As pedras e as almas

Pico das Almas - Rio de Contas - Bahia - Brasil | Trilhando Montanhas

A comparação da pedra com a alma humana nos parece inevitável e, imaginamos, essa analogia já deve ter sido usada por inúmeros livres-pensadores ao longo da história. Timidamente, ousamos usufruir de sua energia e nos somamos a todos eles. Ainda sob o impacto dos primeiros raios de luz da irmandade, somos levados ao sabor dos pensamentos.

“O rei ordenou que extraíssem grandes e belas pedras, que deviam ser talhadas para os alicerces do templo.” I Reis 5,17

Não seriam, por acaso, as grandes e belas pedras que Salomão manda extrair da pedreira, a própria grandeza e beleza da alma humana no seu estado mais bruto, quando, pela primeira vez, lhe é dado tomar contato com o mundo? O que é a alma de uma criança senão uma pedra intocada a esperar lavradura? Quantas serão as marcas nela esculpidas durante a vida? Será que, ao seu final, lembrará, ainda que vagamente, sua forma original?

E o que seria o cinzel? Não seria, talvez, os sentidos, através dos quais o homem adquire os conhecimentos que lhe são entregues ao longo da vida?

Não se pode moldar a pedra sem o concurso do cinzel, da mesma forma que é impossível moldar a alma sem chegar a ela através dos sentidos. Um homem que não dispusesse dos sentidos teria sua alma intocada do nascimento à morte. Nada o faria aprender o que quer que fosse. Não teria sequer o conhecimento da própria existência. É através do cinzel que a pedra recebe – e percebe – a intensidade do golpe do maço, este último, quem sabe, o mundo que nos cerca, ou em outras palavras, a criação do Grande Arquiteto e o conhecimento a ela inerente.

Não há como dar forma à pedra sem, de alguma maneira, ser parte de Deus e, como tal, atuar sobre Sua criação. Quem é que, no papel de pai, já não foi responsável por um ensinamento do qual a criança jamais se esquecerá, seja por palavra, gesto ou atitude?

Às vezes, o aprendizado do ensinamento dependerá da intensidade com que é transmitido – como a força pode ser necessária para deixar na pedra uma marca profunda. Em outras ocasiões, em função da delicadeza do desenho que se pretende imprimir na pedra, o aprendizado decorrerá da paciência, constância e habilidade do artesão. Cabe, nesse particular, um breve comentário: a marca profunda sempre poderá resultar de golpes sutis e constantes. Mas raramente se verificará o contrário: golpes muito intensos e sem a necessária habilidade correm o risco de deformar a obra.

Mesmo o mais experiente escultor poderá experimentar o fracasso, vez por outra, por não respeitar os veios da pedra, por não perceber se o cinzel esta bem amolado ou por aplicar ao maço mais força do que a necessária. Cabe, portanto, ao pai, esmerar-se no uso do martelo e do cinzel e no conhecimento da pedra, cuidando para que o aprendizado do filho seja calmo e sereno e para que em sua alma não fiquem marcas desnecessárias. Lembremo-nos de que os seres de alma luminosa e de caráter reto serão sempre, a qualquer tempo, o sustentáculo da humanidade.

“O Senhor disse a Moisés: ‘Talha duas tábuas de pedra semelhantes às primeiras: escreverei nelas as palavras que se encontravam nas primeiras tábuas que quebraste.’” Êxodo 34,1

Mais que qualquer outra coisa, é a palavra escrita ou falada – apreendida através dos sentidos da visão, audição e, eventualmente, do tato – que leva o homem adulto a tomar consciência da própria razão. Dotado dessa capacidade, torna-se vetor do Grande Arquiteto, tirando de Sua sabedoria os ensinamentos para lapidar a própria alma, através da reflexão. E, com isso, pode contribuir para aprimoramento dos seus semelhantes, tal como é feito nos templos da Ordem. Era através da palavra que o Deus de Moisés se comunicava com o povo de Israel. E foi a palavra o meio escolhido por Ele para diferenciar o homem dos demais animais.

“Não se assemelha ao fogo minha palavra – oráculo do senhor – qual martelo que fende a rocha?” Jeremias 23,29

A palavra marca a alma como o maço e o cinzel a pedra. Mas tem um poder infinitamente maior. Não há na história da humanidade qualquer guerra deflagrada pelo estalido do maço e do cinzel cravando a pedra. Nem há notícias de amores nascidos pelo uso dessas ferramentas. Mas foi usando a palavra que o Deus de Israel criou o mundo. E, quando quis deixar aos homens uma mensagem para ser sempre lembrada, usou-a novamente e a gravou sobre a pedra. E fez dessa palavra a régua, pelo uso da qual todas as pedras serão medidas.

