A corda de 81 nós – Parte 2

Infraestruturas e o gargalo financeiro: como cortar o nó górdio? | JOTA Info
Alexandre corta o nó górdio (Jean-Simon Berthélemy – 1767)

3 – A corda

Quando buscamos nos aprofundar no objeto corda, percebemos que ele é mais do que isso. Conforme registros existentes, as primeiras cordas de que se tem conhecimento remetem a mais de vinte mil anos. Feitas dos mais diversos materiais, peles, fibras, plantas, algodões, entre outros, podemos dizer que, apesar do seu baixo reconhecimento na história como instrumento de alta importância, diversas coisas não seriam possíveis sem ela e deve ser considerado isso até os dias de hoje.

Apesar de parecer um objeto rudimentar, a corda acompanha as civilizações até os dias atuais. Aplicada na construção de grandes monumentos, como as pirâmides e o Coliseu, usada como recurso para confecção das maiores obras de arte, como capela Sistina, ela também foi fundamental para explorações, fabricação de armas, armadilhas de animais e pessoas, domesticações de animais, entre diversas outros usos.

A exemplo, na Grécia antiga, os cabelo longos das mulheres eram usados para fazerem as cordas necessárias para utilização na defesa das cidades. Já no Egito, usavam as cordas com “nós” para delinearem os terrenos a serem edificados, sendo que os “nós” demarcavam os pontos específicos das construções, onde deveriam ser necessárias aplicações de travas, colunas, encaixes, representando, portanto os pontos de sustentação. Também foi utilizada, na Idade Média, como instrumentos para medir e demonstrar dimensões e proporções da cúpula que se desejava construir através da sombra sabiamente provocada por uma luz.

Sua origem mais remota parece estar nos antigos canteiros dos trabalhadores em cantaria, ou seja, no esquadrejamento da pedra informe medieval, que cercava o seu local de trabalho com estacas, nas quais eram presos anéis de ferro, que, por sua vez, ligavam-se uns aos outros, através de elos, havendo uma abertura apenas na entrada do local.

Com a evolução das tecnologias e o avançar da história, a corda também passou por diversas transformações. A exemplo na Idade Média (cerca de 1300) as cordas eram bastante aplicadas nas navegações. As cordas eram fabricadas em até 300 metros de comprimento ou mais e eram chamadas de entrançaduras, Esse sistema que permitia unir duas cordas ou mais, dobrando seu diâmetro. Além da sua aplicabilidade como recursos de trabalhos. a corda em diversos momentos foi utilizada como meio de castigos, penitências, símbolos de orações e marcos na história da humanidade. Além disso, a sua maneira de utilidade varia de acordo com a sua inserção, como laços, tranças, nós, entre outros.

Como exemplos podemos citar as cordas com nós que, ao logo dos anos, se transformaram em correntes, terços e outros meios de oração. Comum entre muitas religiões, a corrente ou cordas possuem nós. Para os mulçumanos, os 99 nós ou contas, simbolizam os 99 nomes de Alá e são conhecidos como misbaha[1] ou subha. Já os Hindus e budistas usavam as cordas e/ou correntes, conhecidas como mala, onde temos 108 nós que refletem os vários estágios de desenvolvimento do mundo. As cordas ou rosários católicos possuem, em média, 165 nós ou contas, divididas em 15 conjuntos de 10 pequenos nós e um grande representando as orações da Ave-maria e Pai Nosso.

Outra representação da corda é com o laço, nesse caso símbolo maçônico que liga alguém à vida. Em alguns ritos, é utilizado em cerimônias especiais.

Segundo FILHO (2012, p.184):

A corda ao redor da cintura é o estado da escravidão às paixões; lembra-nos também o cordão umbilical do feto no ventre materno, um ser sem individualidade. Simboliza tudo o que ainda prende o Profano ao mundo de que está saindo.

Tanto nas literaturas quanto nas mais diversas tradições sagradas, os nós também simbolizam o poder de prender e libertar. No antigo Egito, segundo Connell’ Marks

“… o nó de Ísis[2] (um tipo de Ank[3] com braços amarrados) era um emblema da vida e da imortalidade. Os nós podem ser utilizados para simbolizar o amor e o casamento. Um tema recorrente na arte Celta, seu simbolismo está ligado aos ouroboros5, o movimento e união contínuos dos seres humanos e das atividades cósmicas. Um nó entrelaçado e frouxo simboliza eternidade ou longevidade. Nós apertados simbolizam união, mas também bloqueio ou proteção.“

Outro exemplo marcante da corda e os nós se refere ao nó Górdio. Trata-se de uma lenda que envolve o rei da Frígia (Ásia Menor) e Alexandre, o Grande. Górdio, um camponês que foi coroado com o novo rei da Frígia (Ásia Menor), com o objetivo de não esquecer seu passado e agradecer sua coroação, amarrou sua carroça a uma coluna no templo de Zeus com um enorme nó. Ele, na prática, era impossível de ser desatado, ficando assim famoso.

Quinhentos anos se passaram sem ninguém conseguir realizar esse feito, até que, em 334 a.C., Alexandre, o Grande, ouviu essa lenda ao passar pela Frígia. Intrigado com a questão, foi até o templo de Zeus observar o feito de Górdio. Após muito analisar, desembainhou sua espada e cortou o nó. Lenda ou não, o fato é que Alexandre se tornou senhor de toda a Ásia Menor poucos anos depois.

Continua…

Autor: Marcelo Marcus Martins Costa

*Marcelo é Aprendiz Maçom na ARLS Jacques DeMolay, nº22, do oriente de Belo Horizonte e jurisdicionada à GLMMG.

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Notas

[1]Masbaha ou misbaha (em árabe: مسبحة ), também conhecido como subha ( سبحة ), tasbih ou tespih (تسبيح , [taṣbīḥ]) é um objeto similar a um rosário, de uso tradicional entre os fiéis da religião islâmica. Conhecido na Grécia como kombolói, chamado também de terço grego, terço árabe e terço islâmico, é usado para meditações, orações e pedidos de auxílio.

[2] – Isis é uma das deusas mais importantes da mitologia egípcia! Também chamada de Sait, Ist, Iset, Aset ou Ueset, ficou famosa pela sua postura como esposa e mãe, sendo vista como deusa da fertilidade e da maternidade. Filha de Geb (deus da terra) e Nut (deusa do céu), esposa de Osíris e mãe de Hórus.

[3] – Ankh (pronuncia-se “anrr” nas línguas semitas, como hebraico e árabe. A junção das consoantes k e h cria o som de dois r em um fonema a partir da garganta como uma expiração) conhecida também como cruz ansata, era na escrita hieroglífica egípcia o símbolo da vida. Conhecido também como símbolo da vida eterna. Os egípcios usavam-na para indicar a vida após a morte.

A corda de 81 nós – Parte 1

Desvendamos todos os segredos e tradições da maçonaria em Jaraguá do Sul

“…Eu vejo a vida da mesma forma. Todos nós recebemos cartas aleatórias no início do jogo, alguns cartas melhores. E, embora seja fácil nos fixar no que está na mão, e sentir que nos ferramos, o jogo está nas escolhas que fazemos com essas cartas, nos riscos que decidimos correr e nas consequências com as quais escolhemos viver. Quem, de maneira consistente, faz as melhores escolhas diante das situações que se apresentam acaba ganhando no pôquer, e na vida. Não necessariamente que tem as melhores cartas…” (Mark Manson)

1 – Introdução

Como proposta, esse trabalho busca abordar o tema: A corda de 81 Nós.

Símbolo que consta em diversos contextos dentro da loja como dentro do templo, painel mosaico e historias de antigas reuniões. Porém, apesar de inúmero trabalhos já apresentados pelos IIr∴, ainda percebe-se pouco material de referência, ou até mesmo similares descrições, desprezando às vezes os conceitos existentes por trás do objeto “corda”.

Contudo, antes de darmos seguimento ao descritivo e intrigante tema, que muitas vezes é despercebido por alguns IIr∴, sinto a necessidade de contextualizar um pouco os sentimentos que me levaram a maçonaria, quanto seu enigmático universo de abordagens e conceitos e a capacidade de elucidar as minhas perspectivas diante da escolha do tema. Isso posto, não posso desconsiderar que a escolha do tema também está diretamente ligada ao que entendo como parte do que, mesmo desconhecendo incialmente a abordagem, me levou a aceitar o convite.

A maçonaria entrou num contexto do meu cotidiano através de alguns IIr∴ que prezo como seres realmente diferenciados, seja pela postura na sociedade, pelo conteúdo cultural presente, como também pela busca da evolução quanto ser humano para apoiar com pensamentos e trabalhos o mundo Profano.

Para não se tornar apenas um curioso de avental, ideia ao qual partilhei no início da minha jornada, dentro dos abismos luminosos da Maçonaria, me vi diante de um desafio de aprendizado e busca do conhecimento a fim de entender melhor os propósitos da minha caminhada, tão qual me sinto cada vez mais inserido aos desígnios do G∴A∴D∴U∴.

Com foco em entender melhor esses propósitos não cabe nenhum aprendizado sem a compreensão do real conceito e objetivo do que é a Maçonaria. Sendo assim, se faz necessário conceituar o seu significado e introduzir alguns conceitos que, aos olhos do profano podem ser simplificados e minimizados em sua importância, mas que nos olhos dos iniciados abrem portas para crescimentos e evoluções espirituais inimagináveis até aquele momento.

