando este trabalho se afasta da pesquisa Maçônica estabelecida é o fornecimento de uma cartilha (ou em outras palavras) – uma primeira tentativa – de conciliar os nossos rituais com a filosofia platônica e a história e mitologia gregas. Espero que em algum momento no futuro, um irmão com uma habilidade considerável em grego possa ser capaz de adicionar cor à escala de cinza dessa primeira tentativa de uma reconciliação Maçônica platônica.

Se o meu argumento tem até mesmo o menor germe de verdade, então estamos diante do reconhecimento de que a partir do momento em que ficamos no Canto Nordeste – algo de extraordinária significância estava ocorrendo que nos conectava com a filosofia do rei- filósofo de Platão. Naquele momento, nós nos tornamos participantes ativos em um modelo de envolvimento com o objetivo de sermos preparados para nos tornarmos reis-filósofos em todas as áreas de nossas vidas.

O amálgama simples e sem esforço dos escritos platônicos com as escrituras hebraicas (conforme evidenciado no Ritual Emulação inglês), sempre esteve focado em alcançar nas vidas de cada um de nós, o mais alto potencial (ou em termos platônicos) o mais alto ideal de um ser humano que cada um de nós tem o potencial de alcançar nos breves anos de vida que nos foram dados.

Vamos voltar muito rapidamente ao nosso amigo Tertuliano … Tendo colocado a sua famosa pergunta, ele então passou a justificar sua posição. Sem discutir a sua posição de uma forma ou de outra, podemos notar que seu argumento não só é elegante, mas também vibra com ressonância maçônica:

“… porque nossa instrução vem do pórtico de Salomão que tinha, ele mesmo, ensinado que o Senhor deve ser procurado na simplicidade do coração.”

Continua…

Autor: Stephen Michalak
Tradução: José Filardo

Fonte: REVISTA BIBLIOT3CA

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Platão e o Ritual Maçônico – Introdução

platão

A INFLUÊNCIA DE “A REPÚBLICA” DE PLATÃO SOBRE A MAÇONARIA E O RITUAL MAÇÔNICO

Introdução

Foi em um sábado à tarde, frio e chuvoso, em meados de 2004, que fiz a descoberta de pouca importância, acidental, que me levou a escrever este livro.

Cerca de oito ou nove anos antes, eu havia colocado uma série de livros em caixas acima do teto em nossa casa. Meu plano original tinha sido que isso serviria como uma instalação de armazenagem temporária. Sobre isso, penso que eu deva ter dado à minha esposa Jenny, alguma garantia de que este acordo ia ser exatamente o que a palavra “temporário” realmente sugere. A razão de eu fazer esta observação é que naquela mesma manhã, Jenny  lembrou-me  aquela garantia certa de que ela se lembrava de que eu havia dado a ela tantos anos atrás. Cocei a cabeça e olhei fixamente para ela. Ela enfrentou meu olhar vazio com um olhar determinado. O subtexto mudo de sua expressão confirmou-me além de qualquer sombra de dúvida, que já era hora de começar a trabalhar acima do nosso teto. Em qualquer caso, aquela área precisava ser preparada para alguns dutos de ar condicionado que deveriam ser instalados dentro de algumas semanas.

Como as coisas acabaram acontecendo, limpar o espaço acima do teto foi uma tarefa bem adequada para aquele sábado em especial. Lá fora, uma chuva constante caía e continuou a cair até o início da noite.

Uma vez que o espaço acima do teto havia sido desocupado, eu classifiquei os livros dentro das caixas em três grupos.

De um lado, coloquei os livros que queria manter. De outro – livros que eu queria vender.

O último grupo foi dedicado às doações e marcados para serem doados ao Lions Club local – um clube de serviço ao qual eu tinha pertencido antes de entrar para a Maçonaria.

Quando olho para trás, para aquele sábado em especial, ele não era  realmente muito diferente de tantos outros sábados que eu tinha aproveitado em minha vida. Houve, no entanto, uma coisa que o diferenciou de todos os outros, e isso ocorreu no exato momento em que eu peguei um único livro em particular, que tinha estado anonimamente entre todos os outros. Era um livro que eu havia estudado ao realizar um trabalho escrito sobre a história da educação. Isso foi em 1977, quando eu estava estudando no Murray Park Teachers College em Magill, Sul da Austrália.