Aos aprendizes que trabalharam na construção do templo de Salomão era requerido aprimorarem-se no uso do maço e do cinzel e no conhecimento das pedras brutas. Assim, dominando a arte da preparação das pedras, poderiam estabelecer a base sobre a qual se erigiria o templo. Analogamente, não só aos iniciantes na Arte, mas a todos os maçons,é essencial a dedicação e a perseverança para que, pouco a pouco, cresçam em sua proficiência no trato das almas humanas, embora a estas, como às pedras, seja impossível conhecê-las todas. Mas é preciso estar preparado para perceber suas nuances, analisar suas formas, identificar seus veios e respeitar suas particularidades. Cada pedra é única em todo o universo e é como tal que deve ser tratada.

“Na construção do templo só se empregaram pedras lavradas na pedreira, de sorte que não se ouvia durante os trabalhos da construção barulho algum de martelo, de cinzel ou de qualquer outro instrumento de ferro.” I Reis 6,7

Assim como no templo de Salomão, quer me parecer que o Templo Maçônico é um lugar de instrução onde não deve ser ouvido o barulho do maço e do cinzel batendo sobre a pedra. A prática dos ensinamentos adquiridos deve ser realizada na “pedreira”, ou seja, no mundo profano, buscando-se trazer para o Templo o fruto do trabalho já realizado e a experiência dele decorrente. É fora do Templo que os ensinamentos passados aos aprendizes serão postos em prática. É lá, além dos muros, que se porá realmente à prova o que foi aprendido. E é lá, também, que cada pedra será medida e, uma vez aprovada, considerada apta para fazer parte dos alicerces do Templo do Grande Arquiteto do Universo.

Estejamos atentos, pois, ao ruído que vem da pedreira. É de lá que vêm as pedras sobre as quais se erguerá o Templo. Não permitamos que artesãos despreparados façam dele apenas um amontoado de pedras disformes e inaptas a fazer parte da Grande Obra. Perante o Grande Arquiteto somos responsáveis por aquilo que sabemos. Portanto, nós, os pedreiros espalhados pelo mundo, temos, queiramos ou não, a Incumbência Divina de mostrar à humanidade como se tratam as pedras que a erigirão.

“…’Ouve, ó Israel, as leis e os preceitos que hoje proclamo aos teus ouvidos: aprende-os e pratica-os cuidadosamente.’” Deuteronômio 5,1

Autor: Sérgio Koury Jerez

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À sombra dos mitos – Sinais de reconhecimento, segredo, fraternidade…

Brother H. A. | Maçonaria, Pedreiros

A Maçonaria, cuja originalidade consiste em misturar ritual e reflexão, tradição e modernidade, simbolismo e solidariedade, não escapou do mito. Ela tem uma dúzia de histórias ou referências míticas que ela emprestou do fundo cultural judaico-cristão e que lhe permitiu desenvolver uma visão particular do mundo.

Em relação à mitologia clássica, ela selecionou seus temas preferidos: ela não destaca Édipo, Sísifo ou Eros, Zeus ou os Titãs, Orfeu e o submundo, belas deusas e ninfas imprevisíveis, heróis metamorfoseados, monstros fabulosos ou histórias de amor e incesto. Mas encontramos o crime (assassinato de Hiram), tantas vezes presente nas relações entre os deuses pagãos; encontramos a questão da transmissão do conhecimento (as duas colunas) colocada por Prometeu ou Hermes; encontramos a culpa do homem envolvendo a vingança de Deus (o Dilúvio e a Torre de Babel).

Basta dizer que a mitologia maçônica, apesar de dimensões restritas, não pertence menos à mitologia universal. Ela pode se articular em torno de três eixos: primeiro, a construção do Templo, imagem fantasista do templo de Salomão. Este edifício é tanto o próprio templo interior de cada maçom que deve dominar sua natureza, e o templo exterior representado pela Cidade ideal; em todos os casos, assume-se que permanece inacabado. Em segundo lugar, a lenda de Hiram, transposição de múltiplos arquétipos, retomada parcial do mito de Ísis e Osíris, símbolo da transcendência diante da finitude humana, realização de um destino e esperança de uma ressurreição. Finalmente, o mito de cavalaria que não só penetrou o ritual desde o grau de aprendiz (cerimônia de iniciação), mas também promove os valores tradicionais atribuídos a esta instituição: honra, coragem, lealdade, generosidade, altruísmo. Tal como o conjunto da sociedade, o fascínio cavalheiresco também permeia a Maçonaria.

Esses mitos – com a exceção da cavalaria – aparecem nas Antigas Obrigações que, entre 1390 e 1720 são os textos de referência dos maçons operativos que serviram de corpus para o desenvolvimento da Maçonaria moderna. Estes manuscritos (cerca de cento e trinta cópias) geralmente incluem uma história lendária da profissão do construtor e uma lista dos deveres morais e profissionais dos pedreiros. Existem ali também muitas ocorrências religiosas: invocações a Deus ou os santos, à Virgem Maria ou à igreja, busca da salvação da alma, referências e histórias bíblicas, orações. Uma interpretação espiritualista deduzida ali, instalada no corpus maçônico no início do século XVIII: entre 1710 e 1750 escolhas ideológicas decisivas relacionadas aos mitos foram feitas: apagamento de Euclides e eliminação de Noé em favor de Hiram e Salomão, uso sistemático de elementos bíblicos, a promoção do Deus único. Esta concepção é hoje dominante no espaço reflexivo maçônico.