Dessa forma esse trabalho terá como parte de sua introdução o conceito da maçonaria em sua íntegra, se desdobrando para os conceitos de simbologia, aplicabilidade dele no objeto corda e suas aplicações na história e por fim a corda de 81 nós.

1.2 – Maçonaria

Muitos perguntam o que é a maçonaria? Contudo, poucos entendem, dentro do mundo profano, seus principais objetivos. Dessa forma, para melhor esclarecer a maçonaria proponho entendermos o significado da palavra na sua integra e, posteriormente, fazer uma associação aos seus conceitos como instituição e as características de um maçom.

A palavra Maçonaria é de origem francesa e significa construção, tendo como versão em português a expressão do francês maçon. Por extensão tem seu significado como “associação de pedreiros”.

Como se pode ver a maçonaria está relacionada à construção, associação de pedreiros que remetem ao crescimento, desenvolvimento e construção da sua personalidade dentro da instituição. Sempre seus atos são encaminhados ao conceito das obras realizadas. Não apenas pelo conceito literal da palavra, mas pelo seu significado e desenvolvimento diante dor IIr∴ e da sociedade como um todo. a qual identificamos como o mundo profano.

Entendendo melhor a maçonaria, Denizart Filho (2012, p.23) define bem como:

A Maçonaria é uma instituição filantrópica, filosófica e progressista, tendo por objetivo o aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual da humanidade, por meio da investigação constante da verdade, do culto inflexível da moral e da prática desinteressada da solidariedade.

A Maçonaria é uma associação de homens sábios e virtuosos, que se consideram Irmãos entre si e cujo fim é viverem em perfeita igualdade, intimamente unidos por laços de recíproca estima, confiança e amizade, estimulando-se uns aos outros na prática das virtudes.

A Maçonaria é um sistema de Moral, velado por alegorias e ilustrado por Símbolos.

A Maçonaria é uma ordem de fraternidade Universal, sujeita às leis de cada país. Em cada Estado, como em cada Loja, ela é uma sociedade íntima de homens escolhidos, cuja doutrina tem por BASE o amor a Deus e o amor aos homens; por REGRA, a religião natural e a moral universal; por CAUSA, a verdade, a luz e a liberdade; por PRINCÍPIO, a Igualdade, a Fraternidade e beneficência; por ARMAS, a persuasão e o bom exemplo; por FRUTO, a virtude, a sociabilidade e o progresso; e por FINALIDADE, o aperfeiçoamento e a felicidade da humanidade que ela tende a reunir sob uma só bandeira. Seu centro e seu império estão onde está o gênero humano; não se trata de uma sociedade secreta, mas de uma sociedade que tem um segredo.

Em cima das apresentações do que é a maçonaria, dentro das definições apresentadas por Denizart Filho (2012, p.110-111), um maçom deve ter como principais características:

  • A Virtude: Hábito de praticar o bem, o que é justo; é a excelência moral; probidade; retidão; o conjunto de todas as qualidades morais;
  • Honra: O sentimento que leva o homem a merecer e manter a consideração pública; é à consideração ou homenagem à virtude, ao talento, às boas qualidades humanas;
  • Bondade: É a disposição natural de se fazer o bem; benevolência; brandura; indulgência; boa índole.

Dentro desse processo de construção do aperfeiçoamento moral além dos estudos e trabalhos a serem realizados, a Maçonaria se constitui por características específicas, “armas para buscar a verdade, valores do qual deve se lembrar sempre em sua evolução, rituais e símbolos”. Esse ultimo designa um papel fundamental em resgatar de forma lúdica os conceitos e valores que regem as origens e prerrogativas dessa sociedade.

2 – Símbolos

Todas as historias, sejam da constituição de uma sociedade, irmandade, grupos religiosos, tão quais as crenças de em todas as suas culturas e localidades são compostas e/ou representadas por símbolos. Essas apresentações trazem conceitos, mensagens ocultas, ou simples representações que remetem sempre a algo de maior grandeza para os integrantes ou seguidores daquela ordem proposta. Importante ressaltar que suas origens, ao contrário do que se entende das propostas comuns citadas tem suas origens em outros meios.

Para entendermos melhor, Mark O’Connel e Raje Airey (2010, p.06) apresentam a sua origem sendo:

A palavra “símbolo” é derivada do grego antigo Symballein, que significa agregar. Seu uso figurado originou-se no costume de quebras um bloco de argila para marcar o término de um contrato ou acordo: cada parte do acordo ficaria com um pedaço e, assim, quando juntassem os pedaços novamente, eles poderiam se encaixar como um quebra cabeça. Os pedaços, cada um identificando uma das pessoas envolvidas, eram conhecidos com Symbola.

Portando um símbolo não representa somente algo, mas também sugere “algo” que está faltando, uma parte invisível que é necessária para alcançar a conclusão ou a totalidade. Consciente ou inconscientemente, o símbolo carrega o sentido de unir as coisas para criar algo maior do que a soma das partes, como nuanças de significado que resultam em uma ideia complexa.

Os autores ainda complementam:

Os símbolos são o coração da identidade cultural, passando informações sobre todos os aspectos da vida. São retirados de todas as fontes – animadas e inanimadas – para inspiração e aparecem em todas as formas concebíveis, tais como figuras metáforas, sons e gestos, como personificações em mitos e lendas ou representados através de rituais e costumes.

Quando abordamos no âmbito da maçonaria ela destaca esse elemento conceituando simbolismo e símbolos. Não muito diferente dos conceitos já apresentados podemos dizer que o simbolismo se refere a um conjunto de símbolos. Esses remetem a fatos, crenças e formas de comunicação. Muito das suas origens e significados, acreditam terem surgidos nos templo egípcios e depois espalhados pelos demais povos.

Já os símbolos, pode se dizer que são representações emblemáticas de ideias ou princípios.

Segundo Denizart Filho (2012, p.65):

Em Maçonaria, todos os Símbolos são ligados à arte de construir, desde os objetos de construção, até ao exercício do ofício de do pedreiro; tais são: o Compasso, o Esquadro, a Régua, o Nível, o Prumo, a Trolha, aos quais hoje se empresta um sentido todo moral, espiritual e filosófico.

Dessa forma, levando em conta os objetivos e significados dos símbolos e, por consequência, o simbolismo na maçonaria, mediante os seus princípios é que abordaremos um dos símbolos mais presentes na historia da humanidade, a Corda. Objeto esse sempre presente nas mais diversas frentes e com as mais variadas aplicações e significados. Quando falamos sobre a maçonaria, esse objeto se destaca na Iniciação e na presença em Loja da corda de 81 nós.

Continua…

Autor: Marcelo Marcus Martins Costa

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Episódio 33 – O número 33

A maioria dos Maçons e não Maçons associam o número de graus do Rito Escocês Antigo e Aceito com a idade que estava Jesus Cristo quando foi crucificado. Isto é uma grande bobagem e um grande perigo, pois automaticamente nos vincula a uma doutrina religiosa. (music: Slow Burn by Kevin MacLeod; link: https://incompetech.filmmusic.io/song/4372-slow-burn; license: https://filmmusic.io/standard-license)

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Protegido: O Quadro de Loja de Companheiro no REAA – História e Simbólica (para ter acesso ao texto digite a p∴ s∴ de Comp∴)

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A Câmara de Reflexões

Nicolas Poussin: Sacramento do Batismo, 1642.

I – Uma inspiração

Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus”.

Nicodemos perguntou-lhe: “Como pode um homem renascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez?”.

Jesus responde: “O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito.”

Sagradas Escrituras – Evangelho de São João, Capítulo 3, Versículos 3, 4 e 6.

Pieter Claez: Vanitas, 1625

II – Uma reflexão

A pintura propõe uma reflexão sobre a insignificância da vida terrena, a certeza da morte, a efemeridade das vaidades e a transitoriedade das coisas materiais. Uma tela típica da estética barroca, simbólica, do gênero natureza morta do século XVI. Este gênero é um tipo de arte simbólica chamada de “Vanitas” (vaidades em Latim), feita para impressionar o espectador, incluem símbolos como caveiras, que são lembretes da inevitabilidade da morte; ampulhetas, que são simbolizam a brevidade da vida; e assim por diante, presente na expressão latina “memento mori” que, se traduzido literalmente, significa “lembre-se da morte”.

III – Uma alegoria

Na Alegoria da Caverna, Platão descreve que alguns homens, desde a infância, se encontram aprisionados em uma caverna. Nesse lugar, não conseguem se mover em virtude das correntes que os mantém imobilizados. Virados de costas para a entrada da caverna, veem apenas o seu fundo. Atrás deles há uma parede pequena, onde uma fogueira permanece acesa. Por ali passam homens transportando coisas, mas como a parede oculta o corpo dos homens, apenas as coisas que transportam são projetadas em sombras e vistas pelos prisioneiros. Certo dia, um desses homens que estava acorrentado consegue escapar e é surpreendido com uma nova realidade. Ao olhar a luz da fogueira seus olhos ficam ofuscados, pois ele nunca tinha visto a luminosidade. Ele caminha mais e com dificuldade chega à saída da caverna, deparando-se com uma luz ainda mais intensa: a luz do sol. Assim, a luz representa a sabedoria que liberta dos grilhões da ignorância.