A capa do livro mostrava a imagem de um painel de mosaico de vidro de um filósofo grego chamado Platão. O título  do livro era muito simples – A República, e ele tinha sido escrito mais de 2300 anos antes pelo mesmo filósofo grego cuja imagem aparecia na capa. Lembrei-me de que o trabalho escrito que eu tinha feito há tantos anos detalhava como Platão tinha sido a primeira pessoa na sociedade ocidental a elaborar um projeto para um currículo de educação para um homem ou mulher, cujo produto final seria tornar-se um líder ideológico dentro da sociedade grega de seu tempo. Ele se referia à graduação de seu sistema de ensino – um sistema que tinha o título muito distinto de rei-filósofo. Seu aluno atingia esta distinção em estágios progressivos, através da abordagem revolucionária de Platão para a educação.

Platão propôs que a educação formal deveria visar dois aspectos importantes da natureza humana, a fim de que um indivíduo pudesse atingir a excelência. O primeiro aspecto era que a maioria dos sistemas de ensino é concebida (ainda hoje) para alcançar – o desenvolvimento do intelecto de uma pessoa. O segundo aspecto do seu sistema de ensino era muito mais revolucionário. Ele tratava do desenvolvimento do caráter de uma pessoa. Seu governante ideal demonstraria excelência em seu pensamento, ações e tomada de decisão através de um equilíbrio entre seu intelecto (que podemos chamar de pensamento certo) e seu caráter (que era demonstrado através do comportamento certo).

O livro que eu tinha em minha mão tinha sido traduzido para Inglês por Sir Desmond Lee e era uma reedição de 1976 de uma edição original Penguin Classics. Olhando para o livro, eu também notei que suas extremidades superiores estavam manchadas com tinta amarela desbotada, aguada – sem dúvida o resultado de um derrame acidental de realce que tinha ocorrido há muitos anos.

Fiz uma pausa e olhei para fora do vidro da porta deslizante traseira, imerso em reminiscências associadas aos meus tempos de estudante. Lá fora, raios fracos ocasionais de uma luz acobreada carregada de umidade se refletia no gramado, arbustos e árvores de uma forma que era tão típica de uma tarde de meados do inverno em Adelaide.

Voltando ao A República, comecei a folhear com curiosidade nostálgica. Momentos depois, fiquei surpreso ao ler as palavras de uma passagem que eu tinha destacado quase três décadas antes. Foi neste momento específico, que transformei uma tarde de sábado normal entre tantos sábados comuns em algo de maior significado pessoal para mim.

A linha de texto assinalada que prendeu meus olhos estava, sem dúvida, prenhe de significado maçônico. Foi uma coincidência muito curiosa. Eu olhei aleatoriamente para outra página. Também neste caso, havia um trecho de texto assinalado. Da mesma forma, este foi também era muito semelhante a uma outra parte do Ritual maçônico. Eu agora tinha duas coincidências muito curiosas. Respirando fundo, acomodei-me em uma cadeira e comecei a percorrer o texto. A esta altura, qualquer curiosidade sentimental que eu tinha, havia se transformado em concentração.

Muito rapidamente, tornou-se óbvio para mim que muitas dessas passagens tinham relação direta com o ritual com o qual eu tinha me familiarizado desde minha iniciação na noite de segunda-feira 8 de Novembro de 1999.

Devido ao grande número de paralelos, comecei a me perguntar se estas eram apenas coincidências, ou se havia alguma arquitetura proposital, prevista na estrutura do nosso ritual que poderia ter como base a mais importante obra filosófica de Platão? Meu primeiro pensamento foi que havia semelhanças demais para simplesmente descartar o que eu tinha encontrado.

No decorrer da semana seguinte, li o livro – da capa à contracapa – estimulado por uma ânsia de entender por que era que parecia haver tantas correspondências com o ritual Maçônico praticado no sul da Austrália.