Uma releitura secular e racional dos mitos maçônicas foi necessária; ela desafia muitas concepções tradicionais, mas esta nova visão alternativa não é destrutiva: ele não tem a pretensão de se livrar de Deus nem de outros atributos do modelo dominante, mas ela prefere a geometria, fonte de outras Ciência e local de raciocínio dedutivo. Para ela, o mito comporta tanto a imaginação quanto a razão: é claro que a razão produz mitos e os mitos mais irracionais têm uma razão.

Mas o maçom, na busca incessante do sentido que lhe sugere a presença de seus mitos, deve reabilitar aqueles que lhe atribuem uma finalidade de compreensão lógica da razão do mundo. Por esta inteligibilidade adogmática distante dos abusos espiritualistas de discurso meloso, e sem negligenciar uma certa consciência mítica, ele cumprirá totalmente sua missão: compreender, aprender, construir e transmitir.

Dois personagens míticos eliminados: culpa de Hiram?

Euclides, a fonte racionalista esquecida

O Manuscrito Regius (1390), o mais antigo texto das Antigas Obrigações, começa com uma fórmula claramente significativa:

“Aqui começam os estatutos da arte da geometria segundo Euclides.”

Não só Euclides é o padrinho do Regius, mas lhe é creditado ser o criador das sete ciências; em todas as ações atribuídas a ele, Euclides sempre age de acordo com os princípios da razão geométrica, tornando-se um homem providencial. Ele é também – embora este ponto seja totalmente omitido pelos espiritualistas e historiadores maçons – aquele que pela primeira vez formaliza as regras de organização e funcionamento do ofício.

Ele é, assim, o autor de quatro “obrigações” decisivas:

  • A obrigação de transmissão recíproca: aquele que é mais avançado na arte da geometria deve instruir os menos dotados, a fim de aperfeiçoar e esta instrução deve ser recíproca;
  • O dever de fraternidade: os homens que praticam a arte devem “amar a todos como irmãos e irmãs”;
  • A designação de um mestre: o mais avançado na arte deve ser chamado de “mestre” para homenageá-lo particularmente;
  • O respeito mútuo: os maçons, para o bem da unidade, devem se chamar companheiros entre si, qualquer que seja o seu nível profissional.

Outro texto das Antigas Obrigações, o Manuscrito Dumfries no. 4 (C 1710) apresenta Euclides como aquele que cria quatro novas medidas verdadeiramente constitutivas da Maçonaria especulativa: a criação em forma de Ordem, o sinal de reconhecimento, o segredo e a regularidade do trabalho em loja.

Apesar desse papel essencial, Euclides não foi mantido como um mito da Maçonaria moderna: Anderson o cita pouco e os rituais desenvolvidos no decorrer do século XVIII, lhe atribuem apenas algumas evocações em alguns graus do Rito Escocês Antigo e Aceito.

Noé, um destino maçônico contrariado

Noé, mito universal e um dos mais antigos da humanidade, tanto como resultado do dilúvio quanto da arca, representa na Bíblia o fundador da nova ordem mundial. Deus, vendo-o como o único justo e o único homem de integridade, conclui com ele a sua primeira aliança depois do dilúvio. Os termos dela são simples: Deus diz a Noé que ele nunca mais o amaldiçoará e, portanto, não destruirá os seres vivos como acabou de fazer. Ele, então, determina a Noé e a seus filhos uma missão de quatro pontos: eles devem ser fecundos e prolíficos; eles dominarão a natureza; eles poderão se alimentar de tudo o que há na terra, exceto o sangue; e eles deverão velar pela vida de seus irmãos, ou seja, não matar. O arco-íris será o sinal dessa aliança. Trata-se de uma nova filosofia equilibrando direitos e deveres: possibilidade para o homem dominar a natureza, mas obrigação de respeitar a vida dos outros.

Nos textos maçônicos do século XVIII, Noé é valorizado: Anderson o apresenta em 1738 como o pai da Maçonaria, cada maçom sendo um “verdadeiro filho de Noé” e Ramsay como o restaurador da raça humana e o primeiro Grande Mestre da Ordem. O Noaquismo é assim, a religião primitiva anterior a todo dogma, uma espécie de religião natural global em que todos os homens podem se reconhecer. Noé deveria ter sido o mítico fundador da Maçonaria especulativa. No entanto, ele desaparece muito rapidamente das referências maçônicas: ele já não é mencionado na edição das Constituições de 1756 e não reaparece no novo texto da Constituição Maçônica Inglesa de 1813. Ele não é mais encontrado hoje, senão no grau 21 do REAA chamado Noaquita ou Cavaleiro Prussiano e no Grau de Royal Ark Mariner, novamente praticado na França há vários anos. Como Euclides, ele foi deposto por Hiram.