IV – Uma alquimia

Os alquimistas acreditavam que o mundo material era composto por matéria-prima sob várias formas. As primeiras dessas formas eram os quatro elementos (água, fogo, terra e ar). Através da destilação, combustão, aquecimento e evaporação seria possível transformar uma forma ou matéria em outra. As matérias-primas do processo alquímico são, entre outras, o sal, o mercúrio e o enxofre. A Alquimia, deve ser interpretado como uma metamorfose, uma passagem de um plano de realidade para outro e a modificação do sujeito em sua própria natureza. Em outras palavras, à medida que o alquimista se transforma interiormente, ele aumenta sua capacidade de modificar o mundo que o cerca.

V – Uma boa nova

Na tradição cristã é o galo quem anuncia a boa nova, tanto do nascimento de Jesus, cantando à meia-noite, quer saudando, ao nascer da aurora, a Ressurreição de Cristo para a vida eterna. De fato, na simbologia cristã, o Galo simboliza a nova luz. A Missa do Galo, também conhecida por Missa da Meia-Noite, é a missa da luz.

O Galo também simboliza o estado de vigília e vigilância, sobretudo na luta pelo bem e contra a traição e os desvios dos princípios da ética. É o galo que irá anunciar, com o seu canto, a traição de Pedro a Jesus, negando, por três vezes, conhecê-lo:

“Em verdade te digo: Hoje, nesta mesma noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes me terás negado (Marcos 14:30)”.

O galo anuncia que as trevas da noite dão lugar à luz do novo dia, na tradição Cristã, como o Sol, Jesus, com seu nascimento, traz a luz verdadeira para a humanidade.

Autores: Fabiano Fontana Breda; Robson Posnik; Cleverson Veríssimo Zawadski

Orientador: Marco Aurélio Visintin

A.·. R.·. L.·. S.·. Joaquim Gonçalves Ledo No. 3079 – Curitiba/PR.

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Referências

http://pedro-juk.blogspot.com/2018/07/camara-de-reflexao-ii.html

http://cidademaconica.blogspot.com/2007/07/reflexes-sobre-cmara-de-reflexes.html

https://focoartereal.blogspot.com/2016/04/camara-de-reflexoes.html

https://www.freemason.pt/secmaconaria/simbolismo/a-camara-de-reflexao/amp/

https://bibliot3ca.com/os-simbolos-sal-enxofre-e-mercurio-da-camara-de-reflexoes-e-a-sua-genese-e-interpretacao-no-reaa/https://www.freemason.pt/macons/o-macon/o-meu-testamento-maconico/

Zodíaco no REAA – Entenda as razões das colunas zodiacais no templo

Filhos do Arquiteto Brasil — O ZODÍACO E A MAÇONARIA: Era o 117° rito...

O Zodíaco apareceu nos rituais do REAA como herança da Lojas Mães Escocesas. Dentre outros, essas Lojas organizavam na França os trabalhos concernentes ao simbolismo do Rito. Destaque-se que é dessa época, mais precisamente no ano de 1804 na França, o aparecimento do primeiro ritual do REAA e que seria publicado oficialmente em 1821 (estima-se) no “Guide des Maçons Écossais”. É bom que se diga que nesta época o simbolismo do REAA enfrentava nos seus primórdios de existência a sua consolidação e aperfeiçoamento. 

Até 1815 existiu dentro do Grande Oriente da França, junto com o Segundo Supremo Conselho, uma Loja Geral Escocesa com o fito de organizar o simbolismo. Essa Loja Geral viria se extinguir por volta de 1815.

Muitos símbolos e costumes pertinentes às primeiras lojas simbólicas do REAA são frutos hauridos das Lojas Mães Escocesas (Marselha, Paris e Avinhão, por exemplo).

Em linhas gerais, as quatro principais contribuições das Lojas Mães para com o aprimoramento do ritual simbólico do escocesismo nos seus primeiros anos de existência foram: primeiro, a disposição das Colunas Vestibulares B e J tal como a usada pela Maçonaria anglo-saxônica (B à esquerda e J à direita de quem entra); segundo, a aclamação Huzzé; terceiro as constelações do zodíaco fixadas na base da abóbada; quarto, a consolidação da cor vermelha para o Rito.

Outras fontes principais que influenciaram esse primeiro ritual, além daqueles hauridos das Lojas Mães, foram o “Régulateur du Maçom” e os rituais ingleses da Grande Loja dos Antigos (divulgados pela exposição “The Three Distinct Knocks”, de 1760).

Em relação às colunas zodiacais e as constelações do zodíaco dispostas tais como se apresentam hoje, o que se pode dizer é que as doze colunas primitivamente não eram utilizadas, aparecendo nos primeiros tempos apenas as constelações zodiacais, ou os símbolos correspondentes ao zodíaco, cujos quais iam fixados ao alto na base da abóbada – seis no setentrião e seis no meridião. Destaque-se que essa decoração, apenas com constelações (ou os símbolos do zodíaco) ainda é empregada no lugar das colunas zodiacais em muitos templos do REAA atualmente.

Assim, as colunas zodiacais foram utilizadas para marcar a posição das constelações zodiacais, já que muitas abóbadas não seguiam essa decoração, isto é, omitiam nela o zodíaco. Provavelmente foi dado a isso que se passou a utilizar meias-colunas verticais – como que encravadas nas paredes – para projetar as constelações ausentes na base da abóbada (marcavam essa existência).

Deste modo, as colunas zodiacais, então colocadas para suprir a falta das constelações, acabariam se tornando elementos obrigatórios segundo muitos rituais do simbolismo do REAA. 

Com as suas presenças como símbolos do zodíaco, as colunas então trazem nos seus capiteis, ao invés da constelação fixada na abóbada, pantáculos (símbolos que possuem significado de natureza esotérica) relativos à cada um dos signos do zodíaco.

Atinente ao porquê do simbolismo iniciático dessas colunas no REAA, elas correspondem a faixa no mapa celeste que as doze constelações ocupam. Desta forma, o zodíaco, em Maçonaria, nada tem a ver com prognósticos acerca de uma pessoa em relação aos astros no dia do seu nascimento. 

No REAA o zodíaco é utilizado apenas como alegoria iniciática. Nesse sentido, os alinhamentos correspondentes à Terra, o Sol e as respectivas constelações zodiacais,
agrupados sequencialmente de três em três, representam a primavera, o verão, o outono e o inverno – nascimento, vida e morte na Natureza adequada ao hemisfério Norte do nosso Planeta.

Sob a óptica iniciática maçônica, esses ciclos são representados no templo pelas colunas zodiacais a partir de 21 de março (constelação de Áries) que é o início da primavera no Norte. Dessa forma, a vida simbólica do Iniciado acompanha a sequência desses ciclos naturais (primavera, verão, outono e inverno).

Emblematicamente se relacionando às etapas da existência humana – a infância, a adolescência, a juventude e a maturidade – essas fases se comparam à primavera, ao verão, ao outono e ao inverno, respectivamente. 

Com isso, a jornada iniciática dos três graus universais da Maçonaria seguem as estações representadas pelas colunas zodiacais a partir de Áries (primavera no Norte). É sob esse formato que as colunas vão dispostas, seis ao Norte e seis ao Sul. Divididas em quatro grupos de três, elas marcam os ciclos naturais e indicam o caminho que o Iniciado deve seguir, rompendo o seu percurso ao nascer na primavera para simbolicamente fenecer no inverno e, em seguida, tal como a Natureza revivida, reviver na Luz.

O Iniciado, ao percorrer a senda demarcada pelas colunas zodiacais simula seu aprimoramento como Aprendiz (infância-adolescência) nas seis primeiras colunas, de Áries até Virgem (Norte); o Companheiro (juventude) em Libra ao Sul e o Mestre prossegue nas colunas restantes em direção ao solstício de inverno quando a Natureza se prepara para ficar viúva do Sol (vide cultos solares da Antiguidade).

Assim, esse foi um breve relato sobre o significado da presença das colunas zodiacais nos templos do REAA. Evidentemente que esse é um percurso simbólico, contudo de conteúdo altamente significativo no que concerne à transformação e o aprimoramento – uma das doutrinas do Rito.

Por fim, toda essa proposição simbólica demonstrada busca explicar a importância emblemática dos solstícios e equinócios na liturgia maçônica. Não à toa que Câncer aparece no templo sempre ao Norte e Capricórnio ao Sul. Não menos importante ainda é lembrar que os solstícios de verão e de inverno ao Norte (onde nasceu a Maçonaria), correspondem respectivamente às datas comemorativas de João, o Batista e João, o Evangelista (as Lojas de São João). Ainda nesse contexto é bom lembrar que as Colunas B e J, também conhecidas como “pilares solsticiais”, marcam a passagem dos trópicos de Câncer e Capricórnio no templo – o Sol não ultrapassa os Trópicos e o Iniciado percorre os “ciclos”. O resto é estudar e compreender, destacando que o conhecimento esotérico é reservado apenas aos Iniciados. Eis aí os subsídios.

Autor: Pedro Juk

Fonte: Blog do Pedro Juk

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Equinócio da Primavera

Primavera - Guia Estudo

Solstícios e Equinócios marcam o início das estações do ano e estão relacionados à incidência dos raios solares e à inclinação da Terra. A estação da primavera é marcada por uma maior incidência de floração com o desabrochar das flores. Também na primavera os animais que hibernaram no inverno saem de suas tocas e as abelhas, bem como as borboletas, ficam mais ativas.

A vida também é marcada em ciclos. O rei Salomão chegou a relacionar a juventude com a primavera da vida e podemos pensar que o processo de envelhecimento nos leva a passar pelo verão com a maturidade, pelo outono com relativa baixa no vigor físico e pelo inverno com o embranquecimento dos cabelos, com a perda de apetite e, por fim, com o romper do fio de prata. Mas assim como as estações se repetem ano após ano, vários ciclos são abertos e fechados no curso da vida.