Compreendi que havia um problema central que eu tinha que superar. Platão tinha escrito A República em grego, e eu nunca tinha estudado a língua. Eu tinha frequentado a Escola St Paul aqui em Adelaide, que se orgulhava de ter uma estrita tradição de Irmãos Cristãos. Como consequência, cada um dos cinco anos do meu currículo do ensino secundário, tinha uma matéria de latim clássico – e não grego.

Como quase 30 anos haviam se passaram desde a minha última aula de Latim (e sem uso diário) o meu comando da língua tinha, compreensivelmente, se tornado pouco cansado. Apesar disso, uma lembrança permaneceu tão nítida como sempre.  E eu sorrio ao pensar nela, entendendo-se que somente a distância no tempo que me separava dos tempos de estudante que me permitiu o luxo de um sorriso. Foi a lembrança do castigo que esperava qualquer estudante que falhasse em declinar um substantivo ou conjugar um verbo com o floreio de precisão que os Irmãos Cristãos exigiam.

Aqui estava minha principal preocupação – a tradução Penguin era fiel? Sem qualquer conhecimento do grego como eu poderia estar certo?  Porque tanto o idioma quanto os sentimentos em destaque no livro que eu estava segurando eram tão impressionantemente parecido com o ritual maçônico, que eu queria me convencer uma coisa em particular. Eu precisava de garantias de que esses paralelos não eram apenas uma peculiaridade desta tradução particular de Sir Desmond Lee. Mesmo assim – como eu poderia fazer um julgamento considerado neste contexto, dado que o grego era (em todos os sentidos da palavra) estranho para mim?

Foi então que eu decidi que a abordagem mais lógica seria para mim  comparar diferentes traduções modernas de A República.

Eu li a tradução de Robin Waterfield (Republic, Oxford World’s Classics 1993), seguido da tradução de C.D.C. Reeve (República, Hackett, 2004. Se alguma coisa aconteceu foi que essas traduções ampliaram (ao invés de diminuir) qualquer correspondência maçônica existente entre os escritos de Platão e o Ritual maçônico.

Neste ponto, no início de minhas investigações, comparar estas três traduções modernas confirmaram para mim, sem a menor dúvida, que A República de Platão tinha sido uma influência principal no desenvolvimento do moderno Ritual Maçônico.

O que eu não entendia era o motivo.  Supondo que eu estivesse correto – que A República de Platão foi o fundamento do Ritual Emulação, por que ele foi escolhido? Quais foram as influências operando na época em que escolha foi feita, uma escolha natural? Com o tempo, as respostas a todas essas perguntas vieram com facilidade e (felizmente) … grande clareza.

Significativamente, por meio desse processo, eu também tinha me satisfeito que a tradução de Lee não tinham sido singular em sua expressão de linguagem maçônica, princípios e sentimentos. Eu, então, comecei a ler outros diálogos de Platão. Quanto mais eu lia, mais convencido ficava de que o nosso Ritual Maçônico foi criado (sem qualquer dúvida ou qualificação) com base em princípios muito específicos da filosofia platônica.

Então, pensei sobre a rota que eu precisaria tomar para chegar a uma conclusão lógica, bem considerada quanto ao motivo por que os escritos de Platão tornaram-se bordados no tecido do moderno Ritual maçônico.

A abordagem que eu devia tomar foi longe de ser auto evidente para mim no começo. Ela se desenvolveu naturalmente e no seu próprio ritmo com o tempo. Minhas investigações conduziram-me por distintos vetores da investigação histórica.

O primeiro foi compreender a vida e os tempos em que Platão viveu.

A segunda via foi entender o que estava ocorrendo na Escócia e na Inglaterra nos anos que antecederam 1717, quando a Maçonaria foi revitalizada sob a égide da Grande Loja da Inglaterra até o ano de 1823 e depois. O que eu descobri foi que a Europa, a partir de meados dos anos 1700 (e mais particularmente a Inglaterra e a Alemanha), foi varrida por uma alavanca cultural que hoje é reconhecido pelo termo “filohelenismo”. O termo significa “amor por todas as coisas gregas”.

Em 1816, um ritual maçônico conhecido pelo nome de Emulação foi aprovado para uso, após décadas de controvérsias quanto ao correto e adequada ritual maçônico que deveria ser usado.