Um novo rosto para Hiram: uma apresentação de sacrifício à luta de classes

O mito de Hiram é a narrativa fundamental da Maçonaria especulativa; aparecido na década de 1730, ele coloca em cena Hiram, Mestre Maçom do canteiro de obras do Templo de Salomão, que foi assassinado por três maus companheiros a quem ele não quis revelar o segredo dos mestres. Existem cerca de cinquenta versões do mito hirâmico. Mas, Hiram continua a ser o mestre perfeito, dotado de todas as virtudes humanas e de todas as competências técnicas possíveis; ao invés de revelar um segredo, ele se sacrificou e morreu: senso de Dever, recusa a ceder à fraude, ele representa no imaginário dos maçons um modelo de coragem e de vida, ao mesmo tempo um herói e um santo, o mito maçônico absoluto.

Esta lenda é incompleta porque um episódio crítico foi omitido pelos redatores maçônicos do século XVIII.

O documento sobre o qual repousa o mito, o Manuscrito Graham (1726), relata que um conflito profissional eclodiu no canteiro de obras: é uma disputa entre os trabalhadores e os pedreiros sobre salários. Hiram ocupa o cargo de vigilante de todo o canteiro de obra, mas é o próprio rei Salomão quem intervém para se chegar a um acordo: ele explica para acalmar as recriminações que todos os trabalhadores serão pagos da mesma forma, mas ele dá aos pedreiros um sinal que os trabalhadores não conheciam:

“E aquele que podia fazer o sinal onde os salários eram pagos eram pagos como pedreiros; os trabalhadores não o conheciam e eram pagos como antes.”

Embora a calma tenha voltado, Hiram se torna, portanto, cúmplice de uma torpeza de Salomão, de uma manipulação e uma mentira, apagada do texto maçônico, ostensivamente para dar a Hiram um papel idealizado.

Hiram é, portanto, o tipo de executivo dividido entre os objetivos do cliente e as queixas dos trabalhadores, defendendo até a morte os interesses da classe dominante.

As duas colunas antediluvianas, um mito negligenciado

Este mito é amplamente destacado por vários textos das Antigas Obrigações e retomado por Anderson. Ele encontra sua origem nas Antiguidades Judaicas do historiador Flavius Josephus (37-100). Ele indica que homens que tiveram a presciência de um cataclismo universal querido por Deus e que arriscava destruir a humanidade por água e fogo decidiram construir dois pilares sobre os quais todo o conhecimento seria inscrito, com o objetivo explícito de o preservar e transmitir às gerações futuras.

Pelo efeito de uma mudança de significado, uma confusão com as duas colunas do Templo de Salomão ele foi gradualmente instalado na mitologia maçônica; hoje, apenas no grau 13 do Rito Escocês o tema se mantém intacto.

Alguns aspectos são dignos de nota:

  • De acordo com as versões, passamos de quatro construtores (os filhos de Seth, terceiro filho de Adão e Eva) a um único construtor: Enoque, o patriarca antediluviano que foi levado vivo para o céu. Da mesma forma, os materiais de construção variam de pedra ao mármore, de tijolos ao latão.
  • A intenção inicial é motivada pelo medo de perder as invenções humanas; estas dizem respeito principalmente à astrologia, depois a geometria e a maçonaria. Finalmente, é Hermes que redescobrirá uma única coluna, permitindo o sucesso da operação.

Muitos historiadores maçons integram este mito no Noaquismo; essa assimilação é injustificada. Noé e as duas colunas não têm ligação alguma entre si. Noé é um personagem bíblico, enquanto que o episódio das duas colunas, invenção profana está ausente do texto bíblico; Noé é uma personagem que faz a ligação com Deus, enquanto a decisão de construir as duas colunas é puramente humana, sem um relacionamento anterior com Deus. Pode-se até argumentar que esta decisão é a marca de um desafio a Deus, os homens assumindo que arriscam perder permanentemente o que eles ganharam.

É preciso lembrar a natureza Prometeana de um projeto perfeitamente racional.

O duplo mito salomônico, ambiguidade da natureza humana

A Maçonaria é permeada pelo mito Salomoniano em dois aspectos: primeiro, a construção do Templo como o canteiro ideal e por outro lado, a pessoa do próprio rei Salomão, cujo papel é importante, especialmente nos graus escoceses. Sejam quais forem os textos, o Templo é a expressão da perfeição; ele representa o cosmos e para muitos maçons é a expressão simbólica do Templo Maçônico. Salomão é apresentado em todos os atributos da soberania: construtor, justiceiro, concedendo recompensas, presidindo todas as assembleias; na plenitude de sua glória, ele é, especialmente no REAA, o fiador simbólico da maestria sem defeito.

De acordo com a visão bíblica, Salomão é um homem sábio, possuidor do dom do discernimento na origem de sua equidade e sua tolerância proverbial, conhecimentos científicos e uma abordagem filosófica.