Segundo Freud, somos seres marcados pela repetição e a organização da vida em ritos, rotas e rotinas é um bom exemplo disso. Infelizmente, a maior parte das pessoas demora muito tempo para aprender que não há coincidências na vida, nem mesmo nas circunstâncias do nascimento ou da morte. A grande questão é se teremos um papel ativo ou passivo nos diversos ciclos da vida.

No dicionário os termos expectativa e perspectiva são sinônimos, mas do ponto de vista da vida psíquica são posições subjetivas antagônicas. A expectativa equivale a uma posição subjetiva passiva, uma posição na qual o expectador da vida torce ou reza para que a vida melhore, mas ele ficará passivamente esperando e deixando a vida o levar. A perspectiva equivale a uma posição subjetiva ativa na qual o sujeito muda o seu ponto de vista, muda o seu jeito de olhar e assim passa a ver algo que antes não se via na outra posição.

Muitos vivem de expectativas e não percebem que a grande virada na vida é assumir o risco de uma nova perspectiva.

Não é porque se encara algumas situações na vida como tragédias que elas sejam, de fato. Quando se escolhe encarar as tragédias como oportunidades de crescimento descobre-se que elas são também desafios necessários para que haja mudança e novos ciclos na vida

Seja lá quantas primaveras já se tenha vivido, ao se olhar para trás, não para os dias belos, claros e coloridos de primaveras e verões, mas para aqueles dias mais difíceis, cinzas, em vários ciclos de outono e inverno que se experimentam na vida, é possível perceber que são justamente estes dias mais difíceis que fazem tornar-se a pessoa que se é hoje.

Os ciclos vêm e vão, portanto, nenhuma doçura será eterna e nenhum amargor será perene. Os dias coloridos da primavera fazem valer os dias cinzas do inverno. Quando a
abelha produz o mel vale o tempo que ela não voou. É preciso aprender a receber, aceitar e viver com intensidade os variados ciclos. A primavera traz a oportunidade do descobrir e do gostar, o verão abre as portas do aventurar, no outono vem a possibilidade de melhor se conhecer e o inverno é a época de se proteger. Todo dia, seja de qual ciclo for, é dia de viver para ser tudo o que puder ser, seja lá o que for.

A vida não nos apresenta garantias, mas riscos. É como o desbastar de uma Pedra Bruta: Você pode se lascar ou sair polido. Como então podemos melhorar a perspectiva sobre a vida?

Voltando a Freud, o desejo fundamental das pessoas é sentir-se amado. Tudo o que se deseja ou teme é porque anseia-se por amor, tem-se a expectativa de ter mais tempo para sentir-se amado e teme-se a morte e o fim do sentir-se amado. Podemos, então, medir a vida observando o amor, o tempo e a morte.

Quer se sentir amado? Mude de atitude, comece a viver! O amor está em tudo e dentro de todos.

O amor está na luz e na escuridão, na bonança e na tempestade, no sorriso e na dor.

Quer goste ou não disso, não tente viver sem amor. Não se pode escolher a quem se ama e nem quem fará sentir-se amado, mas não se deve abrir mão do desejo de amar-se a si mesmo. Excelente obra almeja quem ama o seu próximo, nem por isso deve deixar de amar a si mesmo. O desejo de sentir-se amado pode começar a ser realizado tornando-se amado.

Segundo Einstein, o criador da teoria da relatividade, o tempo é uma ilusão, embora teimosamente persistente. O tempo não vai do meio dia à meia noite, nem de janeiro a dezembro. Essas são percepções limitadas e por isso muitos reclamam que não têm tempo suficiente, que a vida é curta, que os cabelos estão ficando brancos ou caindo. O tempo é abundante, é um presente! O tempo transforma o cinza das dores do inverno em cores na primavera, mas ele também transforma as cores em cinzas. Talvez o tempo seja outro nome para o que chamamos de vida…

Por fim, a morte. Ela causa dor, inspira medo, enfim, é implacável, mas também é simbólica e representa o fim de ciclos que podem ser trágicos ou transformadores, a depender da perspectiva. A morte da larva também é a transformação da borboleta. As pessoas são como larvas em casulos de borboletas. O casulo é o que se vê no espelho e quando este casulo sofre algum dano físico ou psíquico, pode-se ver uma tragédia, mas poder-se-á também ver a libertação da borboleta.

As pessoas que vivem vida plena, que experimentam o amor e aproveitam o tempo, jamais terão medo da morte. A morte pode ser a maior realização que nos aguarda, destarte, se deseja viver bem a vida, pense na morte. Não se preocupe com a morte, mas com as escolhas que faz na vida. Se cuidar hoje do abrir e fechar ciclos na vida, então ter-se-á uma experiência incrivelmente feliz no momento da morte. Parafraseando Freud, pouco valerá saber se não experimentar o que se sabe.

Eis que chega mais um Equinócio da Primavera. Finda-se um ciclo de inverno em que muitos perderam, vários choraram e alguns se perderam. Com a primavera boas novas andam pelos campos e pelas ruas. O que vai brotar, crescer e colorir a vida é o que se semeia também nos dias cinzas, nos dias difíceis. Quem tem o ideal de tornar feliz a humanidade deve aproveitar os ventos da tempestade para semear amor e usar o tempo para inventar algo que venha trazer a luz da primavera.

Faço votos de que neste ciclo da primavera você possa trazer à memória aquilo que dá esperança, não se esquecendo das folhas tristes do outono e das noites frias do inverno, para apreciar o perfume das flores e fazer brotar as lições sobre a vida que já se sabe de cor, mas que resta aprender!!!

Autor: Júlio César Mendes Pereira

*Júlio César é Mestre Maçom da ARLS Águia das Alterosas, Nº 197 – GLMMG, oriente de Belo Horizonte.

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O Quadro da Loja de Aprendiz no REAA – História e Simbolismo

Figura 1 – “Catéchisme des franc-maçons “ de Leonard Gabanon, 1744

Por Quadro, Painel, ou Tapete de Loja entende-se a representação gráfica colocada, na maior parte dos ritos maçónicos, no centro do Templo, sobre o pavimento de mosaico. Neste quadro alegórico encontram-se plasmados os símbolos associados ao grau a que se reportam os trabalhos em curso.

Este elemento de decoração do Templo simboliza a Loja, é um dos símbolos presentes na Loja e, constitui uma verdadeira “caixa de ferramentas” simbólicas de elevado valor pedagógico, no desenvolvimento do trabalho maçónico.

Muito embora existam evidências da sua utilização em Inglaterra, na tradição da Grande Loja dos Modernos, é na Maçonaria Continental oitocentista que se encontra a verdadeira génese do Quadro de Loja, na sua concepção atual. Assim:

  • Na mais antiga divulgação publicada em França, datada de 1737 e, denominada “Recepcion d’un frey-maçon”, documento este transcrito do relatório do tenente de polícia Herault, elaborado com base em informações recolhidas por Mle. Carton, corista da Opera de Paris, encontra-se a referência 

“em volta de um espaço delimitado sobre o pavimento, onde se desenhou a giz uma espécie de representação, sobre duas colunas do átrio do Templo de Salomão”.

  • Em 1744 o “Catéchisme des franc-maçons de Leonard Gabanon (pseudónimo de Louis Travenol) para além de incluir reproduções de um “Plano da Loja para a recepção de um Aprendiz-Companheiro” e, de um “Plano de Loja para a recepção de um Mestre” apresenta uma série de gravuras, que ilustram a realização das cerimónias de iniciação e, de exaltação, confirmando a descrição de Herault.
  • Em 1745 a exposição “L’Ordre des franc-maçons trahi et le secret des mopses révélé“, reproduz igualmente modelos de Quadros de Loja para os mesmos graus, precisando que 

“o que se denomina propriamente a Loja, quer isto dizer as figuras desenhadas sobre o pavimento nos dias de recepção deve ser desenhado a giz literalmente e não pintado sobre uma toalha que se guarda expressamente para estes dias em algumas Lojas”.

De toda esta informação e, em especial, das gravuras de Léonard Gabanon, ressalta que a importância do Quadro de Loja era, à época, marcante na realização das cerimónias maçónicas.

Verdadeiro polo estruturante da vida e, da circulação na Loja, o Painel constituía-se como imagem-arquétipo, simbolizando o estaleiro de construção do Templo de Salomão.

O Quadro transportava, pois, para um espaço e, um tempo, que religavam a Loja à existência da sua origem mítica e, permitia um suporte catequético para um trabalho didático, o qual fruto das reflexões e, contribuições interpretativas de sucessivas gerações de Irmãos, deu origem ao que hoje se designa de Simbólica Maçónica.

A posição central do Quadro favoreceu o desenvolvimento de uma deambulação circular, um posicionamento face-a-face alinhado com as colunas, uma estruturação na direção do Oriente e, uma distribuição espacial dos Oficiais suportada em critérios de ordem funcional e, simbólica.

Figura 2 – Quadro de Loja para a recepção de um Aprendiz-Companheiro “L’Ordre des franc-maçons trahi et le secret des mopses révélé“, 1745.

Das primeiras representações de Quadros de Loja publicadas ressalta, desde logo,  a forma retangular que assumem, em perfeita analogia com as características geométricas da maior parte das salas onde se realizavam as Sessões.