O ritual que usamos no sul da Austrália e Território do Norte é (apenas com variações pouco importantes), Emulação. O ponto crucial disso – os autores do Emulação – (escrito no início do século XIX), tinham decidido, por razões próprias tecer a tela do conceito de Platão de um rei-filósofo no corpo deste Ritual.

Quando eu completei minhas investigações, eu era capaz de articular um modelo significativo, estruturado e coeso de Maçonaria. Era um que era vibrante; ele era enérgico. Mais do que tudo, era algo que fosse fácil de entender e aplicar.  Sua aplicação podia ser demonstrada em uma loja, mas de significado ainda maior – ele poderia ser demonstrado nos aspectos do dia-a-dia de nossas próprias vidas.

Mais importante ainda, o caminho através da Maçonaria, não era mais uma macega de sistemas discordantes díspares de símbolos, imagens e referências.

Aqui está o cerne do argumento que proponho neste livro:

Como maçom, quando você ou eu estamos presentes na Abertura ou Fechamento da Loja, sempre que você ou eu participamos de Iniciação, Elevação ou Exaltação de um irmão, então as palavras e os sentimentos que ouvimos (ou entregamos) ressoam com as palavras e sentimentos escritos por um filósofo grego chamado Platão – quase 400 anos antes da era cristã.

Existe um passo a mais – os símbolos e alegorias de nossos rituais estão impregnados de história e mitologia grega. Uma vez que entendamos os mitos específicos a que nossos símbolos e alegorias se referem, mais rico em significado nosso ritual se torna para nós.

Semanalmente, em conjunto com os Grandes Oradores de nossa jurisdição, realizo, em toda a rede de lojas maçônicas metropolitanas do sul da Austrália e lojas do interior, estas apresentações – abordando todos os aspectos da história e filosofia maçônicas que procuro expressar (tanto quanto possível) em linguagem cotidiana.

Com a base de filiação na Maçonaria em toda a Austrália mostrando uma tendência ascendente satisfatória, é importante ser capaz de continuar a expressar o que a Maçonaria é, assim como o que ela representa, a cada irmão em uma linguagem que seja inclusiva e não exclusiva.

Estou também consciente de que esta é uma oportunidade para compartilhar nosso patrimônio e os valores maçônicos com os leitores na comunidade em geral – uma direção que está sendo impulsionada energicamente no Sul da Austrália, e destacada no corpo do Discurso Inaugural de Graham Bollenhagen em sua Instalação em abril de 2006 como Venerabilíssimo Grão-Mestre do sul da Austrália e Território do Norte:

Embora seja óbvio, certamente, nesta sociedade moderna, que tem havido uma tendência de foco em vender, parece haver um renascimento da compreensão de um propósito maior de vida, e alguns começam a buscar outros aspectos em suas vidas. Para a Maçonaria, precisamos de garantir que possamos ajudar nesta busca, proporcionando o conhecimento dos nossos ideais, mas é claro, como podemos apresentá-lo à outras pessoas, se nosso entendimento pessoal de tal conhecimento é formulada em termos e numa língua que não é facilmente compreendida pelos outros.

Permitam-me agora dar-lhe um retrato breve de algumas das questões discutidas neste livro:

Algumas coisas que você vai encontrar discutidas neste livro …

Platão foi o primeiro na tradição filosófica ocidental a propor as Virtudes Cardeais e as Artes Liberais e Ciências, como meio para se tornar um rei-filósofo. No Ritual da Maçonaria somos instruídos nas Virtudes Cardeais e nas Artes Liberais e Ciências como os caminhos pelos quais podemos atingir à Cadeira do Rei Salomão. Existe uma conexão entre a nossa instrução maçônica e o rei Salomão (como o rei-filósofo ideal ou arquetípico)?

No Discurso do Canto Nordeste somos instruídos sobre a importância de não ter metais ou objetos de valor em nossa pessoa. Existe alguma relação entre essa instrução e a instrução dada a um dos reis-filósofos de Platão – não ter metais ou objetos de valor sobre a sua pessoa?