Esta visão é em grande parte distorcida e inequívoca. O templo não é apenas um santuário religioso, mas também ao mesmo tempo um lugar político. Sua construção interrompe o nomadismo da religião judaica e, simultaneamente funda a identidade nacional do povo judeu. Os caprichos da história fizeram dele um lugar de rivalidade e crimes, tanto religiosos quanto políticos. Salomão, por sua vez, mandou assassinar seu irmão e vários dignitários ou rivais para consolidar seu poder; depois de uma primeira parte do glorioso reino, ele se tornou infiel a seu Deus, entregando-se ao politeísmo e à poligamia, aumentando os impostos de seus súditos, usando escravos e não respeitando seus compromissos comerciais com seus vizinhos. Com sua morte, as tribos do norte se revoltaram e o país se dividiu em dois reinos.

Por que os maçons valorizam um lugar simbolicamente tão questionável e uma figura criminosa? Esquecendo-se o lado escuro dos homens e sua história, a Maçonaria quer mostrar a imperfeição da natureza humana?

A Torre de Babel, um mito amaldiçoado que se tornou benéfico

A Maçonaria propõe três grandes interpretações do mito da Torre de Babel:

  • A visão tradicionalista: construindo a Torre, os homens deram prova de orgulho e vaidade insuportáveis para Deus; a ira divina é, assim, natural, a confusão de idiomas é um castigo merecido, assim como a maldição do homem sobre a terra. Esta concepção moralizante e culpabilizante baseada na Bíblia está presente especialmente no Manuscrito Regius (1390), no Manuscrito Graham (1726) e quase totalmente no grau 21 do REAA.
  • A interpretação construtivista: ela tem sua origem no Manuscrito Cooke (c. 1400) que apresenta este mito como a capitalização da experiência adquirida pela “ciência da geometria”, que levou a uma mestria da arte de construir. Nada é dito sobre a intenção original dos homens nem sobre a vingança divina. A torre não é mais o símbolo da vaidade humana, mas torna-se o lugar da transmissão do conhecimento técnico. Estamos aqui na origem de uma visão amplamente positiva do mito.
  • A síntese Andersoniana: As Constituições de Anderson (1723 e 1738) ultrapassam as duas correntes anteriores, emprestando-lhes vários elementos. A construção da torre não tem a intenção de desafiar a Deus, este ponto não sendo mais que uma consequência; a sanção é a mesma para os homens, a da confusão de idiomas e a dispersão; mas os homens adquiriram por meio dela, uma competência excepcional que servirá ao desenvolvimento da arte de construir.

Assistimos durante quarenta anos uma inversão axiológica: seguindo-se a evolução geral da opinião a diversidade é agora uma bênção e o múltiplo é a ordem natural do mundo. Babel permanece a metáfora da desordem extrema e do excesso, mas a maioria dos maçons de nossos dias compartilha a ideia de que a diversidade é uma riqueza em nome do princípio de que é preciso “reunir o que está espalhado”. A reinterpretação regular desse mito mostra que ele não se fossiliza, Babel tendo se tornado ao longo do tempo o paradigma da unidade e da diversidade humana.

O mito no coração do homem

Todas as culturas o utilizam. É uma história que tem uma ou mais histórias; elas retratam deuses ou seres sobrenaturais ou heróis divinizados que adquiriram status divino; esses deuses têm relações entre si e com os homens. Eles muitas vezes se comportam de forma imoral, mas isso é para mostrar aos homens em contraponto aos valores morais que eles devem respeitar. Para muitos – especialistas ou simples seguidores – a natureza religiosa do mito é evidente, porque a intrigas na maior parte das vezes se refere à origem dos deuses, do mundo, do mal, da morte. Todas as religiões estabeleceram ligações com os mitos, porque eles são portadores de uma visão sagrada. Portanto, a questão dos mitos fundadores é essencial porque participa da crença coletiva em uma criação antiga, se não arcaica, expressando uma verdade reconhecida como certa e que se tornou atemporal.

Autor: François Cavaignac
Tradução: José Filardo

Fonte: REVISTA BIBLIOT3CA

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As Colunas Boaz e Jakin

Estas colunas todas as vezes que mencionadas evocam a imagem do Templo do G.A.D.U, por tradição chamado Templo de Salomão. Neste ensaio, pretendo demonstrar esta obra específica de Salomão e Hiram-abif, suas origens, localizações, tamanhos, finalidades e o mais difícil, seus nomes e significados.

Origens

Eram comuns à época estas colunas e obeliscos, serem erigidos para se “louvar” os deuses e destes angariar favores e, havia também, uma tradição disseminada dos governantes marcarem suas histórias e realizações pessoais com obeliscos ou colunetas, antes e durante ao advento de registros escritos ou figurativos e para isto usaram destas colunas e obeliscos.

Como exemplos, mais conhecidos, os diversos obeliscos Egípcios, quase todos monolíticos e inúmeros outros. Esses pilares foram comuns na Síria, Fenícia e Chipre naqueles tempos. Houve também, imensos pilares, alguns de fogo ou incensa, que eram parecido a sua contra-partida de fenício e eles teriam a finalidade de iluminar a fachada do templo à noite, ainda também, pegando o primeiro amanhecer ou anoitecer, refletir a fachada do templo, e produziam uma nuvem de fumaça escura durante o dia.