Outro aspecto fundamental consiste na orientação espacial denotada por estes painéis, materializada através da referenciação dos pontos cardeais convencionalmente atribuídos aos seus quatro lados, indicados na forma Iniciática (Ocidente – Oriente – Setentrião – Meio-Dia).

Os Quadros desta época são muito “operativos”, com grande ligação simbólica à construção.

Em geral, assentam sobre a representação de um pavimento de mosaico em dois níveis, ligados por um lanço de escadas composto por sete degraus, dotados de geometria semicircular. O nível superior encontra-se, correntemente, protegido por uma balaustrada.

Os degraus são ladeados pelas duas colunas evocativas das existentes à entrada do Templo de Salomão, dispostas segundo a disposição moderna (J à esquerda – B à direita), uma vez que durante todo o século XVIII a Maçonaria masculina praticada em França derivou, essencialmente, desta tradição.

Na maior parte dos exemplos, localizando-se o espaço mítico retratado no Templo em fase de construção, aparecem representadas as suas três portas e, as suas três janelas, localizadas no Ocidente, Oriente e, Meio-Dia.

Os símbolos ligados à construção apresentam-se com disposição espacial variável sendo corrente encontrarem-se representações de outros apetrechos, para além dos que correspondem às joias móveis (esquadro-nível-fio de prumo) e, dos inerentes ao Aprendiz (malhete e cinzel). Destes utensílios, hoje em desuso nos Quadros do 1º Grau, salientam-se o machado, a trolha e, a picareta. A corda, dotada frequentemente de um ou dois laços de Amor, aparece apenas como símbolo de utensilio ligado à construção, encimando o Quadro.

Durante todo o século XVIII as representações do Sol e da Lua aparecem, indistintamente, à esquerda ou à direita da parte superior do painel, configurando um triangulo com a estrela flamejante, que então representava o Mestre da Loja, símbolo este de outro símbolo, o Supremo Arquiteto do Universo.

Refira-se, ainda, que é frequente a marcação, nos cantos superiores do Quadro e, no seu canto inferior do lado do Meio-Dia, das posições nas quais deveriam ser dispostos os candelabros das “estrelas” que o circundavam, e que também simbolizavam o ternário “Sol – Lua – Mestre da Loja”, configurando um esquadro, com a respetiva base voltada para o Oriente.

No último terço do século XVIII os Quadros de Loja passaram a ser, generalizadamente, pintados sobre tecido, tendo as salas onde se realizavam as sessões vindo a assumir um caráter e, uma decoração específica para o efeito. Os símbolos empregues nos Painéis, a sua distribuição espacial e, o seu aspecto gráfico foram também denotando uma maior dispersão de critérios conceptuais, acentuando-se esta diversidade com o advento de distintos ritos.

O Quadro de Loja integrava a decoração do Templo no Rito Francês, de 1801, conforme se encontra definido no “Régulateur du Maçom”, ocupando a posição central da loja, circundado por três “estrelas” com a mesma disposição atrás descrita.

Segundo René Desaguliers, pode-se começar a falar de Ritos Escoceses quando aparecem rituais, relativos aos graus simbólicos, nos quais esta disposição das “estrelas” é invertida, passando a base do esquadro que configuram, a estar a Ocidente e, a sua interpretação simbólica a identificar-se com o ternário “Sabedoria –Força – Beleza”.

Não é, pois, de estranhar, que os primeiros Rituais de Loja de S. João do REAA, de 1804, tenham adotado esta disposição, evoluindo a simbologia considerada nos respetivos Painéis para os modelos constantes em vários Telhadores publicados na primeira metade do séc. XIX, dos quais os mais significativos são os apresentados no Tuilleur de Vuillaume, de 1820.

Figura 3 – Quadro de Loja de Aprendiz, “Tuilleur de Vuillaume”, 1820

Constata-se, da observação dos Quadros de Loja desta época, que a sua geometria convergiu para a forma de um retângulo pitagórico, cujos lados se relacionam dimensionalmente na proporção de três para quatro.

Por vontade de precisão técnica, decorrente do desenvolvimento do pensamento científico, os pontos cardeais iniciáticos, utilizados no século anterior, foram correntemente substituídos pelos pontos cardeais profanos (Norte-Sul-Este-Oeste).

A corda passou a simbolizar a Cadeia de União, circundando todo o painel, com exceção do Ocidente, no qual permanece aberta, para ilustrar que a Maçonaria se encontra sempre receptiva a receber novos obreiros. No princípio do século XIX o número de laços de Amor mais frequentemente encontrado é de sete, dado que sendo este o número simbólico da conclusão, a corda assim representada pretende transmitir que o objetivo final da Arte Real é a Cadeia de União.

A definição da localização espacial da Loja de Aprendiz, relativamente ao Templo de Salomão, tornou-se objeto de interpretações divergentes, que perduram passados dois séculos, tendo esta questão dado origem a que nos Quadros de Loja do inicio do século XIX tenha desaparecido o pavimento de mosaico, por ser entendido que o Aprendiz ainda se encontra à porta do Templo, sendo pois confrontado com esta, depois de ter subido uma escada com numero de degraus idêntico à da sua idade simbólica. Tal critério foi igualmente adotado na elaboração dos emblemas dos dois primeiros graus do REAA, ilustrados no livro de  J. T. Loth, publicado em 1875.

A porta, em alguns painéis fechada, noutros aberta, apresenta-se ladeada pelas duas colunas. Estas, nos Quadros de Loja do REAA, cujos graus simbólicos nasceram em 1804, encontram-se já dispostas segundo o posicionamento Antigo (J à esquerda – B à direita).

As colunas aparecem, em geral, encimadas por três romãs e, o frontão do Templo, que se sobrepõe à porta, normalmente é espiritualizado através da ostentação de um Delta Radiante.

Não encontramos mais, neste período, representações de portas a Oriente e, no Meio-Dia, mantendo-se a presença das três janelas, nas suas formas e disposições habituais.

Para além das joias móveis, imóveis, do malhete e, do cinzel, não subsistem outros símbolos no primeiro grau, sendo estes, em geral, representados desagrupados.

O Sol e a Lua aparecem na parte superior do Painel, estabilizando-se o primeiro à direita e, a segunda à esquerda.

Entre os simbolistas do princípio do século XX verificaram-se divergências de opiniões no que concerne à geometria a adotar para a pedra trabalhada, à inclusão do pavimento de mosaico e, ao número de laços de Amor a adotar na corda, perdurando muitas delas até à atualidade.

O padrão geral manteve-se, contudo, inalterado por cerca de século e meio, verificando-se já em meados do séc. XX a introdução de modificações significativas, decorrentes da evolução dos rituais, muitas delas devidas a uma tendência de britanização do Rito, nos seus graus simbólicos, que ocorreu a partir dos anos 50, na Grande Loja de França.

Esta evolução (ou involução, conforme as diferentes opiniões) deveu-se à vontade desta Obediência de ser reconhecida pela Grande Loja Unida de Inglaterra, o que motivou esta tentativa de tornar a prática ritualística dos graus simbólicos do REAA mais semelhante aos “workings” ingleses e, como tal, mais aceitável pelos Irmãos do outro lado do Canal da Mancha.

Figura 4 – Quadro de Loja de Aprendiz, Grande Loge de France, 1962

Neste exemplo extraído do ritual de referência da GLdF, de 1962 (Fig. 4) podemos constatar o desaparecimento da representação da Porta do Templo e, do seu frontão, verificando-se já uma tentativa de distribuição espacial dos símbolos analógica com o seu posicionamento na decoração da Loja.

Aparecem-nos, assim, o pavimento de mosaico na sua forma reduzida (atualmente a mais utilizada em França), o Altar dos Juramentos com as três Grandes Luzes da Maçonaria agrupadas na posição correspondente ao Grau de Aprendiz, as Pedras Bruta e Trabalhada colocadas na sua disposição habitual em Loja, as ferramentas do Aprendiz situadas do lado da sua coluna e, as Joias Móveis dispostas nos locais onde se situam os altares dos Oficiais respetivos (Esquadro/Venerável Mestre Nível/1º Vigilante-Perpendicular/2º Vigilante).

Como elementos característicos de uma influência Britânica notória destacam-se:

  • A Bíblia, que não existiu no REAA como Livro da Lei Sagrado, em França, entre 1829 e 1953;
  • A Régua de 24 Polegadas, como símbolo do Primeiro Grau;
  • Três pilares, de ordem arquitetónica Jónica, Dórica e, Coríntia, respetivamente, que simbolizam o ternário Sabedoria – Força – Beleza e, que se encontram dispostos nas posições de cada um dos Oficiais que o personificam (Venerável Mestre/Coluna Jónica/Sabedoria – 1º Vigilante/Coluna Dórica/Força – 2º Vigilante/Coluna Coríntia/Beleza).

Refira-se, ainda, que neste exemplo a corda só se encontra dotada de três laços de Amor, correspondentes à idade simbólica do Grau (três anos) e, saliente-se o fato de nos Painéis de loja só constarem duas cores, o negro e o branco, à semelhança das existentes no pavimento no qual assenta, de modo a serem evitadas controvérsias no que concerne à interpretação simbólica de outras cores, as quais suscitariam sempre opiniões divergentes.

No exemplo seguinte, correspondente ao modelo de referência introduzido na mesma Obediência francesa, em 1979, e que permanece em vigor, reflete-se alguma preocupação de retorno à simbólica tradicional do REAA, não deixando, contudo, de transportar tendências da versão atrás descrita.