Se a mitologia, história e filosofia gregas são a base da Maçonaria moderna, é possível que a Sabedoria, a Força e a Beleza têm alusão simbólica a três principais cidades gregas que tipificavam cada característica no mundo antigo, a saber – Atenas (Sabedoria), Esparta (Força ) e Corinto (Beleza)?

Em Timeu, Platão descreve a criação do mundo por um Ser Supremo que ele chamou de “techton” do cosmos (Artesão do Universo). Este Artesão criou o universo a partir de cinco sólidos geométricos. Platão, (assim como aqueles sólidos geométricos vivos) é mencionado no Discurso da Segunda Cadeira (Palestra simbólica) no Ritual do Santo Real Arco de Jerusalém. O que isso nos diz sobre a evidente influência cruzada com relação a Platão na Maçonaria Simbólica e outros graus?

Em Timeu e Gritias, Platão desenvolve o mito de Atlântida – uma imensa superpotência vencida por uma aliança ateniense de cidades-estados vizinhos governados por (entre todas as coisas) – reis-filósofos. Qual a ligação filosófica da Maçonaria com o antigo mito da Atlântida?

Continua…

Autor: Stephen Michalak
Tradução: José Filardo

Fonte: REVISTA BIBLIOT3CA

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O visitante & o ritual

Apesar de ser um tema um pouco polêmico, e por isso é certo que alguns Irmãos discordarão do aqui exposto, sua abordagem é importante para a promoção da reflexão e do debate entre os Irmãos.

Existem três forças que, apesar de distintas, estão relacionadas: a regra legal, que é imposta; a regra social, que é respeitada; e a educação, maçonicamente chamada de “bons costumes”, que leva o cidadão a respeitar a regra social e a obedecer a regra legal.

No Japão há uma antiga tradição de tirar os sapatos para entrar em casa. Se você está no Japão e visita a casa de um japonês, é claro que você tira os sapatos. Não é por você não ser japonês que desrespeitaria tal regra social. Da mesma maneira, um japonês, ao visitar o Ocidente, não sai tirando os sapatos em todo lugar que entra, pois respeita as convenções sociais daqui.

Já na Inglaterra, as mãos do trânsito são invertidas: os carros trafegam pelo lado esquerdo da via, com o lado direito do carro voltado para o centro. Quando você vai para a Inglaterra, é evidente que você não teima e dirige como se estivesse no Brasil. Assim como um inglês no Brasil não dirige na contramão. Ele segue nossas regras legais.

Existem também instituições cujos regimentos exigem do homem o uso de terno e gravata. Poderia um pescador que nunca usou uma gravata exigir sua entrada de bermuda e chinelo? E um índio que ingressa nas Forças Armadas, está dispensado do uso de uniforme por conta de sua cultura?

Seja numa casa no Japão, numa rua de Londres, num Fórum de uma cidade, num quartel no meio da selva ou em qualquer outro lugar do mundo, as pessoas de bem respeitam as regras sociais e se sujeitam às regras legais do local onde estão. Na Maçonaria, fraternidade de cidadãos exemplares, todos homens livres e de bons costumes, isso não deve ser diferente.

Porém, muitas vezes assistimos simbologias e ritualísticas serem quebradas por visitantes crentes que devem seguir as regras de suas Lojas, e não da Loja que estão visitando. Uns não respeitam o modo de circulação do rito adotado pela Loja visitada, talvez com receio de estarem ferindo o que aprenderam em suas próprias Lojas. Outros, Mestres Maçons, insistem em utilizar todos os paramentos e acessórios maçônicos de um Mestre ao visitarem uma Loja no grau de Aprendiz de outros ritos, porque assim é feito no seu rito. Esses últimos ignoram o fato de que na maioria dos ritos o uso do Chapéu numa Loja de Aprendiz é restrito ao Venerável Mestre, sendo representativo de sua autoridade e governo da Loja, simbolismo esse muito bem reforçado nas Instalações. Quando, nesses casos, visitantes utilizam chapéu, estão anulando a representatividade da autoridade do Venerável Mestre anfitrião e, de certa forma, ferindo o simbolismo do rito visitado.