Também foram descobertas as fundações de pilares semelhantes nos locais dos templos em Hazor e condado Ta’Yinat que tinham duas colunas em suas entradas, semelhantes a que seriam construídas no templo. Heródoto (484 – 425 a.C.), historiador grego, também conhecido como “Pai da História”, descreveu dois grandes pilares próximos ao Templo de Hércules em Pneu, que eram iluminadores da noite.

Por que da sua origem no templo hebreu?

Cabe como prólogo desta questão, perguntar-se, porque a falta de menção das colunas nas narrações ao advento da construção do Templo? Não será por meros erros ou por omissões dos copistas ou escribas, em que não há por nenhum momento a menção destas colunas quando das definições da arquitetura e obras do Templo. Vide todas as discrições havidas em Reis ou Crônicas (I Reis, 6:1-38 – II Crônicas, 3:1-14).

Ver-se-á na ocasião, quando o Rei Davi dispôs a seu filho Salomão a planta do Templo recebida do G:.A:.D:.U:. narrações tão peculiares e ostensivamente pormenorizadas de coisas e detalhes, não havendo, entretanto, por menor que fosse, qualquer menção destas colunas. Vide I Crônicas, 28:11-21; 29:1-9. Somente terminadas as obras do Templo (I Reis, 7: 37- 38), começam a aparecer menções a estas famosas colunas. Vide I Reis, 7:15-22.

Por que mandara Salomão fazer estas colunas?

Por que elas não fizeram parte do Templo quando de sua arquitetura primordial?

A que serviriam?

Foram para demarcar a obra e sua posteridade?

Para responder a estas questões faz-se necessário demonstrar o caráter ambíguo dos arquitetos e construtores destas obras.

  • Vivera o povo Hebreu sobre o jugo dos Egípcios por mais de cinco séculos antes do êxodo. É obvio se deduzir que esta convivência poderia e teria incorporado hábitos e coisas daqueles povos ao Povo Hebreu e suas descendências.
  • Era o arquiteto Hiram-abif (judeu por parte de pai), filho de Tiro, cidade Fenícia, familiarizado com o estilo de construções Egípcias e Fenícias, em pedra talhada e com a arquitetura megalítica dos antigos.
  • Eram os Templos de Carnaque e Luxor, há época, precedidos de obeliscos, como tantos outros e notórios.
  • Tantos os executores, como os arquitetos, que eram de Tiro, indubitavelmente, teriam tido uma grande influência no projeto dos pilares para o templo em Jerusalém.
  • Estas obras (as colunas) jamais teriam caráter de quaisquer tipos de adorações (totalmente proibido pelo Talmude e o Torá) ou messiânicas. Portanto não eram para ser sagradas. Não fariam parte do Templo, como não fizeram na sua arquitetura primordial.

Dado a ambiguidade, ao se erigir estas colunas demarcou-se o momento pessoal dos arquitetos e executores destas obras e seus nomes para posteridade, e disto não tenho a menor dúvida. Julgo, também, pela síntese da pesquisa especulativa e dedutiva serem estas colunas um marco, os obeliscos que encerram em si o desejo de marcar uma obra. Um monumento comemorativo. Inicial e tão somente.

Localizações

Em diversos autores e livros muito se tem especulado sobre a posição destas colunas; à direita ou esquerda estaria Jakin; à direita ou esquerda estaria Boaz.

Uns dizem, sendo o Templo construído no sentido de sua porta de entrada estar para Leste (o sol), Jakin estaria à esquerda, isto por óbvio, de quem estiver dentro do Templo olhando para fora. Estando fora do Templo estaria à direita e há assertivas de ser esta sua verdadeira posição o que se demonstra a seguir. De antemão, não há quaisquer dúvidas que elas foram postas à frente do Templo.

Para determinar estas colocações tomaremos por base duas dissertações que nos parecem por demais definitivas, ou sejam, em Crônicas e Reis:

“E pôs estas colunas no vestíbulo do Templo, uma à direita e outra à esquerda: a que estaria à direita, chamou-a Jakin e a que estava à esquerda, chamou-a Boaz.” (II Crônicas, 4:17).

“E pôs estas duas colunas no pórtico do Templo, e tendo levantado a coluna direita, chamou-a por nome Jakin. Levantou do mesmo modo a segunda coluna, e chamou-a por nome Boaz.” (I Reis, 7:21).

Este último relato, ipsis litteris, põe quaisquer discussões de se estar dentro ou fora para se determinar às posições das colunas fora de contexto. Pode alguém duvidar agora de que este “ato de levantar” que se fez diante de um Templo terminado (e seu pórtico externo – vestíbulo), de que os termos “direita” e “esquerda” só podem ser considerados desse ponto de vista? De quem olha este levantamento.

Aclara e corrobora em Antiguidades Judaicas, de Flavius Josepho, nascido em Jerusalém em 37 d.C. e falecido em Roma 100 d.C., a seguinte discrição:

“Ele colocou (Hiram-abif) uma dessas colunas junto à ala direita do vestíbulo, e chamou-a de Yachïn, e a outra à esquerda, sob o nome de Baïz.”