Figura 5 – Quadro de Loja de Aprendiz, Grande Loge de France, 1979

Assinale-se um regresso aos pontos cardinais iniciáticos, à reintrodução do Pavimento de Mosaico, da Porta do Ocidente e, do Frontão do Templo segundo formas análogas às utilizadas no século anterior.

Um pouco ao encontro de ideias já defendidas por Oswald Wirth, no princípio do século XX, a corda, nesta versão, apresenta doze laços de Amor. Este número de nós permite que, ao longo da largura do Painel se encontrem evidenciados três intervalos entre laços e, ao longo do seu comprimento, estejam aparentes outros quatro, todos de igual extensão, ilustrando assim a natureza pitagórica do retângulo que o contém.

Para este número de laços de Amor, Oswald Wirth, tão ao seu gosto sincrético, encontrou uma interpretação simbólica, identificando-os com os signos do zodíaco.

Fruto da diversidade simbólica existente entre os diversos ritos maçónicos, em outros sistemas, os Painéis de Loja assumem aspetos substancialmente distintos dos considerados no REAA.

No Rito Francês Groussier, muito embora o Quadro de Loja não seja um elemento de decoração do Templo indispensável, ou sequer recomendado, o Ritual de Referência GOdF 6009 inclui um modelo tipo, a ser seguido pelas Oficinas, pelo menos no seu trabalho simbólico.

Este não difere substancialmente, relativamente ao REAA, nos símbolos considerados, apresentando apenas outra disposição para os mesmos e, omitindo o Livro da Lei Sagrada, bem como a Régua de 24 Polegadas.

Destaca-se, ainda, que este Painel não é orientado, uma vez que neste Rito não existe sacralização ritual do espaço iniciático, sendo apenas convencionado o tempo mítico no qual decorrem os trabalhos.

Figura 6 – Quadro de Loja de Aprendiz Rito Francês Groussier, Grande Orient de France, 2009

Em Inglaterra a utilização do Quadro de Loja só se fixou e, generalizou após o Ato de União de 1813, tendo os modelos ainda hoje utilizados nos Ritos Anglo-Saxónicos sido pintados por retratistas famosos, do princípio do séc. XIX, tais como John Harris (1791-1873) ou Josiah Bowring (1757-1832).

Nestes painéis, que se caracterizam por serem desenhados em perspectiva, abundam as cores utilizadas, constando a respetiva interpretação do Ritual de Iniciação de alguns “Workings”, como é o caso do Emulation.

Figura 7 – Quadro de Loja de Aprendiz, Emulation Ritual

Como elementos simbólicos específicos deste “Working”, presentes no Quadro de Loja do Primeiro Grau destacam-se os seguintes:

  • Os três Pilares, representados nas ordens de arquitetura atrás referidas simbolizam, para alem do ternário Sabedoria – Força – Beleza, também Salomão, Hiram Rei de Tiro e, Hiram Abiff;
  • A escada simboliza a visualizada por Jacob, no seu sonho, através da qual os Anjos se deslocavam entre a Terra e o Céu;
  • Os três símbolos presentes sobre esta escada representam as Virtudes Teologais: Fé, Esperança e, Caridade;
  • As quatro borlas, desenhadas nos cantos do Quadro simbolizam as Virtudes Cardinais: Justiça, Temperança, Prudência e, Coragem;
  • As sete Estrelas que rodeiam a Lua representam os sete Irmãos necessários para tornar uma Loja Justa e Perfeita;
  • A Estrela Flamejante simboliza a Glorificação do Centro, representando a Orla Denteada de triângulos negros e, brancos, tudo o que O circunda.

No Rito de Adoção, através do qual começaram a ser iniciadas  Mulheres, no século XVIII, o conteúdo simbólico baseia-se, essencialmente, em vários temas veterotestamentários.

Os Painéis do Primeiro Grau deste Rito são, pois, substancialmente diferentes dos ligados aos Ritos, à época, exclusivamente masculinos, mais centrados na construção do Templo de Salomão. Os relativos à Maçonaria de Adoção exibem, assim, imagens alusivas aos três grandes temas do Aprendiza Maçona, os quais são a escada de Jacob, a Arca de Noé e, a Torre de Babel.

Figura 8 – Quadro de Loja de Aprendiz, Rito de Adopção, Séc. XVIII

Por último assinale-se que os Quadros de Loja do Rito Escocês Retificado, por obedecerem a diretrizes constantes dos Rituais de Willermoz, de 1782, são os que refletem mais a prática do século XVIII.

Figura 9 – Quadro de Loja de Aprendiz, RER, Séc. XX

O Painel de Loja do RER apresenta de específico uma porta fechada, símbolo da Porta do Templo Interior à qual se acede por uma escada composta por séries de três, cinco e, sete degraus, separada por patamares. Tendo-se presente que o Catecismo do Primeiro Grau deste Rito descreve o Pavimento de Mosaico como “o que se encontra sobre o subterrâneo do Templo”, encontramos aqui uma temática presente nos graus crípticos de outros Ritos.

Esta Porta é ladeada pelas duas Colunas habituais, mas apenas a da esquerda exibe a letra J, dado que o Aprendiz ainda não conhece a da direita.

Para além destes aspetos o Painel apresenta três conjuntos de símbolos, compostos cada um deles por três símbolos dispostos em triângulo. Estes três ternários integram as Joias Móveis, as Joias Imóveis e, o conjunto Sol-Lua-Estrela Flamejante, contabilizando o número nove (3 x 3), presente no RER de várias formas, tais como o número de Oficiais, ou o número de Luzes da Ordem.

Um dos aspetos que não foi normalizado nos Rituais de 1782 foi o número de Laços de Amor da Corda, pelo que em muitos Painéis deste Rito se adoptam nove Nós.

Para além do Quadro de Loja, no RER existe, ainda, um Quadro do Grau, colocado em frente ao altar do Venerável.

O do Primeiro Grau, que foi herdado da Estrita Observância Templária, reflete bem a dupla natureza Cavaleiresca e Cristã deste Sistema.

A coluna quebrada pelo fuste, mas cujas fundações permanecem firmes (em consonância com a divisa “Adhuc Stat”), que na Estrita Observância simbolizava a Ordem do Templo, assume todavia, no RER, uma interpretação mais espiritualista, representando o Homem, que muito embora se encontre corrompido pela queda, conserva em si os meios que lhe permitirão a sua regeneração, permitindo-lhe a Maçonaria a sua descoberta, no interior de si mesmo.

Este Quadro é sempre desenhado em branco, sobre fundo negro, em analogia com o teor do Prologo do Evangelho de João, segundo o qual 

“A Luz brilha nas trevas, mas as trevas não a compreenderam”.

Figura 10 – Quadro do Grau de Aprendiz, RER, Séc. XX

Para além de conter os símbolos do grau, o Quadro de Loja é, por si só, um símbolo, que assume no REAA um papel indispensável.

Assim, no nosso Rito, o Painel, disposto no local onde se projeta o eixo vertical da Loja, que liga o Zénite ao Nadir, representa o terceiro termo que equilibra o binário plasmado no pavimento de mosaico, orientando o espaço iniciático no qual se desenvolvem os trabalhos e, sobrevalorizando o centro, no qual todo o Maçom se deve situar.

Ao repetir em si toda a decoração simbólica do Templo, o Painel de Loja reafirma que a unidade contém, na sua essência, o Todo, ilustrando o princípio hermético de que

“Tudo o que está em baixo é igual ao que está em cima”.

Este símbolo interage dinamicamente com o ritual, encontrando-se aberto, quando não estamos mais no mundo profano e, fechado, quando a Loja não está em

Trabalhos, configurando assim a via traçada que levará o Maçom de Ocidente para Oriente, no caminho do Conhecimento e da Luz.

Acentua-se, ainda, que se o Quadro simboliza a Loja e, a Loja simboliza o Mundo, tudo isto ilustra que a Maçonaria é Universal.

Como tal, prolonga-se de Ocidente a Oriente, do Setentrião ao Meio-Dia e, do Zénite ao Nadir, numa única Cadeia de União intemporal, que nos religa ao passado, se materializa no presente e, se projeta no futuro, numa demanda constante do Belo, do Bom e, do Verdadeiro.

Como “caixa de ferramentas” de suporte dos Aprendizes, mais antigos ou mais recentemente iniciados, o Tapete de Loja reveste-se de uma riqueza pedagógica excecional, permitindo um trabalho de reflexão simbólica extremamente profícuo, que possibilita a cada Irmão ir acrescentando o seu contributo às primeiras letras, que os Irmãos, por quem anteriormente circulou a palavra, lhe dão.

De tudo o atrás exposto, sobressaem as seguintes questões:

  • A evolução histórica da simbólica associada ao REAA corresponde a uma tendência de aprofundamento iniciático crescente ou, pelo contrário, seria mais interessante proceder-se a uma abordagem revivalista, remontando-se aos rituais e, às construções simbólicas do séc. XVIII ?
  • Qual a atualidade e, a evolução previsível do nosso Rito, neste início do séc. XXI ?

Quando falamos de conhecimento iniciático, não estamos perante uma realidade estática, como a do conhecimento escolástico, que apenas se renova ao ritmo do reconhecimento oficial das novas descobertas científicas.

O conhecimento iniciático revivifica-se permanentemente, na medida em que o mesmo só é adquirido quando às interpretações que recebemos, dos elos da cadeia que nos antecederam, acrescentamos o nosso contributo reflexivo pessoal, transmitindo aos elos seguintes o valor acrescentado da nossa opinião.