As regras, simbolismo e ritualística de seu rito alcançam somente as reuniões dele. Ao visitar Lojas de outros ritos, respeite as regras sociais e siga as regras legais do mesmo. Não importa se na sua Loja o certo é assim ou assado. Os “bons costumes”, que todo maçom deve observar, ditam que, na casa dos outros, você tem que dançar conforme a música. Como muito bem ensina o ditado: “Quando em Roma, faça como os romanos”.

Autor: Kennyo Smail

Fonte: No Esquadro

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Sete Maçons ou Sete Mestres?

A grande dúvida surge na própria grafia dos rituais. Não há um consenso nas regras de aplicação de siglas aos vocábulo maçônico. Teoricamente a regra é que devemos escrever a palavra até a consoante que antecede a segunda vogal. SECRetario; HOSPitaleiro; VIGilante; PALavra SEMestral. Mas encontramos MAÇ∴ (Maço ou Maçonaria?); Comp∴ (Compasso ou Companheiro?); BAL∴ (Balandrau ou Balaústre?) E para complicar ainda tem as siglas das siglas. Venerável Mestre é grafado por Ven∴ M∴ ou V∴M∴ e para economizar tinta: VM.

Por conta desta falta de uniformização é que encontramos nos rituais as mais diversas formas de responder a pergunta: – O que se torna preciso para a abertura dos trabalhos? Já encontrei:

– …….no mínimo sete IIr∴ MM∴ …….

– …….no mínimo sete IIr∴ M∴M∴ …….

– …….no mínimo sete IIr∴ MM∴ MM∴ …….

– …….no mínimo sete IIr∴ M∴M∴M∴M∴ …….

Nunca entendi a dificuldade em escrever “…….no mínimo sete Irmãos Mestres…….”.

Não pode ser “…….no mínimo sete Irmãos Maçons…….”, porque Aprendiz e Companheiros também são Maçons, mas não podem circular em Loja ou subir ao Oriente.

Mas estando apenas SETE MESTRES em Loja, que cargos devem ser ocupados?

  1. Venerável, preside a reunião e é o responsável pelo Oriente.
  2. Primeiro Vigilante, é o responsável pela Coluna do Norte.
  3. Segundo Vigilante, é o responsável pela Coluna do Sul.
  4. Orador, é o responsável pelas Leis e é ele que faz a conclusão dos trabalhos.
  5. Secretario, toda reunião tem que ter seu registro (balaustre).
  6.  Mestre de Cerimônias, é ele que fará todo o trabalho de circulação em Loja.
  7. Guarda do Templo, afinal os trabalhos necessitam de proteção.

E os outros cargos? O Orador acumulará a função de Tesoureiro, o Secretário a função do Chanceler, o Mestre de Cerimônias as funções do Hospitaleiro e dos Diáconos.

Observem que destaquei a palavra função para deixar bem claro que não se acumula cargo. Deixando bem claro: só usamos um colar. Já imaginaram que falta de bom senso o Mestre de Cerimônias com seu colar e ainda os dois de diáconos?

Não há o que reclamar se houver apenas sete Mestres na Loja, o problema está na ausência de Aprendizes e Companheiros. É muito mais salutar à Ordem Maçônica uma Loja com 03 Aprendizes, 05 Companheiros e 07 Mestres do que uma Loja com 15 Mestres sem Aprendizes e Companheiros.

Os labores maçônicos não são apenas os desenvolvidos em Grau 1, 2 e 3. Os trabalhos transcorrem justos e perfeitos não por conta da ritualística ou pelo número de presentes, mas pelo propósito da reunião. Para que nos reunimos? Para combatermos a tirania, os preconceitos e os erros. Glorificar o Direito, a Justiça e a Verdade, trabalharmos em prol do bem da Pátria e da Humanidade, não precisamos estar em grande número.

Mais vale 7 comprometidos do que 77 dispersos.

Autor: Sérgio Quirino Guimarães

Nota do Blog

Como exposto nos rituais adotados pela GLMMG, no REAA os cargos em Loja só podem ser ocupados por Mestres. Infelizmente observamos em algumas lojas o desrespeito à essa norma, colocando Companheiros para “treinar” como Mestre de Harmonia, para “treinar” como Chanceler”, para “treinar” como Tesoureiro (!!!), etc.

E por que isso acontece?

Por simplesmente não lerem o que está escrito!