O termo vestíbulo em qualquer idioma é entendido, comumente, como espaço entre a rua e a entrada dum edifício. Quando se quer determinar uma área ou um espaço que seja interno é usual determina-lo como “vestíbulo interno”.  Por outro lado, por excelência, e confirmada em diversas narrações na Bíblia, é que os Povos na antiguidade determinavam os pontos cardeais dos nossos dias olhando para o Sol, seu ponto de referencia primordial. Para se determinar o ponto Leste do Templo teria que se estar à frente do Templo olhando para o Sol.

O Sol pelo seu simbolismo ou analogias físicas representava o nascer, o clarear do dia, da jornada. Diversos foram os Povos em que suas seitas tomaram o Sol como sua principal divindade. O ocidental, e acentuadamente após a criação da bússola magnética, passou a se orientar pondo o Norte à sua frente, por uma questão lógica e física, para determinar a orientação pelo pólo magnético Norte daquela (à bússola). Estas digressões são para afirmar o quanto se dava de valor aos astros para suas orientações e divindades.

Dimensões

As duas colunas sobre as quais estamos argumentando foram alvo de várias polêmicas quanto à sua altura, principalmente por dúvidas causadas pelas diferenças apresentadas pelos cronistas de Reis que apresentam-na com 18 côvados de altura enquanto os cronistas de Crônicas apresentam a altura de 35 côvados. Podemos pela própria leitura dos textos se fazer alguma análise:

“E fundiu duas colunas de bronze: cada uma delas era de dezoito côvados de altura: e a ambas colunas dava voltas uma linha de doze côvados.” (I Reis, 7:15).

“Cada coluna tinha dezoito côvados de altura…” (II Reis, 25:17).

“E quanto às colunas, cada uma delas tinha dezoito côvados de alto e a cercava um cordão de doze côvados. Ora a sua grossura era de quatro dedos, e era oca por dentro.” (Jer., 52:21).

“E fez diante da porta do Templo duas colunas que tinham trinta e cinco côvados de altura.” (II Crônicas, 3:15).

É evidente que na descrição do cronista de Crônicas, ela é sucinta e não descreve se se tratava de valor para cada coluna ou o total de ambas. Se por elipse gramatical tomarmos o trecho: “que tinham 35 côvados de altura”, poder-se-iam considerar o que somavam de ambas.

Pelas três primeiras assertivas, caprichosamente bem descritas, somos levados a tomar como corretas estas alturas. Outrossim, diante da premissa que o templo media sessenta côvados de comprimento, vinte côvados de largura e trinta côvados de altura (Reis 6:2), tais colunas não deveriam ser maiores que a altura do templo; portanto, não teriam 35 côvados.

Arquiteturalmente, a proporção de quase ⅔ da altura do prédio, isto é dezoito côvados, estaria mais condizente e não empanariam o Templo, principal obra. Pelas definições de Jeremias 52:21, pode-se afirmar terem estas colunas em medidas atuais (em metros) 9,45 metros de altura; 6,30 metros de circunferência e quatro dedos de espessura que equivaleria a 0,87 mm, e eram ocas. Elas pesavam mais de uma tonelada. Se considerarmos o capitel, a sua altura passaria a ser de 12,07 metros de altura. Nabuzeradã (o caldeu) as levou para a Babilônia, em pedaços, na destruição do templo.

Os nomes

Não será simples dissertá-los, caso venhamos a conferir a estas colunas algum caráter meramente filosófico ou religioso. Tentarei a seguir, baseado nas análises de escritos em Reis e Crônicas, tecer alguns comentários e entendimentos sobre os nomes destas colunas. Não há e não houve, por outro lado, o poder sacerdotal na concepção destas colunas. Se houve, é estranha a falta de quaisquer registros, uma vez que todos governantes temiam o mundo sacerdotal e dos profetas e eram fatos de registros. Quantos Profetas e Sacerdotes não foram perseguidos e sacrificados?

Para isto, por força de não encontrar quaisquer indícios de fundo religioso para estas colunas, baseado na estrutura sócio-religiosa do povo Hebreu à época, em que não se permitia erigir sobre qualquer forma, fossem em madeira, pedra, barro, couro, etc., imagens, retratos ou totens que representassem a figura humana, principalmente, ou viessem a representar endeusamentos, pois eram severíssimas as punições pelos Rabinos e Profetas, descarto a possibilidade religiosa.

Cristo foi crucificado, só por conceber em metáforas e parábolas sua condição de ser filho de Deus, o Messias esperado, a quem os Judeus aguardam até os dias atuais. O caminho que me parece mais simples é o do SIMBOLISMO (do marco). Mesmo no aspecto FILOSÓFICO esbarraríamos na falta de registros de vários porquês, sobretudo os interesses pessoais e atitudes pessoais para a concepção destas colunas. Posto isto, iremos começar pelos registros em I de Crônicas, 22:10:

“Ele edificará uma casa ao meu nome, e ele será meu filho, e eu serei seu pai: e eu firmarei o trono do seu reino sobre Israel eternamente.”