O Rito Escocês Antigo e Aceito é, congenitamente, sincrético e, consequentemente, abrangente, o que lhe permite englobar todo um vasto universo de pensamento e, de símbolos, que lhe tem permitido adaptar-se a praticamente todos os quadrantes geográficos e, todos os sentidos de prática maçónica.

É certo que nem sempre os sincretismos introduzidos têm contribuído para uma maior coerência do sistema, mas coerência será sempre a ultima coisa a exigir de um Rito cujos graus simbólicos foram desenvolvidos em França, em 1804, sobre uma base Antiga e, em que a maior parte dos seus altos graus foram gerados, no mesmo país, entre 1740 e 1760, por Maçons que não conheciam outra forma de prática maçónica que não a Moderna e, onde coexistem influencias filosóficas tão distintas e, por vezes antagónicas como, por exemplo, a hermética e, a iluminista.

Devemos, contudo, pensar que um regresso às origens, levado até às suas ultimas consequências, obliteraria todo o contributo de diversos simbolistas notáveis, tais como Oswald Wirth ou, Jules Boucher, que contribuíram, já no séc. XX, para que o REAA assumisse a riqueza simbólica presente, constituindo-se como verdadeiro viveiro e, veículo transmissor da Tradição Maçónica, nas suas dimensões material, intelectual e, espiritual.

No que concerne à atualidade deste sistema face às questões contemporâneas, convém realçar que a Maçonaria se fundamenta em símbolos e, mitos que, por remontarem a fontes tradicionais, transportam uma essência intemporal, associada à natureza humana, que lhes tem permitido servirem de suporte à busca da Verdade, em contextos muito diversificados, espacial e, temporalmente.

A Verdade não se alcança, é fruto do momento e, tem sido esta sua busca que tem permitido aos Maçons encontrar respostas, em termos de valores éticos, face aos novos paradigmas das sociedades, em constante mutação, constituindo-se assim a Nossa Augusta Ordem como verdadeiro fator de elevação da Humanidade, numa constante busca de valores civilizacionais mais justos e, mais solidários.

Na reflexão filosófica maçónica contam mais os raciocínios que se produzem do que a base que os sustenta. Ao comportar fontes tão abrangentes, o REAA possibilita uma escolha das ferramentas adequadas à situação concreta, permitindo que a interpretação dos seus símbolos, que pode sempre ser focalizada sobre diversos pontos de vista, tenha uma leitura analógica que transporte para as questões contemporâneas, permitindo ao Maçom Escocês do séc. XXI continuar a trabalhar, à semelhança dos seus antepassados, para o seu progresso pessoal e, da Humanidade.

Não julgo, pois, que visões radicalmente revivalistas sejam as mais indicadas face ao futuro, mas, também em matéria de prática ritualística, temos sempre de saber donde vimos e, onde estamos para, em consciência, podermos decidir para onde queremos ir.

Nesta linha de raciocínio, nada de coerente se poderá construir sem se entender a mensagem que os Irmãos que nos antecederam nos deixaram, pois só assim será garantida a continuidade da Cadeia Iniciática e, convenientemente, assegurada a Transmissão.

Autor: Joaquim G. Santos

Fonte: REVISTA BIBLIOT3CA

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Referências bibliográficas

Anónimo ”L’Ordre des francs-maçons trahi et le Secret des Mopses revelé”, Paris, 1745;

Anónimo ”The Text Book of Freemasonry”, Reeves and Turner, Londres, 1870;

Claude Antoine Vuillaume, ”Manuel Maçonnique ou Tuilleur de tous les rites de Maçonnerie pratiqués en France”, Hubert, Paris, 1820;

Coletivo ”Encyclopédie de la franc-maçonnerie”, Le Livre de Poche, Paris, 2002;

Dachez Roger e Pétillot Jean-Marc ”Le Rite Écossais Rectifié”, PUF, Paris, 2012;

Dachez Roger e Bauer Alain ”Les Rites Maçonniques Anglo-Saxons”, PUF, Paris, 2011;

Gabanon Leonard ”Catechisme des Francs-Maçons”, Paris, 1744;

Guérillot Claude ”Les trois premiers degrés du Rite Écossais Ancien et Accepté ”, Guy Trédaniel Éditeur, Paris, 2003;

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Jardin Dominique, ”Voyages dans les Tableaux de Loge”, Jean-Cyrille Godefroy, Paris, 2011;

Loth J T ”The Ancient and Accepted Scottish Rite; illustrations of the emblems of the thirty-three degrees”, Simpkins and Marshall, Londres, 1875;

Mainguy Iréne ”La Symbolique maçonnique du troisième millénaire”, Éditions Dervy, Paris, 2006;

Marcos Ludovic ”Histoire Illustrée du Rite Français”, Éditions Dervy, Paris, 2012;

Mondet Jean-Claude ”La Premiére Lettre: L’Apprenti au Rite Ecossais Ancien et Accepté ”, Editions du Rocher, Paris, 2005;

Nöel Pierre ”Les Grades Bleus du Rite Écossais Ancien et Accepté”, Éditions Télètes, Paris, 2003;

Ritual ”Régulateur du Maçom”, 1801;

Rituais RER, 1782;

Ritual ”Guide des Maçons Ecossais”, 1804;

Rituais de Referência REAA GLdF, 1927, 1952, 1962, 1979, 1984, 1989, 1998, 2000, 2003, 2006, 2013;

Ritual de Referência Rito Francês Groussier GOdF, 2009;

Rocchi Giorgio ”Importanza e significato del Quadro di Loggia”, 2013;

Villant Jean-Claude ”De l’usage du tapis de Loge”, Paris, 2011;

Wirth Oswald ”La Franc-Maçonnerie rendue intelligible à ses adeptes”, Éditions Dervy, Paris, 2007.

As colunas zodiacais

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Introdução

Nossos antepassados, ao observarem o céu e o movimento das estrelas e astros, em seu cotidiano, começaram a perceber a relação dos mesmos com a época do ano.

Com a observação cotidiana dos astros, os antigos começaram a dar nomes de animais do seu dia a dia, neste grupo de estrelas, dai surgindo os doze signos dos zodíacos. Desse estudo, surgiu  a astrologia, A astrologia vem do grego antigo  astron, “astros”, “estrelas”, “corpos celestes”, e logos, “palavra”, “estudo”, sendo que da astrologia surgiu a astronomia.

Na história humana existem diversos povos que desenvolveram essa  técnica de se observar o firmamento. Mas foram os sumérios, na realidade o primeiro povo que a sintetizou, sendo que eles deixaram a nós, o legado da astrologia, e posteriormente  a astronomia.  

O termo Zodíaco vem do grego antigo, zódia, daí zodiakos – círculo de animais” – que nada mais é que uma faixa celeste imaginária, que se estende entre 8 a 9 graus de cada lado da eclíptica e que com essa coincide. A eclíptica, é o caminho aparente que o Sol, do ponto de vista da Terra,  percorre anualmente no céu. Essa faixa foi dividida em 12 casas de 30 graus cada uma, chamadas de constelações (do latim “conjunto estelar”).

As colunas

As colunas zodiacais representadas em nosso Templo, são colunas da ordem Jônica, tendo no seu capitel os Pantáculos, que segundo o ocultismo, são fontes inesgotáveis de energias e forças que encerram incalculáveis poderes dentro de si, e que é a representação de cada signo com o planeta e o elemento da natureza que o caracteriza. Essas colunas são colocadas no Ocidente, sendo seis ao Norte e seis ao Sul.

Elas servem como símbolos do caminho do Maçom que está evoluindo, sendo sinal de crescimento, moral, material e espiritual.

Em nossa Ordem, os ritos maçônicos usam os signos, sinais do zodíaco, em sentido simbólico, não no sentido de horóscopo especificamente, como o do nascimento de uma pessoa, seus projetos etc. Em nosso rito o REAA, ele tem por finalidade educar e instruir o Maçom, a semelhança de outros símbolos e ferramentas estudadas.

As colunas são postadas junto às paredes, e com já dissemos, são seis ao Norte e seis ao Sul. A sequência das colunas é o seguinte: de Áries a Peixes, iniciando-se com Áries ao norte próxima à parte Ocidental, e terminando com Peixes ao Sul também próxima à parte Ocidental.

Esses signos são: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Balança ou Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio Aquário e Peixes. As colunas começam com o signo de Aries, pois é em março que inicia-se o “ano astrológico”, tendo relação com o Equinócio de Primavera no hemisfério norte (de outono em no nosso hemisfério sul), que acontece por entre os dias 20 e 21 de março, período esse que marca o nascimento de um novo ciclo. É quando o Sol ingressa e passa pelo 0º de Áries, ou seja, o ponto vernal. O ponto vernal é quando o Sol, passando pela eclíptica, cruza o equador celeste próximo aos dias 20 ou 21 de março determinando o início da primavera para o hemisfério norte e o de outono para o hemisfério sul. Apesar de localizar-se hoje, devido à precessão dos equinócios, na constelação de peixes. Tal precessão, ocorre a cada 25.770 anos. Ele é chamado de Grande Dia. Devido a esse fenômeno, ocorrerá com o tempo, a antecipação dos equinócios, com a mudança na posição dos astros.

