Um novo protocolo para a Maçonaria

Senhora Secretária O surto do novo vírus COVID 19 como pandemia ...

Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe.” (Popular).

Agora que sabemos na prática o que é uma pandemia, novos ataques, inclusive de outras pestes, passam a ser prospectadas no radar, trazendo à baila os antigos avisos de sinais dos tempos. Em principio, imagina-se que toda atividade que puder ser realizada sem a presença física será incentivada. Aquelas ora realizadas em ambientes propícios a transmitir algum tipo de vírus serão revistas ou minimizadas. A preocupação com a saúde passará a ser prioridade.

Por ora, não sabemos se uma solução para o novo coronavírus será definitiva, nem mesmo quando será implantada ou como será o cotidiano das pessoas em geral. Muitas indagações e poucas afirmações até então. Teremos nossas vidas de volta como anteriormente? Novas tecnologias irão efetivamente alterar as medidas de segurança e estabelecer maiores controles sociais em um cenário orweliano, com os gigantes Google, Facebook, Zoom e assemelhados no comando? Crises demandam mudanças e adiantam o futuro. A realidade será mesmo virtual?

Como as atividades da Maçonaria pressupõem proximidade física, certamente novos protocolos e cartilha de etiqueta em prol da segurança serão introduzidos, contemplando uma série de “considerandos”, desde o acesso à entrada de nossas Oficinas, passando pelo uso de elevadores e sanitários, higienização, circulação de ar, sessões com o revezamento de obreiros, para manter o distanciamento, até alcançar os nossos fraternos abraços e encontros sociais. Máscaras e luvas serão itens de primeira necessidade. Medição de temperatura e controle de vacinação será rotina. Visitação, só com agendamento.

As Potências regulares terão o desafio de implantar plataformas específicas para nossas reuniões virtuais, com vistas a integrar bancos de dados para garantia da segurança dos participantes. Mas não é somente isso. Mesmo as reuniões por videoconferência já demandam uma cartilha de etiqueta, notadamente face aos comentários sobre o despojamento de irmãos seminus, deitados já de pijama ou mesmo ingerindo bebidas alcoólicas, com sinais de embriaguez facilmente notados pela tom de voz arrastado e interrompendo a fala de outros, repetitivos e sem demonstrar o mínimo de consideração aos demais. A seriedade, pontualidade, disciplina e compostura em Loja deve ser a mesma nesses encontros virtuais.

Na nova “Ordem do Dia”, essas e outras dúvidas começam a demandar um posicionamento mais efetivo de nossas lideranças. Mas os olhos continuam voltados para os cabeças-duras de sempre, aquele grupo coeso e influente que, mesmo frente a todas as evidências de que o cenário é outro, nega-se a sucumbir às novas demandas, a reconhecer equívocos e a rever crenças ou pontos de vista. Na realidade, seus membros sempre especulam sobre argumentos que ratifiquem sua visão de mundo e resistem como podem à necessidade de mudanças, comportamento esse que a ciência reconhece como “viés de confirmação”.

É difícil debater com quem não aceita a realidade dos fatos. O pressuposto do diálogo em busca de soluções implica aceitação de que alguma medida precisa ser adotada com foco, inovação, resiliência e adaptabilidade. Sem isso não há chance superação das dificuldades.

“Quando os fatos mudam, eu mudo de opinião. E o senhor, o que faz?” (John Maynard Keynes)

Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Instalado da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, da Academia Mineira Maçônica de Letras, e para nossa alegria, também um colaborador do blog.

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TFA e pós-pandemia

Covid-19: Homens com barba estão menos protegidos pelas máscaras?

“Cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça” (popular)

Em meio às turbulências ora vivenciadas com a pandemia da COVID-19, conjecturar sobre o futuro é sempre tendencioso, certamente podendo descambar para exageros, mas é inevitável não especular a respeito de possíveis cenários. Estamos com tempo para isso.

Limitando-nos à seara maçônica, muito afetada com a necessidade do distanciamento social imposto pelas autoridades de saúde e acatado por nossas lideranças, o retorno às atividades normais após a cessação das medidas restritivas de reuniões enseja preocupações antes não vislumbradas no radar. Afinal, nosso grupo é composto majoritariamente de obreiros com mais de 60 anos, com as vulnerabilidades impostas pela vida.

Que tudo isso passará, não restam dúvidas. Mas, a que preço? A pergunta que não quer calar é: tudo será como dantes? Correremos o risco de novas ondas e necessidade de repetidos isolamentos? No nosso caso, continuaremos a reunirmo-nos em Templos apertados e sem circulação de ar natural, para evitar os olhares indiscretos e quebra dos quesitos de segurança?  Muito receio entre maçons com idade provecta e seus familiares.

Fazendo do limão uma limonada, sabe-se que várias Lojas contornaram as restrições de reuniões lançando mão de encontros virtuais, as festejadas vídeoconferências, que viabilizaram a continuidade, mesmo que mitigada, dos trabalhos administrativos, com apresentação de trabalhos e discussões de temas de interesse, mantendo firmes os imprescindíveis laços de fraternidade.

Ocorre que não houve unanimidade nas participações, haja vista que muitos irmãos não são familiarizados com os recursos ora proporcionados pelas redes sociais. Outros, por questões de ponto de vista, mantiveram-se distanciados, por não aceitarem de bom grado os avanços tecnológicos e mudanças de comportamentos. Porém, nosso tempo merece ser mais bem aproveitado, o aprendizado não pode parar e os conhecimentos e experiências precisam ser compartilhados.

Não é segredo que nós os maçons nutrimos muita afeição pelos nossos pares e tratamo-nos com muito respeito e carinho, o que é um grande tesouro a ser preservado. Dada às novas circunstâncias, alguns cuidados deverão seguramente ser aplicados e, quem sabe, mais um recurso será adicionado ao vestuário tradicional, como a máscara, e o uso obrigatório das luvas, antes colocadas em segundo plano, considerando-se que a ritualística e os procedimentos de reconhecimento exigem proximidade física, em especial nos tradicionais abraços fraternos que caracterizam os verdadeiros encontros de irmãos.

Quanto às sessões presenciais, algumas medidas poderão ser adotadas, quanto ao afastamento físico, sabendo-se que os irmãos mais novos em idade correm menos risco, mas podem se tornar vetores de contaminação em futuras recaídas da espécie. Uma possibilidade a ser avaliada é a de alterações de agendas, no sentido de incluir as reuniões virtuais no cotidiano das Lojas, com as devidas precauções, mantendo as sessões magnas para os fins a que se destinam e as ritualísticas normais para escrutínios e avaliação de obreiros em processos de aumento de salários, dentre outros.

Enfim, como livres pensadores não podemos deixar de avaliar cenários, e mudanças regulamentares serão reclamadas, em face do novo normal que se nos apresenta. Enquanto privados dos encontros presenciais, podemos incentivar e incrementar nossas vídeoconferências com discussões dessa temática, agora enriquecida com um número cada vez maior de visitantes de diferentes Lojas, Ritos, Orientes e Potências, sem falar que nesse contexto estamos participando de mais reuniões dentro do conforto de nossos lares e com interação ainda maior em número de participantes, antes impensável. Para encerrar, quem ainda não leu em nossos grupos de WhatsApp irmãos perguntando onde tem reunião hoje? Novos tempos, novos desafios!

Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Instalado da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, da Academia Mineira Maçônica de Letras, e para nossa alegria, também um colaborador do blog.

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