E em I de Crônicas, 28, 7:

“E firmarei para sempre o seu reino, se perseverar em cumprir os meus preceitos, e os meus juízos, como Ele o faz presente.”

Acima vemos os relatos de Davi, quando ordenou a Salomão a construção do Templo de Deus. As frases em grifos foram como Davi relatou a seu filho Salomão a “conversa” havida com Deus. Vejam que neste momento, nestas orações, estão posto, a afirmação “firmarei” [o trono do seu reino] e [para sempre o seu reino], isto é, firmar assegurar o pacto com Deus.

  • מ י ך י (Jakin) – Ele firmará. Ele estabelecerá. 
  • ז ב (Boaz) – Em Força. Na força.

Qualquer similitude ou similaridade com a tradução da palavra Jakin ou Boaz, acima representado também em Hebraico, não é mera concepção para coincidências com o relatado por Davi a Salomão. Temo, chegando quase à assertiva, pelo contexto dos registros, serem estas colunas o conteúdo do simbolismo da ação de ser Salomão o nomeado eleito de Deus, quanto ao registro deste ter sido o escolhido e também edificador do Templo. Elucubremos os termos: Ele firmará e Em força. Poder-se-ia construir as seguintes frases com simbolismos diferentes. Exemplo:

  • Firmado (estabelecido) meu Reino no Real Poder.
  • Deus assegurou na força (realeza), solidamente, o Templo e a Religião de que ele é o centro.

Quaisquer das duas frases carregam em si o estabelecimento de um ocorrido, do qual todos esperavam, a edificação do Templo de Deus e o “coroamento” do Reinado de Salomão, disto, já havia se passados longos sete anos na construção do Templo. Para os tempos de hoje estes marcos seria uma inauguração. Ressalte-se conforme registros, ter havido comemorações que levaram dezenas de dias, tanto quanto neste dia, no ato feito por Salomão da bênção do Templo, ele, o próprio Salomão, foi novamente ungido (rogativa) ao pé da coluna, provavelmente Jakin (pois assim se passou a proceder com todos os outros Reis: II Reis 11:14 e II Crônicas 23:13), vejamos em:

“Porque Salomão tinha feito uma base de bronze de cinco côvados de comprido, e outros tantos de largo, e três de alto, que tinha colocado no meio do átrio: pôs-se de pé sobre ela: e depois posto de joelhos com o rosto virado para a multidão de Israel, e as mãos levantadas para os céus disse.” (II de Crônicas, 6:13).

“Sucedeu, pois, que tendo Salomão acabado de fazer oração, e esta rogativa, se levantou de diante do altar do Senhor: porque ele tinha postos os joelhos em terra, e tinha as mãos estendidas para o céu”.Pôs-se logo em pé, e abençoou a todo ajuntamento de Israel, dizendo em voz alta…” (I Reis, 8:54-55).

Novamente, por elipse gramatical, tomemos o termo: “posto de joelho”, em Crônicas e rogativa (ungimento) em I Reis. Posto de joelhos, entender-se-ia que ao mesmo se solicitou pôr-se de joelho e rogativa é uma ação de bênçãos sacerdotais. Ao ser ungido, tradicionalmente, se colocava o ente a ser sagrado frente ao altar para receber as bênçãos sacerdotais. Fazia-se por outro lado a rogativa aos sacerdotes por venturas do reinado, ocasião em que se imolavam as “vítimas” nos altares.

E assim se fez, a público, para conhecimento de todo povo de Israel e ao lado da coluna Jakin.

Para finalizar, ao término das dissertações sobre as origens ou as possíveis origens para as colunas, concluo com a assertiva de que estas colunas foram para firmar a construção do Templo e tornar para posteridade a afirmação do eleito de Deus.

Dedico este trabalho ao irmão gêmeo de Iniciação à Maçonaria Ir:.Marco Túlio Scussel, luz recebida numa quinta-feira em 17.10.1985 da e.v., na Loja Sphinx Paulistana no. 248.

Autor: Fernando Guilherme Neves Gueiros
M.M., ex-Sphinx Paulistana 248, GLESP – SP / Brasil

Referências

Bíblia Católica – Edição Barsa – Trad. Pe. Antonio Pereira de Figueiredo.
Bíblia Evangélica – Sociedade Bíblica do Brasil – Trad. João Ferreira de Almeida.
Ritual do Simbolismo – 1º~3º Grau Segunda Edição 1987 – GLESP.
Rituais Filosóficos – Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil.
A Simbólica Maçonaria – Jules Boucher – Editora Pensamento – 1988.
Dicionário Ilustrado de Maçonaria – Sebastião Dodel dos Santos – Editora Essinger – 1984.
O Templo do Rei Salomão na Tradição Maçônica – Alex Horne (Grau 33) – Editora Pensamento – 1989.
A Cabala Tradição Secreta do Ocidente – Papus – Editora do Brasil – 1986.