Pois bem, existe um correlação na coluna zodiacal relacionado aos Graus simbólicos. Ao Grau de Companheiro corresponde Libra ou Balança; e os ao Grau de Mestre Maçom são os signos de Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes. |Os demais são relacionados aos Aprendizes – Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem

Vejamos suscintamente a representatividade de cada um, sendo que eles também estão relacionados aos doze filhos de Jacó que deram origem às doze tribos de Israel, bem como aos doze apóstolos de Jesus.

A sequência completa das colunas são as seguintes: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, ao lado Norte, no sentido do Ocidente – Oriente, e Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes ao Sul, no sentido Oriente- Ocidente.

Coluna nº 1: Áries, – coluna do Norte, corresponde à cabeça e ao cérebro do homem Planeta Marte e ao elemento Fogo. É o início de tudo. Da busca espiritual.

Coluna nº 2: Touro, a coluna do Norte, corresponde ao pescoço e à garganta. -Planeta Vênus e o elemento Terra. Símbolo da vida na matéria

Coluna nº 3: Gêmeos, – coluna do Norte, correspondendo aos braços e às mãos, Planeta Mercúrio e ao elemento Ar. A representação mais comum é a de dois homens abraçados, que indica a elevação espiritual. 

Coluna nº 4: Câncer (ou Caranguejo) – coluna do Norte, corresponde aos órgãos vitais respiratórios e digestivos.  Corresponde à Lua, ao elemento Água. Nas igrejas católicas esta sempre próximo a pia de batismo, como a indicar a religação com a vida espiritual.

Coluna nº 5: Leão, coluna do Norte, corresponde ao coração, centro vital da vida física. Corresponde ao Sol e ao elemento Fogo. Indica a persistência que devemos ter, a força para prosseguirmos em nossa elevação espiritual.

Coluna nº 6: Virgem, coluna do Norte; corresponde ao complexo solar que assimila e distribui as funções no organismo. Como faculdade intelectual exprime a realização das esperanças. Planeta Mercúrio e ao elemento Terra.

Coluna nº 7: Libra (Balança), Coluna do Sul – Simboliza o equilíbrio entre as forças construtivas e destrutivas. – Planeta Vênus e ao elemento Ar.

Coluna nº 8: Escorpião, Coluna do Sul, Planeta Marte.  Elemento Água. . Representa as emoções e sentimentos tanto negativos como positivos, como rancor, obstinação.

Coluna nº 9: Sagitário, Coluna do Sul. Caracterizada por Júpiter e pelo elemento Fogo. Representa a mente aberta e o julgamento crítico.

Coluna nº 10: Capricórnio, Coluna do Sul – Planeta Saturno. Elemento Terra. Simboliza a determinação e a perseverança.

Coluna nº 11: Aquário, Coluna do Sul –  Planeta  Saturno –  Elemento Ar. Representa o sentimento humanitário e prestativo.

Coluna nº 12: Peixes, Coluna do Sul, Planeta Júpiter. Elemento Água. Simboliza o desprendimento das coisas materiais.

Conclusão

Podemos concluir que as colunas foram introduzidas em nossa Ordem, para indicar o caminho de evolução do maçon. Cada coluna zodiacal, representa uma etapa na em nossa evolução, demarcando nossa  caminhada espiritual. Alguns autores, dizem que as colunas não são da maçonaria, e que  foram introduzidas posteriormente no REAA, ficando tal debate para uma próxima oportunidade.

Compilado por Dermivaldo Collinetti

Dermivaldo é Mestre Maçom da ARLS Rui Barbosa, Nº 46 – GLMMG – Oriente de São Lourenço e, para nossa alegria, um colaborador do blog.

Referências bibliográficas

José Castellani – Astrologia e Maçonaria – 3ª Edição Revisada.

Xavier Musquera – As Chaves e a Simbologia na Maçonaria.

CAMINO, Rizzardo da, Dicionário Maçônico, ISBN 85-7374-251-8, primeira edição, Madras Editora Ltda., 414 páginas, São Paulo, 2001.

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As colunas e as ordens de arquitetura

Capitéis da Antiguidade Clássica: Entenda a diferença entre as ...

Em nossa Ordem, e nos mais variados ritos, são consideradas cinco ordens de arquitetura, sendo três de origem grega e duas de origem romana, sendo no REAA, as que prevalecem são as de origem grega, que são originais, sendo que as demais são derivadas destas.

As Ordens de arquitetura, são uma combinação peculiar de três elementos arquitetônicos: base, coluna e entablamento.

Na nossa Ordem, esses estilos arquitetônicos clássicos, são utilizados em vários dos Graus maçônicos, e valem por seu simbolismo.

São cinco as ordens conhecidas:

  • De origem grega: Ordens Jônica. Dórica e a Coríntia, sendo esta última uma variação da Ordem Jônica
  • De Origem romana: Ordens Toscana e Compósita.

Apesar de não serem de origem grega, eles, os gregos a remodelaram e a tornaram a que são hoje.

Assim, faremos um pequeno resumo das ordens de arquitetura e seu simbolismo, lembrando que pelo ritual, as colunas ficam próxima ao altar da três luzes e as colunetas miniatura das mesmas, ficam no altar dessas mesmas luzes.

Ordem Jônica:  A Ordem Jônica também é conhecida como a Ordem de Atenas, sendo de origem Assíria, sendo seu lugar no Oriente próximo ao Venerável Mestre. Dai ela representar a Sabedoria. Ela é posterior a Ordem Dórica.  Nota-se que a coluneta no trono fica sempre de pé, indicando que a Sabedoria deve estar sempre alerta, seja no trabalho ou no descanso. Ela vem dos Jônios que era um povo vindo da Ásia, e que fundaram várias cidades na Grécia antiga, inclusive a cidade de Atenas, de onde se originou os grandes pensadores gregos, como Sócrates, Platão e Aristóteles.

A lenda nos conta que Íon, um líder grego dos Jônios, foi enviado à Ásia, onde construiu templos em Éfeso, dedicados a deuses gregos. Íon então, observou que as folhas de cortiça, colocadas sobre os pilares para evitar infiltração de água e amortecer o peso das traves, com o tempo, cedendo à pressão, contorciam-se em forma de ornamento em espiral, que imitavam os fios de cabelo de mulher, sendo essa  a principal característica da Ordem Jônica. Um dos exemplos da arquitetura Jônica encontra-se na Acrópole de Atenas. Representa ainda em nossa ordem o Rei Salomão.

– Ordem Dórica: Ela é a mais rústica das três gregas, e a mais antiga, priorizando a robustez, em confronto com a beleza, sendo que na Grécia antiga, ela ornamentava os deuses masculinos, sendo que sua origem é do Egito. Daí estar relacionada a FORÇA (Hercules), estando na Coluna do Norte que é governada pelo Primeiro Vigilante. Suas colunas não possuem base e seus capiteis são simples, lisos e sem qualquer ornamento. A coluneta é erguida durante os trabalhos, quando é necessária força para a execução dos mesmos (do meio dia à meia noite). Seu nome vem de Dorus, filho de Heleno, rei da Acaia e do Peloponeso. Os Templos mais importantes da Grécia antiga tinham colunas da desta ordem. Dos Dóricos, originaram-se os Espartanos, grandes guerreiros e combatentes. Como símbolo da força, nos anima e sustenta perante as nossas dificuldades, lembrando que nunca estamos sozinhos. Representa Hiram Rei de Tiro.

Ordem Coríntia: É a mais bela de todas, daí representar a Beleza (Afrodite ou Vênus), estando próxima ao Segundo Vigilante. Ela é uma evolução da Ordem Dórica. Ela é esbelta e graciosa. Sua denominação refere-se a cidade de Corinto; Quando do início dos trabalho em loja, a coluneta é abaixada. O templo de Zeus é melhor exemplo desta arquitetura.

A lenda nos conta que uma ama levou uma cesta, contendo brinquedos à sepultura da criança que cuidava, cobrindo-a com uma velha telha, por causa das chuvas. Ao iniciar-se a primavera, um pé de acanto germinou e cresceu, transformando-se em formosa árvore. Folhas de acanto, cesta e telha teriam produzido um belíssimo efeito ao crescer a planta. Essa cena foi capturada pelo escultor Calímaco, que talhou um pilar de rara beleza, com o capitel copiado daquela cena. Representa Hiram Abiff.

Às essas três Ordens de Arquitetura, acrescentam-se às vezes a ordem Compósita, e a ordem Toscana, que não devem ser levadas em conta no simbolismo maçônico. 

Conclusão

Nosso edifício espiritual repousa sobre estas Ordens e colunas simbólicas, sendo que a Sabedoria organiza o caos, criando a ordem. A Força executa o projeto, seguindo instruções da Sabedoria, e a Beleza ornamenta nossa vida. Assim, sendo Sábio temos a Força, para lutar e combater as vicissitudes da vida e temos a Beleza permanente na construção de nosso edifício humano.

Autor: Dermivaldo Collinetti

Dermivaldo é Mestre Maçom da ARLS Rui Barbosa, Nº 46 – GLMMG – Oriente de São Lourenço e, para nossa alegria, um colaborador do blog.

Referências

As Ordens Arquitetônicas na Maçonaria – Kennyo Ismail – Blog No esquadro.

WWW.MACONARIA.NET – As três colunas, Eduardo Silva Mineiro, ARLS Acácia Castelense, nº 4 – Castelo do Piauí – Piauí – Brasil.

Decálogos do grau de aprendiz – Reinaldo Assis Pellizzaro – 1 Ed. 1986.

A Simbólica Maçônica – Jules Boucher – 1979.

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